Dois anos de um dos crimes mais marcantes da crônica policial catarinense

Dois anos de um dos crimes mais marcantes da crônica policial catarinense Dois anos de um dos crimes mais marcantes da crônica policial catarinense

Segurança

Por: OCP News Jaraguá do Sul

sexta-feira, 07:14 - 02/02/2018

OCP News Jaraguá do Sul
Um dos crimes mais macabros registrados em Santa Catarina completa nesta sexta-feira dois anos. Foi no fim de tarde de uma terça-feira de verão, no dia 2 de fevereiro de 2016, que a cabeça de um adolescente foi encontrada dentro de uma mochila, no bairro Jardim Paraíso, zona Norte de Joinville. A vítima, logo depois identificada como Israel Melo Junior, o Juninho Nézo, de 16 anos, tinha sido violentamente espancada e decapitada, no bairro Ulysses Guimarães, zona Sul da cidade. Até hoje o corpo do rapaz – que teria sido jogado no mangue – não foi encontrado. Para a Polícia Civil, o crime está ligado à guerra de facções criminosas. Sete pessoas foram identificadas, indiciadas e presas pela Delegacia de Homicídios de Joinville, suspeitas do brutal assassinato. Cinco foram condenadas por um júri popular, em 9 de agosto do ano passado, pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, tortura e meio cruel, e dissimulação e emboscada. Henrique Alexandre Guimarães, Jonathan Luiz Carneiro, Leonardo Felipe Bastos, Luciano da Silva Costa e Thomas Anderson Rodrigues foram sentenciados a penas que variam entre 22 e 32 anos de prisão. Todos seguem na Penitenciária Industrial de Joinville. Os condenados negam ter matado Juninho, e até hoje não foi comprovado o papel de cada um na morte do adolescente, mas a polícia sustenta não ter dúvidas da autoria por parte dos mesmos. Outros dois acusados de participarem do homicídio contra Israel Melo Junior, Carlos Alexandre de Melo e Valter Carlos Mendes, devem ir a julgamento no dia 23 de maio. A defesa de Carlos pediu que seu cliente passasse por exames de sanidade mental. Tal procedimento deve ocorrer nas próximas semanas. Mendes, que já estava preso por roubo, fugiu da penitenciária em setembro do ano passado e seu paradeiro é desconhecido. ----- LEIA MAIS:Um dos fugitivos da Penitenciária de Joinville é acusado de decapitação do adolescente Juninho ----- Um menino alegre e extrovertido Em 2016, a repórter Adrieli Evarini, que atuava no extinto ND Joinville, conversou com exclusividade com a mãe de Juninho, Rita de Kássia. A mulher, que trabalhava como empregada doméstica, ainda estava muito aflita com a perda precoce. Ela lembra de Juninho como um filho sapeca e brincalhão. Aos 14 anos, o menino havia saído da casa da mãe, no bairro Aventureiro, para morar sozinho no Jardim Paraíso. O motivo da independência precoce era o mau relacionamento que o adolescente tinha com o padrasto. “Ele e o padrasto não se acertavam e ele quis sair de casa. Era uma escolha dele e eu o apoiei. Foi aí que ele passou a morar no Jardim Paraíso”, contou Rita de Kássia à repórter. A mãe informou que era ela quem pagava o aluguel da quitinete em que o filho morava e que o visitava com frequência. Mas, vivendo sozinho, o adolescente conheceu novas pessoas, fez novas amizades e abandonou a escola. Rita dizia, na ocasião, desconhecer qualquer suposto envolvimento do filho com o mundo das drogas ou de organizações criminosas. Da emboscada à morte precoce De fácil amizade, o adolescente vaidoso gostava de postar vídeos e fotos nas redes sociais. Dias antes de morrer Juninho Nézo teria gravado um vídeo com amigos. As imagens divulgadas seriam uma provocação à facção PGC (Primeiro Grupo Catarinense). Poucas semanas depois da divulgação deste vídeo, feito em uma festa, o adolescente foi atraído para a morte. Segundo a investigação, Juninho recebeu por celular uma mensagem com um convite para uma festa no bairro Ulysses Guimarães. Ele aceitou o convite, mas chegando ao local combinado percebeu que não havia festa alguma. Ao contrário, duas pessoas próximas a ele haviam sido sequestradas - as identidades das mesmas nunca foram reveladas - e foram usadas para atraí-lo para uma armadilha. As últimas horas de vida do garoto foram marcadas por pavor e muita dor, segundo a polícia. Ele foi torturado, assassinado e decapitado. Como se não bastasse tamanha crueldade, a barbárie foi gravada e divulgada nas redes sociais. O filme de horror teve direito à edição e trilha sonora. LEIA TAMBÉM:Penas de cinco acusados de decapitação de adolescente somam 138 anos
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