Reportagem de Cláudio Costa para o jornal O Correio do Povo. As matérias veiculadas pela imprensa geram a impressão de que há um aumento da criminalidade em Jaraguá do Sul. Pensando nisso, o Jornal O Correio do Povo foi atrás dos números do crime na cidade, mais precisamente os de furtos, roubos e homicídios. Mas, ao contrário do que a maior parte das pessoas pensam, os índices vêm caindo na cidade. O registro de furtos, o crime mais praticado em Jaraguá do Sul, diminuiu nos últimos quatro anos. Em 2012, foram contabilizados 1547 furtos contra 1287 casos em 2016. Ou seja, uma queda de 16,81%. Em 2015, o número de furtos foi um pouco inferior a 2016. Foram registrados quatro casos a menos naquele ano. O roubo, outro tipo de crime contra o patrimônio, também caminha na decrescente. Apesar de a cidade ter registrado um pico de 170 casos em 2014, o número de crimes deste tipo caiu para 88 em 2016. Em 2015, 123 roubos aconteceram na cidade. A queda é de 28,46% em apenas um ano. Gráfico O titular da 15ª Delegacia Regional, Adriano Spolaor, avalia como positiva a diminuição desses crimes nos últimos anos. “Com o agravamento da crise econômica e desemprego, a tendência é que houvesse um aumento da crise no setor de segurança pública. Mas, nós estamos na contramão. A tendência com relação aos furtos e aos roubos é diminuir mais ainda”, conta Spolaor. No fim de 2016, o delegado regional criou uma divisão de furtos e roubos na Delegacia da Comarca de Jaraguá do Sul. Um delegado, um escrivão e cinco agentes ficam responsáveis por investigar os delitos desta natureza na cidade. Segundo Spolaor, é a mesma estrutura de pessoal da DIC (Divisão de Investigação Criminal), que investiga crimes como homicídio e tráfico de drogas. Com isso, a tendência, segundo Spolaor, é de que os casos de furtos e roubos caiam. “Agora, há uma divisão específica, uma das únicas no Estado que investiga esse tipo de crime”. Números são baixos para uma cidade do tamanho de Jaraguá O delegado regional aponta outro fator importante para a queda dos índices de furtos na cidade: os esforços das polícias Civil e Militar contra o tráfico de drogas. “A DIC foi criada em 2012. Nesse período, houve um aumento na investigação dos crimes de tráfico de drogas e um número expressivo de prisões. Isso também pode ter contribuído para a diminuição desses números”, avalia Spolaor. Os usuários de drogas são responsáveis pela maior parte dos furtos na cidade. De acordo com o delegado regional, esse é o típico perfil desse tipo de delinquente. Geralmente, esses indivíduos não são perigosos. Também há aqueles ladrões que aproveitam da ocasião. Com relação aos roubos, a situação muda. Há a atuação de quadrilhas especializadas na cidade, vindas principalmente do Paraná e Joinville. “Eu quero dizer que esses números são absolutamente baixos para uma cidade do tamanho de Jaraguá do Sul. Os índices de criminalidade estão entre os menores do Estado. A população pode ficar tranquila. A criminalidade está controlada”, enfatiza o delegado regional. Para ele, fatores sociais, econômicos e culturais da cidade fazem com que os delitos contra o patrimônio tenham números baixos. “Lugar sem criminalidade não existe. Se você for morar na Noruega ou na Suíça, vai ter crime”, finaliza. Homicídios abaixo da média Em 2016, aconteceram seis homicídios em Jaraguá do Sul, contra apenas um em 2015, que foi considerado um ano atípico. Em 2012, 17 homicídios foram contabilizados e, em 2014, 13. “A média nacional é de 25 homicídios para cada 100 mil habitantes por ano. A cidade está com quase 170 mil habitantes. Mesmo que tivéssemos 30 homicídios, estaríamos na média nacional”, contextualiza Spolaor. O delegado acredita que o baixo índice de crimes violentos, como os assaltos, faz com que a média de assassinatos também caia.