Um homem denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) foi condenado a 24 anos, dois meses e 20 dias de prisão, em regime fechado, pelos crimes de estupro e tentativa de homicídio triplamente qualificado. O julgamento ocorreu no dia 15 de janeiro de 2025, durante sessão do Tribunal do Júri, em Jaraguá do Sul.
Os fatos aconteceram na noite de 19 de fevereiro de 2024, na rua Affonso Nicoluzzi, no bairro Água Verde. Conforme a acusação, a vítima caminhava sozinha pela ciclovia quando percebeu que estava sendo seguida. Próximo a uma ponte, o agressor a atacou, puxando-a pelos cabelos e arrastando-a até o muro nos fundos de uma empresa.
De acordo com a denúncia apresentada pela 4ª Promotoria de Justiça, o réu utilizou uma faca e também arremessou pedras contra a cabeça e o corpo da mulher. Em seguida, a vítima foi violentada sexualmente. Após o estupro, o acusado iniciou uma nova sequência de agressões com a intenção de matar a mulher, desferindo golpes de faca e lançando mais pedras contra diversas partes do corpo dela.
Ainda conforme a ação penal, o agressor arrastou a vítima por alguns metros e a jogou em um córrego, acreditando que ela estivesse morta. Gravemente ferida, a mulher perdeu a consciência, mas conseguiu se reerguer posteriormente e caminhar até a via pública, onde recebeu ajuda e foi encaminhada ao hospital. Ela passou por cirurgias e atendimento médico emergencial.
Durante o julgamento, o promotor de Justiça Rafael Scur do Nascimento destacou que o crime foi praticado por razões de gênero, caracterizando feminicídio tentado. Segundo ele, tratou-se de um ataque brutal contra a dignidade sexual e a vida da vítima, que só sobreviveu por circunstâncias alheias à vontade do agressor.
O Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras de motivo torpe, feminicídio e a tentativa de assegurar a impunidade de outro crime, resultando na condenação do réu. O caso reforça a gravidade da violência contra a mulher e a atuação do sistema de justiça no enfrentamento desse tipo de crime.