Os expedicinários que saíram do Vale do Itapocu para lutar na Segunda Guerra Mundial foram lembrados no último sábado (5), em uma homenagem especial na Praça do Expedicionário, no Centro, em Jaraguá do Sul. O evento foi organizado pela Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira (ANVFEB), Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer e Museu da Paz e contou com a presença da Banda do 62° Batalhão de Infantaria de Joinville. Um dos momentos de maior emoção foi o relato do “pracinha” Sebastião Nunes, que participou da cerimônia, ao lado do jaraguaense Walter Hertel. “Fomos em 25 mil brasileiros à Itália. Cerca de 500 de nós, infelizmente, não voltaram para casa. Mas o resultado da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na guerra foi vitorioso, pois foi o nosso destacamento o escolhido para a rendição das tropas inimigas, em abril (de 1945)”, relatou Nunes. Antes dos relatos e discursos, porém, foi executado o tradicional “Toque do Silêncio” e foi depositada uma coroa de flores, em homenagem aos cinco combatentes da cidade que morreram em combate – os expedicionários Antônio Carlos Ferreira, Arthur Scheibel, Gumercindo da Silva, Hary Hadlich e João Zapella. Ao longo da cerimônia, o nome de cada um dos expedicionários foi dito por seus familiares. O tenente-coronel Reinaldo Calderaro, comandante do 62º Batalhão de Infantaria do Exército, de Joinville, parabenizou a Prefeitura e à ANVFEB pela organização da homenagem. Em sua primeira visita à Jaraguá do Sul, o militar ressaltou a importância de homenagens aos “pracinhas” e seus familiares. “Precisamos lembrar a sociedade que diversos homens pagaram um preço caro por seus ideais. Aos ex-combatentes, devemos nosso respeito e orgulho, de exemplo à tantos jovens, de que vale ‘combater o bom combate’”, afirmou Calderaro. Representando a Polícia Militar, o tenente-coronel Gildo Martins de Andrade Filho, comandante do 14º Batalhão, destacou que a homenagem reconhece “o exemplo de fazer o bem” dado pelos “pracinhas”, demonstrando a força do povo brasileiro e do Vale do Itapocu nas terras italianas. O secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Augustinho Ferrari, lembrou que a homenagem – que lembrava a rendição das tropas italianas e alemãs, em 8 de abril de 1945 – era feita em outra data igualmente importante – dia 5 de maio, o Dia do Expedicionário. Finalizando a cerimônia, o prefeito Antídio Lunelli reiterou o orgulho que sentiu ao longo do evento, ao ouvir o relato do expedicionário Sebastião Nunes e os discursos militares. “Quero prestar minha homenagem a todos estes homens, que estiveram em outras terras, representando o nosso país. Parabéns, senhores! Vocês merecem nosso respeito e consideração!”, completou Lunelli. A data na história A data de 8 de maio de 1945 ficou marcada na história como o dia em que as Nações Aliadas venceram Hitler e Mussolini em suas tentativas de impor o regime nazifascista ao restante do mundo. O Brasil, inicialmente neutro no conflito, que ocorreu de 1939 a 1945, teve que se posicionar devido a fatores externos que forçaram sua entrada na 2ª Guerra Mundial. Para tanto, criou-se a Força Expedicionária Brasileira – FEB, com 25.334 militares que, entre setembro de 1944 e maio de 1945, lutaram na Itália, ao lado dos aliados (França, Inglaterra, EUA e União Soviética). Ao se prepararem para a guerra, no ano de 1943, as Unidades Militares existentes próximas de Jaraguá do Sul (Joinville, Itajaí, Blumenau e Curitiba) selecionaram e concentraram os soldados para, em seguida, enviá-los à Vila Militar do Rio de Janeiro. De Jaraguá do Sul e cidades próximas foram aproximadamente 100 os militares que se juntaram ao contingente da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE), onde receberam um rápido treinamento. Dali, partiram em cinco escalões de embarque com destino à Itália, acomodados em navios norte-americanos, entre 2 de julho de 1944 e 8 de fevereiro de 1945.