Foto: IGP/Divulgação
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O nitrato de amônio foi a substância que causou a tragédia que arrasou Beirute, capital do Líbano, nesta terça-feira (4). O produto é o mesmo utilizado como base para o fertilizante que provocou um incidente em um armazém em São Francisco do Sul.

No dia 27 de dezembro de 2013, por volta das 22h, uma reação química começou no depósito da empresa Global Logística. Uma grande nuvem laranja cobriu o céu de São Francisco do Sul. Bombeiros de toda a região foram mobilizados para combater o que na época foi chamado de incêndio químico.

Aulas foram suspensas e a rotina de aproximadamente 10 mil pessoas ficou prejudicada. Ao todo, 269 pessoas acabaram hospitalizadas por causa dos efeitos da fumaça tóxica. A situação foi declarada controlada pelo Corpo de Bombeiros Voluntários após 56 horas de trabalho ininterruptos.

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Mas o qual a diferença entre o incidente ocorrido em Santa Catarina e a explosão que matou cerca de 100 pessoas e deixou outras 4 mil feridas?

O engenheiro químico Guilherme Krhan ressalta que o nitrato de amônio por si só não é explosivo ou inflamável. A troca de fases do composto ocorre acima de 210°C e ele se torna altamente explosivo a partir dos 290°C.

Guilherme conta que é preciso verificar a causa inicial da explosão que ocorreu no Líbano, que pode ser uma faísca, o aumento de temperatura ou o contato com outros produtos químicos. O nitrato de amônio precisa ser alojado de uma forma apropriada, atendendo condições rigorosas de segurança.

“A explosão ocorre porque a massa de um elemento gasoso é muito maior que o elemento em fase sólida. Está matéria se expande, o que provavelmente ocasionou a terrível explosão no Líbano”, afirma.

Decomposição térmica

O diretor da Academia de Perícias do Instituto geral de Perícias (IGP), Rogério Tocantins, lembra que fertilizantes com concentrações superiores à 60% de nitrato de amônio em sua composição possuem risco de explosão.

Tocantins avalia que, envolvida em situações de incêndio, a substância promove uma súbita decomposição térmica. Essa situação pode pode evoluir para uma detonação, como a que ocorreu em Beirute e atingiu um raio de cerca de 10 quilômetros.

Em São Francisco do Sul, o fator que desencadeou a decomposição térmica autossustentável foi uma combinação de fatores de acidez produzida pela absorção de umidade, aliada à presença de cloreto, catalisador da decomposição térmica, fazendo com que ela ocorresse em temperaturas próximas de 50°C.

“Apesar de ter sido noticiado como um incêndio químico, não houve incêndio, não houve presença de chama. O material fertilizante de São Francisco do Sul tinha uma composição de 60% de concentração de nitrato de amônio, sendo, portanto, passível de explosão”, frisa Tocantins.

O perito ressalta que poderia ter ocorrido uma explosão em São Francisco do Sul caso a causa do incidente fosse um incêndio. O fato de não ter ocorrido incêndio no incidente de São Francisco do Sul foi fator preponderante para que não tivesse ocorrido uma tragédia.

“Se tivesse ocorrido um incêndio em São Francisco do Sul, a explosão teria uma magnitude duas ou três vezes maior que a de Beirute, já que havia dez mil toneladas de material em São Francisco do Sul, contra 2.700 toneladas em Beirute.”, detalha Tocantins.

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