Na véspera do Dia Mundial de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o Ministério Extraordinário da Segurança Pública (MESP) deflagrou a operação Luz na Infância 2.

Nesta quinta-feira (17), quatro equipes compostas por 26 agentes da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Jaraguá do Sul, comandada pelo delegado Daniel Dias, da Diretoria Estadual de Investigação Criminal (Deic) e do Instituto Geral de Perícias (IGP) cumpriram quatro mandados de busca e apreensão na cidade.

Em uma das residências, os policiais civis da DIC prenderam um homem de 30 anos em flagrante.

De acordo com o delegado titular da DIC, os endereços foram obtidos através de informações repassadas pelo FBI – a polícia federal americana. Com a coordenação da Deic, os agentes da Polícia Civil e do IGP visitaram os endereços.

“Todas as diligências contaram com um perito especialista em crimes de informática. Ele já faz uma busca preliminar por conteúdos de pornografia infantil. Neste local, foi encontrado imediatamente esse tipo de material. A lei diz que armazenar esse tipo de material é crime. Por isso, fizemos a prisão em flagrante do indivíduo”, conta Dias.

O suspeito preso agia pela internet, através de grupos em sites, aplicativos e redes sociais. Com essas ferramentas, o preso e outros pedófilos realizavam a troca de material pornográfico infantil. Segundo o delegado, o homem preso em Jaraguá do Sul não produzia o material.

“É muito extenso e bizarro. Eles compartilham esses arquivos de imagem de pornografia infantil. São homens que têm algum distúrbio na área mental sexual, que têm algum prazer mórbido em compartilhar esse tipo de material com outras pessoas”, destaca.

Dias conta que o homem preso trabalha em uma grande empresa da região e ocupava um cargo na área da engenharia de computação.

“Ele tem uma vida estável, uma namorada... Enfim, uma vida sob qualquer suspeita. Se você conhecer o cara, você jamais saberia que ele é um pedófilo. É uma pessoa aparentemente normal. Não existe um perfil muito rígido quanto a esse crime. Há desde jovens a idosos”, explica.

Um outro suspeito fugiu enquanto agentes da Deic faziam uma das diligências. No computador do homem, o técnico do Instituto Geral de Perícias descobriu material relacionado à pornografia infantil. O delegado da Deic deve fazer o pedido de prisão à Justiça. Não foram encontrados indícios do crime nos outros dois endereços visitados pelos policiais civis.

Trezes prisões em SC

A operação Luz na infância 2 cumpriu 35 mandados de busca e apreensão ações em outros 14 municípios do Estado, Garuva, São Bento do Sul, Brusque, Blumenau, Balneário Camboriú, Camboriú, Itajaí, Tijucas, Lages, Florianópolis, São José, Palhoça, Jaguaruna e Criciúma.

Ao todo, 13 pessoas foram presas e um adolescente de 17 anos foi apreendido durante as diligências. Também foram recolhidos notebooks, HDs e celulares.

Em Santa Catarina, a operação foi coordenada pela Divisão de Repressão a Crimes na Internet da Deic. Participaram das ações 183 agentes de segurança pública, sendo 140 policiais civis e 43 peritos do IGP.

De acordo com o diretor da Deic, delegado Anselmo Cruz, as pessoas presas na manhã desta quinta-feira tinham em sua posse imagens (fotos, vídeos, animações) com conteúdo identificado como pornografia infanto-juvenil, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“Estes 13 presos não tinham como negar que as imagens lhes pertenciam, mas, após a conclusão da análise que os peritos do IGP fizerem nos equipamentos apreendidos, outras pessoas poderão ser indiciadas”, observou o delegado.

O titular da Divisão de Repressão a Crimes de Internet, o delegado Luiz Felipe Rosado disse que há quatro meses estava trabalhando na identificação de suspeitos e levantando indícios para embasar os pedidos de busca e apreensão nas residências junto ao Poder Judiciário.

“É um trabalho delicado, porque o trânsito desse material pornográfico infanto-juvenil se dá entre as pessoas, que trocam arquivos. Também há pessoas que produzem e comercializam filmes com pornografia infantil”, observou Rosado.

Os peritos do IGP utilizaram um software forense que consegue varrer o equipamento que, em 20 minutos, em média, localiza os arquivos que podem ter conteúdo pornográfico. Todo material apreendido será periciado. A perícia que pode determinar se outras pessoas serão indiciadas.