Maria Bazanella teve um AVC e morreu no Hospital São José. Foto: Reprodução/Facebook Um dos assuntos mais comentados nas redes sociais em Jaraguá do Sul nos últimos dias foi a morte de Maria Bazzanella, 69 anos, moradora do bairro Rio da Luz. Maria teve uma AVC (Acidente Vascular Cerebral) e morreu na segunda-feira (27). Após o falecimento da idosa, sua filha, Rita Bazzanella, 33 anos, publicou um post sobre o fato no Facebook. Foi o bastante para inflamar o debate sobre os desdobramentos da greve, que neste domingo (1º) completou 27 dias. Rita culpa, em parte, a falta de atendimento no posto de saúde Rio da Luz pela fatalidade. “Primeiro, a deixaram sem medicação. E eu vendo que vocês tinham o remédio. E agora duas semanas sem o controle de hipertensão e diabetes. Ela ia e me falava que tinha um papel colorido na porta. Ela não sabia ler o que era o papel que tinha na porta. Dinheiro algum irá trazer minha mãe de volta”, diz parte da publicação feita na rede social. Segundo Rita, sua mãe precisava aferir a pressão e fazer o teste de glicemia, pois tinha pressão alta e diabetes. O acompanhamento das duas doenças era realizado periodicamente no posto de saúde do Rio da Luz. No dia descrito no post feito no Facebook, na primeira semana de paralisação, o marido de Rita havia levado a sogra na unidade de saúde. Como o local estava fechado, eles decidiram fazer os testes em uma farmácia do bairro, pois as outras unidades estavam lotadas por causa da greve. “Nos acusam de não cuidar dela. Um dos filhos morava com ela só para fazer os cuidados. Não faltava nada, pois somos unidos e prestávamos assistência para a nossa mãe. A greve contribuiu para o estado dela piorar. Nós confiávamos nos profissionais que trabalham no posto de saúde, apesar de o atendimento não ser bom. Minha mãe ficou sem cuidados médicos por duas semanas por causa da greve, mas a gente não se pronunciou. Cada um tem direito de lutar pelos seus direitos, mas o sindicato mesmo colocou que é uma questão política. É por dinheiro! E isso não vale mais do que as vidas das pessoas”, comenta Rita.
Foto: Postada nas redes sociais após a morte de Maria. Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Postada nas redes sociais após a morte de Maria. Foto: Reprodução/Facebook
Maria era levada constantemente para verificar a diabetes e a pressão no posto de saúde do Rio da luz. Segundo Rita, há oito anos atrás, quando havia a estrutura antiga, a idosa seguia para a unidade de saúde sozinha e tinha um bom atendimento. Depois que houve a reforma, o atendimento mudou e ficou menos humanizado. “O Rio da Luz é longe, não dá para ir para outras unidades. É o local mais perto da nossa casa”, comenta. Rita acha que não houve negligência por parte dos funcionários do posto. “Não havia atendimento para haver negligência. No meu entendimento, só há negligência quando os profissionais negam o atendimento ao paciente na hora em que ele chega na unidade’, explica, ao relatar que sua mãe estava com picos de pressão, que, segundo os médicos, poderiam ser identificados apenas com um acompanhamento contínuo do hipertenso feito por um profissional da saúde. No dia 24 de março (sexta-feira), por volta das 22h, Maria teve um AVC isquêmico. Os filhos socorreram a idosa e levaram até a sede do Corpo de Bombeiros Voluntários, na Barra do Rio Cerro. De lá, ela foi levada para o Hospital São José. A paciente chegou a ser medicada e reagiu ao tratamento no domingo. Mas, no dia 27, o quadro piorou e Maria morreu. Indignada, Rita escreveu o post com as fotos no seu perfil. Segundo ela, muitas pessoas a julgaram e disseram que ela não prestou o devido cuidado por ser profissional da saúde. Na verdade, ela trabalha no setor administrativo de um hospital da cidade. “Eu estou do lado da população, não quero que aconteça a outras pessoas o que aconteceu com a minha mãe. Ela era tudo pra mim. Essa situação está fora do controle e muitas pessoas estão com medo de dizer isso. Eu queria que tudo isso acabasse e que as pessoas se sensibilizassem com essa história. Ela deixou filhos, o meu pai e os netos. Nada vai trazer ela de volta”, lamenta Rita. Prefeitura lamenta o ocorrido A Prefeitura de Jaraguá do Sul foi procurada pelo Grupo OCP para comentar o assunto. Segundo a chefe de gabinete, Emanuela Wolff, o município busca a volta dos servidores aos postos de saúde, mas o Sinsep (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Jaraguá do Sul) não atende aos pedidos da Prefeitura e as ordens judiciais. “Precisamos que esses serviços funcionem mesmo em estado de greve. Nós entendemos que a saúde e a educação são essenciais. Ao meu ver, a volta completa é necessária para que casos como esse não aconteçam”, explica. De acordo com Emanuela, a greve foi considerada ilegal pelo TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) desde o dia 14 de março e a Prefeitura busca o retorno dos servidores ao trabalho. Outras duas decisões – uma do colegiado do TJSC, na terça-feira (28), e outra da Vara da Família, Infância e Juventude, essa última na quinta-feira (30) – exigem o retorno do atendimento nos postos de saúde e escolas, mas não foram atendidos. “Nós sentimos muito pelo ocorrido e estamos muito preocupados com essa situação. A greve é democrática, mas é preciso que as decisões judiciais sejam cumpridas”, ressalta a chefe de gabinete. O Grupo OCP entrou em contato com o presidente do Sinsep, Luiz Cezar Schorner. Segundo ele, o sindicato prefere não se manifestar sobre o caso.