frigo As expressões de nojo e indignação que tomam conta das redes sociais em relação aos alvos da Operação Carne Fraca, desencadeada na sexta-feira pela Polícia Federal, já tinham sido antecipadas em Jaraguá do Sul por vizinhos do local onde está instalada a filial da Peccin Agro Industrial Ltda, no bairro Santa Luzia. Em janeiro desse ano, o jornal O Correio do Povo produziu uma reportagem sobre reclamações dos moradores e comerciantes do bairro  em relação ao mau cheiro que vinha da área onde o frigorífico instalado há cerca de um ano. O estabelecimento foi um dos alvos da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que pretende desarticular uma organização criminosa que atuaria no âmbito do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a partir da Superintendência Federal da Agricultura no Paraná (SFA) para produzir alimentos adulterados, com uso de carnes podres com ácido ascórbico para disfarçar o gosto e comercializar produtos vencidos. carne No local, um dos sócios da empresa com sede em Curitiba, no Paraná, Normélio Peccin Filho, foi preso preventivamente e encaminhado ao Presídio Regional de Joinville, onde deve permanecer até a próxima semana. Grandes nomes do setor, como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e a JBS, que detém Friboi, Seara e outras marcas conhecidas nacionalmente, também estão entre as investigadas pela ação conjunta entre Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal. Segundo a comunidade do Santa Luzia já havia observado em relação às atividades do frigorífico, detritos eram depositados em lagoas nos fundos do terreno. O incômodo era diário e fazia com que os moradores fechassem suas casas, principalmente nos dias de calor. A situação havia sido repassada à Fujama (Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente) que, na época, declarou ter determinado que a empresa interrompesse o uso das lagoas até que fossem executadas adequações. A assessoria da empresa chegou a garantir que providenciaria melhorias. Na sexta, ninguém da empresa quis se manifestar. dialogo Confira abaixo o diálogo gravado com autorização judicial entre um dos sócios da Peccin, Idair Peccin, e sua mulher, Nair, e que confirma as irregularidades de suas ações: IDAIR PECCIN: Você ligou? NAIR PECCIN: Eu? Sim eu liguei. Sabe aquele de cima lá, de Xanxerê? IDAIR: É. NAIR: Ele quer te mandar 2 mil quilos de carne de cabeça. Conhece carne de cabeça? IDAIR: É de cabeça de porco, sei o que que é. E daí? NAIR: Ele vendia a 5, mas daí ele deixa a 4,80 para você conhecer, para fechar carga. IDAIR: Tá bom, mas vamos usar no quê? NAIR: Não sei. IDAIR: Aí que vem a pergunta, né? Vamos usar na calabresa, mas aí, é massa fina, é? A calabresa já está saturada de massa fina, é pura massa fina. NAIR: Tá. IDAIR: Vamos botar no quê? NAIR: Não vamos pegar, então? IDAIR: Ah, manda vir 2 mil quilos e botamos na linguiça ali, frescal, moída fina. NAIR: Na linguiça? IDAIR: Mas é proibido usar carne de cabeça na linguiça... NAIR: Tá, seria só 2 mil quilos para fechar a carga. Depois da outra vez dá para pegar um pouco de toucinho, mas, por enquanto, ainda tem toucinho (ininteligível). IDAIR: O toucinho, primeira coisa, tem de ver que tipo de toucinho que ele tem. NAIR: Sim. IDAIR: É, manda ele botar, vai descarregar aonde? NAIR: Cem quilos de toucinho para ver que tipo de toucinho é o dele. IDAIR: Vai descarregar aonde isso? NAIR: Em Jaraguá. IDAIR: Manda botar. (...) NAIR: E dessa vez pego os 2 mil quilos de cabeça então? IDAIR: É, pega. Nós vamos fazer o quê? Só que na verdade usar no quê? Vai ter de enfiar um pouco em linguiça ali. NAIR: Em Jaraguá tem mil quilos de sangria, essa serve para quê? IDAIR: Para calabresa. NAIR: Só para calabresa? Tá, tá bom, tá. IDAIR: Tchau.