Desmoronamento deixou rastro de destruição na Vila Freitas | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Desmoronamento deixou rastro de destruição na Vila Freitas | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Durante coletiva de imprensa ocorrida nesta segunda-feira (18), a Prefeitura de Guaramirim, a Defesa Civil do município, a Defesa Civil do Estado e o Departamento de Infraestrutura de Santa Catarina (Deinfra) deram um panorama de quais ações serão tomadas após o desmoronamento ocorrido no bairro Vila Freitas, localizado às margens da SC-108 - que liga Guaramirim ao Vale do Itajaí - e as enchentes, que deixaram cerca de 200 pessoas desalojadas na cidade.

O prefeito Luís Antonio Chiodini decretou situação de emergência. O pedido será avaliado durante reunião com a Defesa Civil de SC nesta terça-feira (19). De acordo com o coordenador regional da Defesa Civil de Santa Catarina, Osvaldo Gonçalves, a área da Vila Freitas apresentava um nível de risco aceitável.

Durante coletiva de imprensa, prefeito e outras autoridades deram panorama da situação no município | Foto: PMG/Divulgação

Nessa modalidade constam áreas em que os moradores estão cientes de que há risco de desabamento e que são avisados de que é preciso sair destes locais caso haja um grande volume de chuva. A Defesa Civil emitiu alertas via SMS desde o dia 14 de fevereiro, alertando sobre a previsão.

Com o sol desta segunda-feira, o risco de novos desmoronamentos aumentou. O solo, que está encharcado, acaba rachando com o calor. A alta temperatura acaba trazendo fortes chuvas e a água penetra com mais facilidade no solo.

“Por enquanto, nós não vamos recuperar aquela área. Não vamos retirar os escombros porque o solo está em fase de assentamento e não estabilizou. As pessoas estão entrando nas casas, mas nós coibimos essa ação. Até a recuperação daquela via vai ser uma novela bem grande”, comenta Gonçalves.

Recuperação da SC-108

De acordo com o superintendente da regional Norte do Deinfra, Ademir Vicente Machado, não há prazo para a recuperação da pista da SC-108, interditada ainda na manhã de segunda. Por enquanto, o desvio está sendo realizado pela rua Izídio Carlos Peixer, no bairro Figueirinha, e a saída para a rodovia é feita pela rua Anélio Nicocelli.

“Vai ser uma obra pesada e que vai requerer um paredão de talude. Será feito um grande investimento do Estado porque aquela é uma situação séria. Começa por toda uma análise do morro que está sujeito a descer ainda. O investimento é grande e o secretário [de Estado de Infraestrutura, Carlos Hassler] deu prioridade”, destaca Machado.

Com o grande volume de água infiltrado no solo, parte da pista da SC-108 caiu sobre a Vila Freitas | Foto: Fábio Junkes/OCP News

O prefeito Chiodini anunciou que a Prefeitura está buscando soluções para ajudar as pessoas que foram atingidas pelos desmoronamentos e alagamentos ocorridos na cidade. Uma das medidas apresentadas durante a coletiva de imprensa são os kits de casa modulares.

O projeto prevê a construção de uma residência em apenas três dias. Os kits são disponibilizados pela Defesa Civil de Santa Catarina e o terreno público é doado pelo município.

Mas, de acordo com o mandatário, a prioridade é o encaminhamento de documentos para que as pessoas possam ter acesso a benefícios, como a retirada do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o Aluguel Social e o Bolsa Família.

"Algumas pessoas perderam os documentos. Então, nós vamos preparar a estrutura da Prefeitura e direcionar um dia inteiro para que as pessoas dessas famílias possam ser ajudadas em termos burocráticos e documentais. Com a ajuda da Secretaria de Desenvolvimento Social, também vamos fazer o cadastramento dessas famílias”, explica Chiodini.

Estalos serviram de alerta

Foram registrados alagamentos nas ruas do Centro e dos bairros Avaí e Nova Esperança. Também houve queda de árvores na Vila Amizade e às margens da SC-108. Apesar do rastro de destruição, ninguém ficou ferido no desmoronamento ocorrido na Vila Freitas.

O cenário de devastação era imenso e a impressão de que o barranco poderia desmoronar novamente estava no pensamento de todos. A Defesa Civil de Guaramirim interditou toda a área do desmoronamento. Mas a interdição pode ser ampliada ainda nesta semana, se o barranco ceder mais.

Moradora de uma das casas destruídas, Karina Vavassin, 24 anos, foi acordada durante a madrugada por um parente que mora na casa vizinha. Ela conta que os “estalos” do solo serviram de alerta para os moradores. O cunhado de Karina foi quem ouviu primeiro os barulhos por volta das 22h de domingo (17). Achando que poderia ser pessoas nas imediações, foi dormir. Na madrugada, ele ouviu estalos mais barulhentos e correu para avisar os demais.

Além do cunhado, moravam na casa acima a irmã e uma sobrinha de Karina. Na casa dela, estavam mais duas crianças e dois adultos.

“Por volta das 3h, ele [o cunhado] ouviu estalos e achou que os carros estavam caindo. Eles saíram e bateram aqui na porta de casa. Já acordamos a outra vizinha e vieram os outros vizinhos de cima. Graças a Deus todos saíram das casas e está todo mundo vivo”, comenta.

Mesmo com o risco eminente e o pedido feito pela Polícia Militar para que todos saíssem, moradores continuavam a vascular as residências atrás de pertences e documentos. Um deles era José Ivo Pereira, 55 anos, que chegou a residir na casa em que o cunhado de Karina morava. Ele afirma que acordou com barulhos vindos do morro e saiu para verificar o que ocorria.

Após o primeiro desbarrancamento, houve um segundo que saiu carregando tudo o que vinha pela frente. “Eu escutei os estalos vindo da casa da minha vizinha. Foi caindo aos poucos, depois que eu saí, estourou tudo. Não deu tempo de pegar nada. Estou apenas com a bermuda no corpo”, lamenta.

José Ivo conta que saiu apenas com a bermuda no corpo | Foto: Eduardo Montecino/OCP News

No município, aproximadamente 200 pessoas ficaram desalojadas e a Prefeitura disponibilizou um abrigo para recebê-las. Apenas quatro pessoas utilizaram o espaço até o nível da água baixar em seus imóveis. As demais se dirigiram para casa de amigos ou parentes.

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