Seis pessoas foram presas nesta quarta-feira (26) durante uma operação da Polícia Civil que investiga um grupo suspeito de invadir sistemas, aplicar golpes eletrônicos e lavar dinheiro. Segundo as investigações, os criminosos obtinham dados de cartões de crédito e de benefícios, como vale-alimentação e vale-combustível, para realizar compras em estabelecimentos comerciais do Rio Grande do Sul.
Entre os produtos adquiridos estavam bebidas e equipamentos eletrônicos. Depois das compras, as mercadorias eram revendidas pelo grupo. A operação cumpre oito mandados de prisão e 28 de busca e apreensão em cinco cidades de três estados.
As ordens judiciais são cumpridas em Viamão, Gravataí e Balneário Pinhal, no Rio Grande do Sul; Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais; e Indaiatuba, em São Paulo.
Como funcionava o esquema
De acordo com a investigação, a organização tinha um núcleo técnico localizado em Minas Gerais. Um casal, que foi preso no estado, seria responsável por essa parte da operação.
Os investigadores apontam que o casal fazia pesquisas, inclusive em ambientes da chamada deep web, até conseguir uma credencial que permitia acessar o sistema de uma empresa de cartões com sede no Litoral Norte do Rio Grande do Sul.
A partir dessa invasão, os criminosos teriam conseguido acessar informações financeiras e dados de cartões. Os acessos indevidos ocorreram nos dias 11 e 12 de novembro de 2025.
Nesse intervalo, foram registradas 217 operações no servidor da empresa, entre consultas, modificações e manipulações de informações financeiras.
Segundo a polícia, os integrantes responsáveis pelas compras recebiam os dados dos cartões por meio de um aplicativo de mensagens justamente no momento em que as transações seriam realizadas.
Em apenas dois dias, o grupo teria utilizado os dados obtidos para movimentar mais de R$ 30 mil.
Compras eram feitas em supermercados e lojas
Com os números e senhas dos cartões obtidos de forma fraudulenta, os suspeitos realizavam compras em supermercados e outros estabelecimentos comerciais de cidades gaúchas, incluindo Novo Hamburgo e Xangri-Lá.
Entre os itens adquiridos estavam bebidas e produtos eletrônicos. Depois de retiradas das lojas, as mercadorias eram destinadas à revenda, segundo a investigação.
A polícia também identificou uma estrutura de comunicação entre os integrantes. Por meio de um grupo de mensagens, eles recebiam instruções sobre como utilizar os cartões, separar os produtos adquiridos e guardar as notas fiscais.
Investigação começou após compra repetida de eletrônicos
A apuração teve início em 2025, depois que dois homens foram presos em flagrante em uma loja de eletrônicos no Litoral Norte.
Na ocasião, os suspeitos fizeram uma compra por volta do meio-dia. Poucas horas depois, retornaram ao mesmo estabelecimento para adquirir novamente uma caixa de som.
A repetição da compra despertou a desconfiança dos funcionários, que acionaram a Brigada Militar. Durante a abordagem, foram encontrados indícios de que os dados utilizados nas transações poderiam ter origem fraudulenta.
Os dois homens acabaram presos em flagrante.
A partir da análise dos celulares apreendidos com a dupla, os investigadores chegaram a um grupo de mensagens que reunia outros envolvidos no esquema. As conversas indicavam uma organização para a utilização dos cartões, retirada e separação das mercadorias e posterior revenda dos produtos.
Divisão de tarefas
Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa era estruturada em diferentes funções.
O núcleo técnico, localizado em Minas Gerais, seria responsável pela obtenção dos dados dos cartões e pela exploração do acesso remoto ao sistema da empresa. Também caberia a esse grupo modificar limites e repassar as informações obtidas aos demais participantes.
Já o núcleo operacional, com atuação em Viamão, teria como atribuições organizar as fraudes, recrutar pessoas para executar as compras e titulares de contas bancárias, além de providenciar o uso dos cartões nos estabelecimentos.
Esse grupo também seria responsável pelo transporte e pela destinação das mercadorias adquiridas de forma fraudulenta, além da movimentação dos valores obtidos com o esquema.
Ao todo, a operação busca desarticular a estrutura investigada e reunir novas provas sobre a participação de cada suspeito nos crimes.