Uma atitude classificada como "meio deselegante" da professora de língua portuguesa e literatura, Marcia Friggi, de 52 anos, teria sido o estopim para o ataque a tapas e socos que ela sofreu na manhã de segunda-feira (21), no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) de Indaial, no Vale do Itajaí, interior de Santa Catarina, ao acompanhar um aluno de 15 anos até a diretoria por mau comportamento. Pelo menos foi esta a explicação que o aluno deu em depoimento ao delegado de Polícia Civil de Indaial, José Klock, para justificar a agressão à professora, que resultou em dores generalizadas pelo corpo, o rosto deformado pelas agressões e um corte no supercílio que precisou ser fechado com pontos. O adolescente, que já frequentava o Ceja por não conseguir acompanhar a escola e tinha conhecido histórico de violência, segundo a própria polícia apurou, compareceu à delegacia na tarde de quarta-feira, com a mãe e um advogado. Segundo o delegado, ele teria declarado estar arrependido do ato e confirmou a versão da professora, de que a discussão começou por causa do livro que ele segurava embaixo da carteira. Segundo Klock, o agressor disse que se sentiu "injuriado" pela advertência que levou da professora, dizendo que ela teria sido meio deselegante com ele, o que fez com que perdesse a cabeça. Nesta quinta-feira (24), Klock deve ouvir mais algumas testemunhas. Diante da enorme repercussão que o caso teve, o delegado informou que espera concluir até esta sexta-feira (25) o auto de apuração de ato infracional contra o menor. O caso deve ser encaminhado à Promotoria da Infância e da Juventude de Indaial. LEIA MAIS:Agredida por aluno de 15 anos, professora avisa que o ódio não vai lhe calar Deputados catarinenses aprovam moção de apoio à professora A enorme comoção que o caso envolvendo a professora Marcia Friggi ganhou Brasil afora resultou na aprovação, na Assembleia Legislativa do Estado (Alesc), de uma moção de apoio à professora. “Acredito que o problema é complexo e precisa de seriedade. Em 2015, uma pesquisa em São Paulo verificou que 44% dos professores já sofreram algum tipo de agressão”, declarou a deputada estadual Luciane Carminatti (PT). Além disso, a deputada destacou que pesquisa da OCDE concluiu que entre 34 países, o Brasil é o país que apresenta o maior índice de violência contra os mestres. “12,5% foram vítimas de intimidação e agressão verbal por seus alunos”, relatou Carminatti. A deputada lamentou que muitos justifiquem a agressão, e até a atribuam ao fato de a professora simpatizar com a ideais esquerdistas. Fato político que está distante do perfil do aluno, que agiu com brutalidade porque traz em seu histórico um perfil violento e de desrespeito ao seu semelhante, conforme relatos de testemunhas. “Tenho amigos de direita, mas nunca desejei a morte e a violência. Quero viver em um país que haja respeito nas escolas e em todos os espaços às divergências de opinião”, argumentou Carminatti. Delegado de polícia, Maurício Eskudlark (PR) concordou com Carminatti. “Um fato gravíssimo. O professor tem de ser respeitado, mas isso é reflexo de algo muito grave e que não tem se dado a devida importância, os assassinatos de policiais. Quem representa o Estado tem de ter proteção. Infelizmente, vemos o assassinato de agentes de segurança como algo natural. Uma sociedade que não protege o professor e o policial vai para o caos”, previu Eskudlark. A vereadora de Indaial, Aurora Coelho (PT), também apresentou moção de solidariedade à professora Marcia Friggi. Ela falou da importância do professor para a comunidade e destacou que atos como esse não podem se tornar algo comum. LEIA MAIS: - Presidente da Fiesc repudia violência e defende papel dos pais como protagonistas na educação dos filhosPatricia Moraes | A era do ódio: quando a agredida vira alvo de xingamentos