A Fundação Jaraguaense do Meio Ambiente (Fujama) começou a avaliar ontem os danos causados pelo vazamento de gasolina no rio Cerro, em Jaraguá do Sul. Na tarde de terça-feira (15), um caminhão-tanque bateu em um barranco na serra da SC-110, no bairro Rio Cerro 2. O líquido inflamável vazou do reservatório e caiu em uma tubulação.

O presidente da fundação, Normando Zitta, explica que as empresas têxteis e de alimentos da região foram alertadas a suspender a captação da água do rio. Ele lembra que o Samae não faz captação de água para consumo humano naquele rio, mas também está em alerta.

Além da Fujama, a Defesa Civil de Jaraguá do Sul, Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) e o Samae trabalham no monitoramento do rio Cerro. De acordo com Zitta, os técnicos ainda tentam definir o tamanho do impacto ambiental.

“Nós retiramos algumas amostras e levamos para o laboratório. Agora, estamos fazendo o monitoramento com um equipamento portátil do Samae. Nós vamos fazer mais algumas coletas para conseguir mensurar esse dano e quando será possível retomar o consumo dessa água”, conta.

Monitoramento vai durar mais

Zitta explica que o monitoramento vai durar enquanto houver resíduos na água. O presidente da Fujama explica que o trabalho de contenção do material derramado já foi feito. Dois barramentos já foram colocados no rio Cerro e um terceiro seria implementado até o fechamento desta reportagem.

A ideia é conter o combustível que está sobre a água para que a empresa de Curitiba contratada pela responsável pela carga faça o recolhimento. Toda a água contaminada será sugada para caminhões tanque.

O trabalho de responsabilização da empresa será feito pelo IMA. Em contato com o órgão, um dos técnicos do instituto afirmou que uma reunião foi feita na tarde desta quarta-feira para iniciar uma avaliação preliminar dos danos.

Apenas após uma análise mais aprofundada da situação é que será definida se a empresa será ou não multada e quais outras medidas administrativas serão tomadas pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina.

Estima-se que 4,5 mil litros de água tenham vazado do caminhão tanque após o acidente. Outros 500 litros de gasolina aditivada ficaram retidos dentro do reservatório de transporte. A empresa retirou 15 mil litros de água contaminada nas primeiras horas depois do acidente. Testemunhas afirmaram que o cheiro de gasolina dava para ser sentido nas proximidades da empresa Gumz, quilômetros após o local onde aconteceu o acidente.

Risco de explosão

O acidente ocorreu na tarde de terça-feira (15), por volta das 16h, na chamada Curva da Santa. O caminhão ficou sem freios e, desgovernado, saiu da pista, pulou um buraco e bateu em algumas árvores. Com o impacto, a cabine do motorista se desmanchou e o tanque de transporte de combustíveis se desprendeu do chassi do veículo.

O reservatório tombou ao lado do caminhão, em um nível abaixo do local em que ficou a carcaça da cabine. Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul, Pomerode e Indaial foram chamados para realizar o resgate a e contenção do combustível.

O motorista do caminhão foi retirado por moradores dos destroços em uma maca improvisada. Depois, socorristas dos bombeiros voluntários de Pomerode fizeram os primeiros socorros. Ele estava com suspeita de fraturas em um dos braços e em uma das pernas, além de ferimentos no rosto.

Vítima inalou vapor de gasolina

De acordo com a corporação, a vítima inalou o vapor de gasolina durante muito tempo e isso pode ter trazido complicações para o seu estado de saúde. O caminhoneiro foi levado em estado grave para o Hospital Rio do Testo. A unidade de saúde não repassou informações sobre o estado de saúde do paciente.

Uma unidade de resgate foi enviada ao local pelos bombeiros de Jaraguá do Sul. Ao se deparar com o acidente com carga perigosa, outra unidade com equipamentos para lidar com esse tipo de situação teve que ser enviada até o local.

Com a grande quantidade de vapor de combustível no local, a serra que liga as cidades de Jaraguá do Sul e Pomerode teve que ser interditada nos dois sentidos pela Polícia Militar Rodoviária. O tráfego foi liberado apenas na manhã desta quarta-feira após o risco ser afastado pela empresa responsável pelo recolhimento dos resíduos.

O comandante do Corpo de Bombeiros de Jaraguá do Sul, Neilor Vicenzi, explica que a ocorrência era complexa e que, apesar das condições favoráveis, poderia sair do controle a qualquer momento. Vicenzi comenta que a baixa temperatura favoreceu a ação dos socorristas, pois a gasolina libera mais vapor com a alta temperatura. Vicenzi ressalta ainda que o local em que houve o acidente trazia complicações para um maior controle da situação.

“O tanque estava rachado e as válvulas de fundo estavam rompidas. A gente precisou fazer a contenção do vapor que estava sendo liberado. A gente fez uma contenção com espuma para que o vapor não saísse do reservatório. Mesmo com o tempo favorável com a baixa temperatura, a chuva fazia com que a espuma se dissipasse. Isso fez com que o trabalho de contenção ficasse um pouco mais complicado e a gente jogasse ainda mais espuma sobre o tanque”, relata Vicenzi.