Com 35 anos de carreira na Polícia Militar, o comandante da recém-criada 12ª Região de Polícia Militar, o coronel Amarildo de Assis Alves, está “feliz por voltar para casa”. Com a certeza de que conhece de perto o 14º e o 23º batalhões de Polícia Militar, sediados em Jaraguá do Sul e São Bento do Sul, respectivamente, Alves revela quais são os seus planos para o policiamento ostensivo nos oito municípios que estarão sob seu comando. O coronel, que começou a carreira em Florianópolis, adotou Jaraguá do Sul como lar e traz para a cidade toda a experiência de quem já comandou a 3ª (Balneário Camboriú) e a 5ª (Joinville) regiões de Polícia Militar. Quais sãos os primeiros planos para a 12ª Região de Polícia Militar? Os planos são os mesmos: continuar trabalhando, pois já venho fazendo isso na 5ª Região. É uma função diferente dos batalhões. No batalhão, a função do comandante é operacional. Na região, a visão é um pouco mais estratégica. A ideia é tentar conseguir meios e alternativas para a execução do policiamento. Nós temos que nos firmar em Jaraguá do Sul, procurar uma sede e formar um ponto de referência para que a 12ª Região se torne realmente instalada. Também é preciso dar prosseguimento ao trabalho nos dois batalhões: no 23º, na região São Bento do Sul, e no 14º, na região de Jaraguá do Sul. São dois batalhões de excelência, que têm muitos parceiros e que dão resultados extremamente positivos. O senhor comandou duas regiões de Polícia Militar no Estado. Qual a experiência que você traz para o comando da 12ª RPM? Eu digo que a melhor escola é a vida. Eu já tenho 35 anos de contribuição à Polícia Militar e a vida já me ensinou muita coisa. Eu já trabalhei em Jaraguá do Sul e São Bento do Sul. No comando da região de Balneário Camboriú, embora por pouco tempo, eu já comandei uma Operação Veraneio, quando a população chega a ter mais de 1 milhão de pessoas. Trago na bagagem experiência e conhecimento. Certamente, com a população de Jaraguá do Sul, vai ser muito mais fácil aplicarmos algumas melhorias no sentido de prestação de serviço. Como eu já resido em Jaraguá, vou continuar lutando pela comunidade a qual a minha família integra. Morar em uma cidade como Jaraguá do Sul é um privilégio. Jaraguá do Sul tem uma situação privilegiada na segurança pública, mas o trânsito é um desafio. A receita para diminuir o número de mortes na região é mais fiscalização? Eu acho que, primeiramente, passa por uma questão educativa. Nós não temos como fazer prevenção com motoristas que já tenham o vício de dirigir de forma imprudente. É preciso educar. No caso dos motoristas que insistem em dirigir perigosamente, cabe fazer a fiscalização, realmente. Mas a fiscalização vai se tornar mais rígida. Agora, temos a regulamentação do pátio e do guincho em Jaraguá do Sul. Nos faltava essa ferramenta. A fiscalização vai além da questão do trânsito e reflete na área criminal. No trânsito, passam marginais, armas e drogas. Então, é um contexto de segurança. A cidade tem que ser bem patrulhada, mas não apenas com a presença física dos policiais militares. Hoje, nós temos os OCRs (equipamentos de leitura ótica de placas de veículos, sigla em inglês), que faz uma leitura muito rápida dos veículos com irregularidades, falsas placas, automóveis com mandados de busca e apreensão. Então, temos sistemas que vão auxiliar na fiscalização e também nos beneficiar. Mas a parte preventiva é necessária. Em Joinville, temos um projeto que eu quero trazer para cá. Os policiais vão para as escolas e dão aulas de educação no trânsito. As crianças servem como agentes de transformação, pois cobram dos pais as atitudes que aprendem na escola. A guerra entre facções é um problema que está cada vez mais presente no Estado e em menor cota em Jaraguá do Sul. Como o senhor enxerga essa situação? No Estado, é um problema crônico. São bandidos que vieram de outros Estados, principalmente São Paulo, para disputar os pontos de droga com os traficantes daqui. Para eles, importa apenas o poder que a venda de drogas dá. Infelizmente, nós temos regiões como Joinville, Florianópolis e Itajaí, onde essas facções estão instaladas. Graças a Deus, Jaraguá do Sul e São Bento do Sul são regiões que estão mais afastadas desse problema. A ideia é intensificar a inteligência, a fiscalização e a integração com o trabalho da Polícia Civil, fazer o trabalho de investigação de uma forma unificada, com equipamentos e meios necessários. Também precisamos conquistar a credibilidade e o apoio do Ministério Público e do Judiciário. Assinatura ocorreu no último sábado Após a polêmica da reprovação da criação da 12ª Região de Polícia Militar feita pelo Grupo Gestor de Governo, órgão que dá aval para os gastos do governo do Estado, o secretário de Segurança Pública, César Augusto Grubba, anunciou a divisão da 5ª Região de Polícia Militar no sábado (25). A notícia foi dada durante a vinda do governador Raimundo Colombo para Jaraguá do Sul, para a cerimônia de inauguração da revitalização da SC-110. O evento contou com a presença de políticos e, principalmente, oficiais do comando da PM na região e no Estado. Grubba avalia que o acesso do comando dois batalhões que passam a integrar a 12ª RPM ao Comando-geral da Polícia Militar ficam facilitado. “A criação da 12ª Região de Polícia Militar vai facilitar o fluxo dos processos. O comandante da região, no caso o coronel Amarildo, tem acesso direto ao comandante-geral em Florianópolis. Além disso, ele tem assento direto na tomada de decisões para o policiamento da região que o seu comando abrange”, assegura o secretário de Segurança Pública. O anúncio foi feito sem antecipação e foi recebido com alívio e alegria pelos presentes na cerimônia realizada no pórtico localizado no bairro Rio Cerro 2. O governador Raimundo Colombo salientou a importância da descentralização do comando no Norte de Santa Catarina. “A 12ª Região de Polícia Militar vai dar mais autonomia e uma condição melhor de trabalho, vai fortalecer a atuação da PM nessas cidades. Com a saída dos batalhões instalados em Jaraguá do Sul e São Bento Sul da 5ª Região de Polícia Militar, Joinville vai ter uma área menor e vai poder concentrar o trabalho naquela região. Ganham Jaraguá do Sul e Joinville”, destaca o governador.