O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) continua a investigar a participação de autoescolas em esquema aprovação de alunos no exame prático mediante o pagamento de propina.

A operação “Sinal Vermelho” foi deflagrada na segunda-feira (26) e causou a paralisação da realização das avaliações nos cinco municípios da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Jaraguá do Sul.

Segundo o delegado regional, Adriano Spolaor, as provas práticas devem ser retomadas na próxima semana.Até ontem, foram presas seis pessoas, entre elas um policial civil que fazia os exames práticos de trânsito.

Spolaor destaca que o grupo formado por polícias Militar, Civil e o Ministério Público de Santa Catarina está verificando cada uma das 17 autoescolas da região.

O trabalho de investigação é concentrado na Divisão de Investigação Criminal da Polícia Civil em Jaraguá do Sul. Os nomes dos envolvidos presos não foram revelados para não atrapalhar as investigações.

“Nós identificamos algumas autoescolas envolvidas no esquema, mas a investigação está acontecendo e estamos ouvindo algumas pessoas, ou seja, mais envolvidos podem ser identificados durante a apuração. As autoescolas tiveram representação de conduta criminal perante a Corregedoria do Detran-SC (Departamento de Trânsito de Santa Catarina)”, comenta o delegado regional.

O procedimento gerido pela Corregedoria do Detran-SC pode resultar no descredenciamento das autoescolas envolvidas nas atividades ilícitas. Em outra frente, o Gaeco pretende descobrir ramificações do esquema.

Uma estimativa inicial apontou que a aprovação de alunos autoescolas mediante a propina começou há oito anos, mas novos indícios revelam que a cobrança do dinheiro possa ter começado há uma década.

Conduta coloca todos em risco

O incidente foi classificado como “lamentável, mas extremamente necessário” pelo delegado regional. A investigação aponta, inicialmente, o crime de corrupção, porém outros crimes podem ser descobertos.

“A apuração total da conduta dos envolvidos é importante pois é extremamente necessária à qualidade dos condutores. Essa conduta colocou todos nós em risco”, comenta Spolaor.

Estima-se que o policial civil que está no centro do esquema ganhava entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil mensais com a propina.

Apesar dessas primeiras informações, as investigações buscam verificar se ele recebia mais dinheiro durante o período que acompanhava os alunos das autoescolas.

Um processo tramita na Corregedoria Geral da Polícia Civil e o policial pode ser punido com a cassação do cargo.

Adriano Spolaor não descarta a possibilidade do Detran-SC solicitar novos testes para os motoristas beneficiados pelo esquema na região de Jaraguá do Sul.

Mas ele acredita que isso não deve ocorrer, pois não se sabe a quantidade exata de condutores que foram beneficiados pelo policial civil examinador preso na operação.

Importância da boa formação

Até o mês de setembro de 2018, a Polícia Militar registrou 1.575 acidentes provocados por falta de atenção do motorista em Jaraguá do Sul. O número representa 70% do total registrado no ano (2.227).

De acordo com o chefe da Seção de Comunicação Social do 14º Batalhão de Polícia Militar, o maior Aires Volnei Pilonetto, responsável pela segurança no trânsito é o condutor. Ele é uma peça chave e o seu comportamento vai definir a segurança de todos.

Durante as aulas nas autoescolas, os alunos são submetidos a 45 horas/aula presenciais teóricas, que abordam a legislação, direção defensiva, mecânica básica, primeiros socorros, além de meio ambiente e cidadania.

Outras 20 horas/aula são dedicadas às práticas. Pilonetto destaca que a formação e a submissão adequada ao teste são fatores que contribuem para uma maior segurança no trânsito.

“O legislador apregoou algumas questões com relação à formação dos condutores e a expectativa é de que elas sejam respeitadas, para termos condutores na via pública aptos e um trânsito seguro”, destaca.

 

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