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Crime que chocou Jaraguá do Sul: o detalhe que entregou autora de homicídio na Via Verde e levou à prisão

Mulher mostra onde atirou o celular da vítima | Foto: Polícia Civil

Por: Gabriel JR

17/06/2026 - 17:06 - Atualizada em: 17/06/2026 - 17:38

A prisão da mulher de 60 anos, suspeita de matar o empresário Dirson Cardoso, de 58 anos, revelou novos detalhes da investigação conduzida pela Delegacia de Investigações Criminais (DIC) de Jaraguá do Sul. Imagens de monitoramento, a identificação de um veículo que passou pelo local e informações prestadas durante o depoimento foram fundamentais para que a Polícia Civil esclarecesse o caso em menos de 48 horas.

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de a mulher ter sido flagrada trocando de roupa nas proximidades da Via Verde. Na sequência, ela entrou em um automóvel que acabou sendo identificado pelos policiais e se tornou uma das principais pistas para chegar até a autora.

Além da relação conturbada relatada pela suspeita, a investigação apurou que ela alegou estar sendo ameaçada pela vítima. Conforme as informações levantadas pela Polícia Civil, o homem teria afirmado que revelaria o relacionamento para familiares da mulher.

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A suspeita também afirmou que, quando iniciou o relacionamento com Dirson Cardoso, acreditava que ele não era casado. Depois, teria descoberto que a vítima mantinha um casamento, circunstância que teria contribuído para os conflitos entre os dois ao longo dos anos.

Outro detalhe apurado é que o encontro que antecedeu o crime não teria sido inicialmente marcado para a Via Verde. Os dois pretendiam se encontrar na região do Krause, em Águas Claras, mas acabaram seguindo para o fim da Via Verde por encontrarem melhores condições para estacionar o veículo.

Segundo a investigação, após o homicídio a mulher entrou em um automóvel posteriormente identificado como pertencente ao filho dela. O rastreamento desse veículo auxiliou os policiais na identificação da suspeita.

A Polícia Civil também apurou que as roupas utilizadas no dia do crime foram lavadas. Outro elemento identificado pelos investigadores foi que o celular da vítima foi retirado do local após o homicídio e jogado no rio.

A arma utilizada era um revólver calibre 38 registrado em nome do ex-marido da suspeita. Conforme a Polícia Civil, o proprietário possuía a documentação regular da arma e, até o momento, não há indícios de participação dele no assassinato.

Identificação da suspeita

De acordo com o delegado Caléu Mello, a identificação ocorreu após os investigadores analisarem imagens de monitoramento e reunirem informações sobre a rotina da vítima.

“Após o crime, os investigadores da DIC passaram a colher imagens e informações com familiares para entender a circunstância em que a vítima vivia. Dali foram encontrando pessoas suspeitas”, explicou.

Uma das imagens consideradas decisivas mostrou a mulher logo após o homicídio.

“A imagem da senhora foi identificada logo após o crime, em atitude estranha, trocando de roupa ali na Via Verde mesmo, tirando uma roupa branca e escondendo na bolsa. Em seguida, um automóvel a busca e, a partir daí, os policiais conseguiram identificar essa pessoa”, relatou o delegado.

Após ser localizada, a mulher confessou o crime e apresentou detalhes sobre a motivação e a execução do homicídio.

“Ela confessou de pronto, de forma bem tranquila, inclusive circunstanciada com detalhes”, disse Caléu Mello.

Segundo a suspeita, ela mantinha um relacionamento com Dirson Cardoso há aproximadamente 20 anos.

“Ela confessou que mantinha uma relação de cerca de 20 anos com a vítima. Nas palavras dela, em função de muitos desentendimentos e de uma relação conturbada, decidiu colocar um fim nisso”, afirmou o delegado.

A investigação aponta que a mulher marcou um encontro com a vítima e utilizou a confiança que possuía com o homem para executar o plano.

“Ela teria dissimulado a sua intenção para ele. Marcou um encontro, pegou a arma do ex-marido, um revólver legalizado, simulou um encontro com intenções a mais, tanto que o banco estava um pouco reclinado, e se aproveitou desta confiança que ele mantinha nela para disparar duas vezes”, detalhou.

Os dois disparos atingiram a vítima dentro do veículo.

“É uma arma legalizada. O ex-marido não tem nada a ver com o fato, ao que tudo indica”, ressaltou o delegado.

Ainda conforme o depoimento, a mulher afirmou ter cometido o homicídio para encerrar os conflitos que, segundo ela, se arrastavam há mais de duas décadas.

A suspeita foi presa e autuada pelo crime de homicídio. A Polícia Civil também representou pela prisão preventiva da mulher, que deverá passar por audiência de custódia.

“Ela já foi autuada em flagrante pelo homicídio, foi representada pela prisão preventiva e será submetida à audiência de custódia. Na sequência, o Ministério Público e o Poder Judiciário vão avaliar se ela permanece presa ou responde em liberdade”, explicou.

Segundo o delegado, a investigada não possui antecedentes criminais.

Homem foi encontrado morto com marcas de tiro dentro de um automóvel | Foto: Divulgação

Relembre o caso

Dirson Cardoso foi encontrado morto na tarde de segunda-feira (15), dentro de um Fiat Fastback estacionado na parte nova da Via Verde, no bairro Ilha da Figueira.

A vítima estava no banco do motorista e apresentava ferimentos causados por disparos de arma de fogo na região do pescoço.

A arma utilizada no crime e o celular de Dirson não foram encontrados no local. Segundo a mulher, o celular da vítima foi jogado no rio.

Conhecido em Jaraguá do Sul por ser proprietário de um bar, Dirson teve o corpo recolhido pela Polícia Científica após a realização da perícia. A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica.

Com a confissão da suspeita e a conclusão das principais diligências, a Polícia Civil considera o caso esclarecido.

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Gabriel JR

Repórter e radialista com 15 anos de experiência na área de comunicação