A ordem para matar a adolescente jaraguaense Letícia Vargas, 17 anos, partiu de dentro do Presídio Regional de Joinville. Ela foi dada por um detento de 28 anos, apontado como um dos chefes de uma facção criminosa que atua no território catarinense. O motivo, ao contrário do que se possa imaginar, não envolve acerto de contas relacionado ao tráfico de drogas, mas um ciúmes mortal. No mundo do crime, ao se envolver com um rapaz que tinha uma namorada ciumenta - com quem tinha reatado recentemente - Letícia foi classificada como "talarica", termo pejorativo que designa alguém que se envolve com alguém comprometido. E sua pena por esta paixão adolescente foi a morte. Quando o crime foi executado, o pivô, um rapaz de 23 anos, estava preso. Ele havia sido detido dias antes, no Centro de Guaramirim, suspeito de tráfico de drogas. A Polícia Civil de São Francisco do Sul, responsável pelas investigações, já mapeou pelo menos seis pessoas que teriam se envolvido direta ou indiretamente no planejamento e na morte da adolescente. O corpo foi encontrado há um mês, jogado no final da rua Grécia, próximo ao Loteamento do Mazinho, no bairro Ubatuba, em São Francisco do Sul. As marcas indicavam que ela foi morta com requintes de crueldade. A morena, descrita pelos amigos como uma menina alegre, de alto astral, vaidosa e festeira, foi vítima de uma emboscada e atraída para a morte por três menores, um rapaz e duas meninas, que a convidaram para uma festa em São Francisco. Tanto que em um de seus perfis no Facebook, a última postagem de Letícia, no dia 1º de maio, diz: "Partiu São Chico". Além do mandante do crime e dos três adolescentes, também estão envolvidos no crime a mulher de 21 anos que encomendou sua morte e uma outra mulher. Apenas o mandante do crime, que é presidiário, está detido, e deve responder por mais este crime. Segundo os investigadores, Letícia foi convidada para a tal festa por uma adolescente que se passava por sua amiga e a atraiu para a emboscada. Esta falsa amiga é descrita como "uma verdadeira psicopata". A vítima morava em Guaramirim com a avó, desde o início do ano. Foi quando se envolveu com as más companhias que a levaram à morte. Enquanto a Polícia Civil trabalha na conclusão do inquérito, as centenas de amigos e os familiares continuam a lamentar a morte da garota. Na última postagem, sua prima Bruna escreveu: "Tua voz cantando nunca vai sair da minha cabeça e quando eu chorar vou me lembrar de todas as vezes que nos rimos juntas, cantamos, dançamos! Aaahh e o karaokê???? Você queria por que queria dormir na minha casa sempre pra cantarmos naquele meu karaokê! E cantamos a primeira vez rebeldes kkk, ah prima, eu fui tão feliz nos tempos que nos víamos sempre que dava, e esse vazio vai ficar pra sempre no meu peito..." A reportagem tentou entrar em contato com a mãe de Letícia, mas ela não respondeu às tentativas de contato.   Leia mais:Amigos lamentam a morte com requintes de crueldade da linda Letícia