Foto Divulgação
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O ortodontista Jonathan Mandalho, 41 anos, leva cerca de 20 minutos para ir de casa, no bairro Ilha da Figueira, para o trabalho, no Centro. Mas não deixa a sua bicicleta no estacionamento.

Quando vai pedalando para o consultório, ele faz questão de subir as escadas que levam à sua sala com a bike nas costas. O cuidado é necessário, pois ele já passou por três episódios em que foi vítima de ladrões.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

No último, o ladrão arrebentou o cadeado da bicicleta que ficava no estacionamento do prédio em que trabalha e a levou, deixando para trás um prejuízo de aproximadamente R$ 4 mil.

“Era uma sexta à tarde, por volta das 16h. Quando eu saí às 18h30, só estava o cadeado solto. Nós tínhamos uma câmera de segurança. A gente chegou a resgatar as imagens, mas elas não foram conclusivas, só conseguimos ver o vulto do cara. Eu acho que ele foi para outra cidade ou a desmontou, porque a bicicleta simplesmente desapareceu da cidade. Coloquei em todos os grupos de pedal e nada. Nunca mais recuperei a minha bicicleta e isso é muito frustrante. Continuei pagando as prestações sem ter a bicicleta”, afirma Mandalho, ao ressaltar que registrou um boletim de ocorrência sobre o furto.

Estatística aponta aumento nas ocorrências  

Um levantamento feito pela 14º Batalhão de Polícia Militar (BPM) aponta que nos primeiros seis meses de 2018 foram registrados 46 furtos de bicicletas, um aumento de 109% no número de ocorrências em relação ao mesmo período de 2017.

Segundo a PM, 37 ocorrências foram no interior do ambiente, ou seja, no interior de residências e prédios, por exemplo. As outras nove ocorrências, em via pública. Nos seis primeiros meses do ano, a PM recuperou quatro bicicletas. No mesmo período de 2017, foram registrados 22 furtos.

O subcomandante do 14º BPM, major João Carlos Benassi Kuze, comenta que a unidade não se orgulha dos números, classificados como negativos.

“O nosso objetivo é ter zero bikes furtadas ou recuperar todas as bicicletas. A gente não tem conseguido fazer com que essa recuperação seja mais expressiva e também não tem conseguido reduzir o número de furtos”, lamenta o oficial.

Ele ainda ressalta que a parceria com a comunidade é a principal ferramenta que a PM tem para fazer o combate a esse tipo de crime.

O jaraguaense tem hábito de usar bicicletas para o deslocamento para o trabalho e também para o lazer, com atividades de alto rendimento, que acabam fazendo com que faça um alto investimento no equipamento.

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O subcomandante da PM ressalta que isso faz com que ladrões sejam atraídos para a venda desse tipo de bicicleta no mercado paralelo.

Uma das soluções implantadas pela PM na cidade é a rede de vizinhos, já que a maior parte dos furtos ocorre nas residências.

Ele explica que a Polícia Militar realiza abordagens para identificar bicicletas furtadas, mas relata que é essencial que a Polícia Militar seja avisada o mais rápido possível sobre o furto.

O oficial reitera que é importante que o dono da bicicleta avise a PM e também tente espalhar a informação em suas redes sociais. Ele explica que quando a pessoa liga para o 190, toda a rede da Polícia Militar é mobilizada.

Esse furto passa por todos os canais de comunicação, inclusive em vários grupos de WhatsApp, com foto, características da bicicleta para localizar o mais rápido possível. A falta de emplacamento das bicicletas é outro problema que prejudica a identificação e localização.

"Hoje, a nossa tecnologia permite que a gente faça a identificação de um carro furtado. Mas a bicicleta vai depender do olho do policial e da rede estabelecida com a comunidade, que vai possibilitar ou não encontrar a bicicleta”, esclarece Kuze.

Ele reitera que além da falta de emplacamento, o furto de bicicletas é difícil de combater por causa de algumas características, como a facilidade na descaracterização das bicicletas furtadas. O combate ao desmanche também é difícil, pois não há marcação do número de chassi, como há nos automóveis.

Segundo o PM, peças com numeração são abandonadas pelos ladrões e os outros componentes são comercializados.

“E há outra coisa ainda pior. As pessoas não têm a cultura de guardar a nota da bike. Quando a gente faz a recuperação de itens de origem duvidosa ou mesmo em apreensões em ocorrência de tráfico de drogas, a bicicleta é disponibilizada na delegacia e não vai ninguém retirar”, lamenta.

Recuperação pode ser facilitada

Dezenas de bicicletas esperam pelos donos na Delegacia de Jaraguá do Sul. Muitas acabam se deteriorando com o tempo. Segundo o delegado titular, Luís Carlos Gross, o registro do boletim de ocorrência na Polícia Civil é essencial para que o dono possa reaver o bem furtado.

Ele explica que a nota fiscal é importante para que seja comprovada a propriedade, mas que há outras maneiras do cidadão mostrar para a autoridade policial que realmente é o dono da bicicleta recuperada.

“Dificilmente, as pessoas guardam a nota fiscal e a Polícia Civil não tem o registro. Então, a pessoa começa a usar a bicicleta, extravia a nota fiscal e uma das características que a gente tem que verificar é a propriedade. Mas, se a pessoa diz que a bicicleta é sua e não registrou o BO, não tem o que fazer, principalmente se tiver muitas bicicletas parecidas. Quando a gente identifica o dono, a gente devolve. As que ficam é porque não têm o BO ou porque a vítima não se interessou em vir buscar. Muitas vezes está tão detonada que a vítima não quer levar. Então, a gente doa para os presídios para fazer cadeiras de rodas”, conta.

Gross informa que a pessoa que não tiver o boletim de ocorrência pode dar detalhes específicos sobre a bicicleta furtada, na tentativa de reavê-la.

Segundo ele, na hora da recuperação, se houver uma conferência com as características descritas no registro policial, é possível que o dono da bicicleta possa reaver o bem mesmo que não tenha guardado a nota. Mas em uma coisa ele é incisivo. Para reaver o bem, é preciso ter o BO feito na Polícia Civil em mãos.

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