Em menos de 24 horas a Polícia Civil de Joinville conseguiu localizar e prender o homem suspeito de praticar vários assaltos a mão armada em farmácias de Joinville. O mais recente ocorreu pouco depois do meio-dia desta segunda-feira (19), no bairro Paranaguamirim, zona Sul da cidade. O suspeito, identificado como Geovane Gonçalves da Silva, 31 anos, foi preso na manhã desta terça-feira (20) pela equipe da 3ª Delegacia de Polícia Civil de Joinville, em Itapoá. Ele recebeu voz de prisão no momento em que saía de um supermercado e seguia com a família para praia.
Para o delegado da Polícia Civil Murilo Batalha, Giovane é o homem que assaltou a farmácia Coradelli que fica na avenida Kurt Meinert, no bairro Paranaguamirim, no início da tarde de segunda. O crime foi gravado por câmeras de monitoramento. As imagens mostram um homem sozinho chegando de moto. Ele entra de capacete e com um revólver em mãos e rende os funcionários. Menos de dois minutos depois o suspeito consegue fugir levando todo o dinheiro do caixa.
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De acordo com Batalha o que chama a atenção é o fato de Giovane ser um detendo do Presídio Regional de Joinville, que ao deixar a unidade durante o benefício da saída temporária em fevereiro não retornou mais à cadeia e voltou a cometer crimes. “Temos recebido uma série de denúncias envolvendo presos do regime semiaberto, aberto e em prisão domiciliar que não cumprem as medidas necessárias de cada condição de prisão, e, além disso, continuam a praticar crimes. Este é o caso do Giovane. Ele é investigado por cerca de 12 crimes de assaltos contra farmácias em Joinville, todos cometidos quando ele deveria estar preso, cumprido pena por roubo”, diz o delegado Murilo Batalha.
Ele acrescenta que Giovane age com muita violência e é investigado também por tentativa de latrocínio. Em um dos roubos, ele colocou um revólver na cabeça de uma tendente de farmácia. “Giovane fugiu do Presídio Regional de Joinville no ano passado, e em dezembro ele foi recapturado. Dois meses depois, em fevereiro, a Justiça concedeu o benefício de saída temporária, dizendo que Giovane poderia deixar a cadeia por alguns dias. Mas ele não voltou dentro do prazo determinado. Desde então, estava foragido e continuou a praticar assaltos”, reforça o delegado Murilo Batalha.
Giovane tem fama de ser violento. O alvo dos assaltos sempre era farmácias | Foto Câmera de monitoramento/Polícia Civil
A prisão desta terça-feira ocorreu depois que a Polícia Civil recebeu informações de que Giovane estaria em um condomínio fechado, em Itapoá. “Já estamos monitorando o Giovane, depois do assalto, recebemos a informação de que ele estava em Itapoá. Na manhã desta terça fomos até lá e encontramos ele comprando cerveja em um supermercado. A intenção era passar o dia com a família na praia, mas ele foi detido e trazido à Central de Plantão Policial da Civil, em Joinville”, explica o delegado.
O suspeito teria confessado o crime informalmente aos agentes da Polícia Civil e alegou que rouba para sobreviver. “Em nossa delegacia ele já era investigado em oito crimes contra farmácias, outros delegados também confirmam a participação dele em outras regiões da cidade”, finaliza o delegado Murilo Batalha.
Prisão ocorreu quando o suspeito deixava um supermercado de Itapoá. Ele foi trazido à Central de Plantão Policial e deve retornar ao Presídio Regional de Joinville | Foto Polícia Civil/Divulgação
Após prestar depoimento Giovane deve ser conduzido ao Presídio Regional de Joinville, onde cumpre pena por outros crimes de assalto.
Situação recorrente causa retrabalho à Polícia Civil
A situação de Giovane é mais uma que ilustra uma realidade bastante complicada, apontada pela delegada regional da Polícia Civil de Joinville, Tânia Harada. Pessoas que estão presas, mas ficam em regime semiaberto, aberto e em prisão domiciliar tem aproveitado os benefícios da lei para voltar a cometer atos criminosos na cidade. “Isso fica bastante claro quando observamos os históricos da criminalidade. Presos que deveriam estar cumprindo pena continuam praticando crimes, e dando trabalho a polícia”, enaltece a delegada.
"Os presos acabam descumprindo as exigências do regime e voltam a praticar crimes", diz delegada Tânia Harada | Foto Arquivo/Jornal de Joinville
Tânia Harada explica que nas últimas duas operações realizadas pela Polícia Civil para acompanhar a situação de apenados em prisão domiciliar vários problemas foram encontrados. “Fizemos esta ação em dezembro do ano passado, 93% dos detentos que deveriam estar em casa, cumprindo pena, não foram encontrados. Dos 15 presos que deveríamos acompanhar, só um estava cumprindo pena em casa. Em alguns casos, o endereço fornecido nem existia. Em fevereiro repetimos a ação e as conclusões são bem semelhante. 66% dos presos que deveriam estar em prisão domiciliar não foram encontrados. Das 35 visitas realizadas, em 23 não achamos os presos onde deveram estar”, apresenta a delegada regional de Joinville.
“Há uma certa deficiência neste tipo de prisão. Os presos acabam descumprindo as exigências do regime e voltam a praticar crimes. Isso, além de aumentar a sensação de insegurança causa um retrabalho muito grande para a Polícia Civil, que, mais uma vez, precisa utilizar seus recursos para recapturar estas pessoas e conduzi-las ao presídio”, finaliza a delegada Tânia Harada.