A juíza da Vara de Execuções Penais da Comara de Criciúma, Dra. Débora Driwin Rieger Zanini, está de férias, mas acompanhou, mesmo de longe, toda situação envolvendo a rebelião registrada nesta sexta-feira na Penitenciária Sul.

A juíza acredita que a ação, coincidentemente, foi impulsionada devido à sua ausência e arrematou que todos os direitos são garantidos à massa carcerária.

Com propriedade no assunto - já que atua também no papel fiscalizador do sistema prisional local -, a magistrada concedeu entrevista à OCP News Criciúma.

“Fiquei bastante preocupada. Alguns detentos, familiares de detentos, muitas pessoas sabiam da minha ausência, sabiam que eu estava de férias, então, possivelmente, já sabendo de que eu não estava, fizeram essa rebelião querendo direitos que eles têm. Eles têm cobertores, quatro refeições diárias. Claro que há uma superlotação, mas nada exagerado comparado com o cenário estadual e até mesmo o cenário do país todo. Eles têm colchões e conforto mínimo”, expôs a magistrada.

Ela estima que a rebelião tenha ocorrido porque a Penitenciária Sul é muito rigorosa, de segurança máxima.

“E os presos quando vêm para a Penitenciária Sul não gostam da disciplina rígida que é imposta. Eles têm os seus direitos, mas também têm os seus deveres. E eles não gostam dessa disciplina rigorosa que é aplicada na Penitenciária Sul”, complementa.

Ela cita que um dos pedidos dos detentos era em relação a realização de mais cursos profissionalizantes.

“A penitenciária faz de tudo para ter cursos, porém nós estamos em plena pandemia de Covid-19 e não podemos colocar mais cursos por enquanto. Existe o trabalho, existem todas as garantias asseguradas por lei. Enfim, os direitos humanos são respeitados em relação a eles. Eu não entendo essa rebelião, essa reivindicação de direitos. Na verdade, eles querem forçar transferências, querem ir para lugares não tão rigorosos, porque eles não querem se submeter aos rigores da Penitenciária Sul”, ressaltou.

Dra. Débora disse que, mesmo de longe, estava tranquila com o andar da situação, pois confia muito no trabalho dos agentes penitenciários e que agradece muito ao trabalho realizado por eles, bem como da Polícia Civil, da Polícia Militar e de todo o Estado que foi envolvido para solucionar o problema.

“Felizmente os reféns foram liberados, estão todos bens, claro, traumatizados, mas passam bem. Foi uma situação horrorosa. Eu vi os vídeos que os presos fizeram, são presos da mais alta periculosidade, faccionados da alta cúpula, então são presos perigosos, reivindicando direitos que eles já têm".

A magistrada retorna ao trabalho no próximo dia 24 e terá como destino principal a Penitenciária Sul.

"Esperamos que tudo se resolva da melhor maneira possível", concluiu.