Um estelionatário que se passava por médico pediatra nas redes sociais para enganar e furtar mulheres está no Presídio Regional de Jaraguá do Sul. A prisão de Dirceu Augusto Galliani, 32 anos, ocorreu na noite de quinta-feira (20), em São José, na Grande Florianópolis. Contra ele, havia um mandado de prisão preventiva expedido pela 2ª Vara Criminal, após investigação da Divisão de Furtos e Roubos (DFR) da Polícia Civil em Jaraguá do Sul.

Dois inquéritos foram abertos há cerca de quatro meses para apurar os crimes de furto, estelionato e violação sexual mediante fraude denunciados por duas vítimas da cidade. Uma terceira deve ser confirmada em breve. De acordo com o delegado titular da DFR, Leandro Antônio de Sales, o estelionatário, que nas redes sociais se identificava como “Augusto”, “Augusto Lemos” ou “Augusto Augustinho Guh” tem pelo menos oito passagens pelos mesmos crimes, com vítimas em diferentes regiões do Estado.

E embora em um de seus perfis no Facebook informe que tenha cursado medicina na Univille (Universidade de Joinville), a instituição informa que ele nunca foi aluno. Ele também dizia que tinha clínicas em Florianópolis e Balneário Camboriú e trabalhava no Hospital Maternidade Carmela Dutra. Para chegar até Galliani, o monitoramento envolveu a participação das vítimas e também de uma agente de Polícia Civil, que se passou por uma internauta.

“A policial civil marcou um encontro, porque a gente não tinha o endereço dele para poder cumprir o mandado de prisão. A gente tinha apenas os endereços da família dele, em Palhoça, mas não foi encontrado. Então, o jeito foi marcar um encontro”, destaca.

A única coisa que as vítimas tinham em comum é que eram mulheres com independência financeira e moravam sozinhas. Leandro Antônio de Sales, delegado da DFR Bom papo e busca por relacionamento sério O modus operandi do estelionatário era usar a sedução e o bom papo.

Se passando por pediatra, ele não comentava exatamente sobre a profissão, mas sobre crianças e, desse modo, envolvia as mulheres em sua trama. “Com isso, acabava desviando o foco e as vítimas acabavam caindo na conversa dele. Ele passava a visão de uma pessoa altruísta, que queria um relacionamento sério. No contato com a vítima, breve ou muitas vezes demorado, acabava subtraindo algum bem e ia embora”, afirma Sales, ao ressaltar que todos os contatos nas redes sociais eram bloqueados após o golpe.

A Polícia Civil acredita que Dirceu morava em alguma cidade da Grande Florianópolis, mas a sua área de atuação era, em geral, o Norte de Santa Catarina. Há registros da atuação do golpista em cidades do Vale do Itajaí e também do Planalto Norte, longe do seu domicílio. O delegado titular da DFR apurou que Dirceu estava sempre online e mantinha diversas conversas com muitas mulheres ao mesmo tempo, todas com boa condição financeira e sem parentes por perto.

“A única coisa que as vítimas tinham em comum é que eram mulheres com independência financeira e que, portanto, tinham uma residência em que moravam sozinhas. Com isso, a vítima poderia convidá-lo para ir neste local”, descreve. Sales afirma que uma das vítimas de Jaraguá do Sul teve cerca de R$ 6 mil de prejuízo. Em Blumenau, ele subtraiu cerca de R$ 15 mil de uma mulher.

“Mas isso varia muito. Em algumas oportunidades, foi apenas um computador, em outras, um celular. A ação dele dependia muito da oportunidade. Não tinha um padrão específico sobre o que ele levava nos golpes”, exemplifica o delegado. Sem uso de força O estelionatário nunca agia de forma violenta.

A Divisão de Furtos e Roubos apurou que ele se utilizava da conversa para deixar as vítimas vulneráveis. Desse modo, aproveitava uma distração da mulher para praticar os furtos. Não há relatos de que ele tenha forçado relação sexual ou que tenha subtraído patrimônios por violência física ou ameaça. Em depoimento, o estelionatário confirmou que teve relação com uma moça de Jaraguá do Sul, mas disse que não havia furtado o cartão da vítima.

“Negou que utilizasse o perfil de médico. Quando mostramos o perfil com a foto dele com a descrição de que era médico, disse que não foi ele que fez. Sobre as vítimas, a gente ia mostrando os perfis, mas ele nem se recorda. Foram tantos locais em que praticou os crimes que nem se recorda quem foram as vítimas”, afirma.

Sales acredita que Dirceu Galliani fez outras vítimas na cidade e diz que elas precisam denunciar, caso o reconheçam. As mulheres podem procurar a Divisão de Furtos e Roubos da Delegacia de Jaraguá do Sul no horário de funcionamento, das 12h às 19h. Lá serão feitos o registro da ocorrência e a coleta de informações de forma especializada.

“É importante que noticiem para que, se não recuperarmos os bens, ao menos conseguirmos fazer a responsabilização do agente para que ele cesse esses golpes e não faça novas vítimas”. O delegado pondera que o ambiente virtual pode ser saudável, mas há indivíduos que se aproveitam disso para realizar práticas ilícitas e as vítimas não devem se envergonhar.