Jaraguá do Sul registrou sete homicídios em 2017, um a mais do que em 2016 e cinco a mais que em 2015. Apesar deste aumento em torno de 17% em relação ao ano passado, o delegado regional, Adriano Spolaor, considera o número bastante positivo para a segurança pública na cidade. “O número de homicídios é muito baixo comparado com outros municípios de mesmo tamanho na federação. A média nacional é de 25 homicídios para cada 100 mil habitantes e Jaraguá do Sul, com 170 mil habitantes, ficou muito abaixo desse índice”, comenta Spolaor. Dos sete assassinatos, apenas um deles ainda não foi solucionado. O delegado titular da Divisão de Investigação Criminal (DIC), Daniel Dias, confirma que dos quatro assassinatos investigados pela divisão pela qual ele responde em 2017, continua sem solução o homicídio ocorrido na madrugada de 28 de junho. Operário de uma empresa do ramo têxtil, Paulo Frederico Horongoso, 34 anos, foi morto a tiros entre os bairros Baependi e Vila Lalau, nas proximidades da linha do trem, quando chegava ao trabalho. Ele já havia sido vítima de uma tentativa de homicídio no dia 28 de fevereiro, o que leva a polícia a crer que se tratou de um crime premeditado.
Daniel Dias, delegado titular da Divisão de Investigação Criminal (DIC) | Foto Arquivo OCP
“Estamos aguardando novas informações. Todas as possibilidades já foram verificadas. O perfil da vítima é bastante difícil. Ele tinha problemas com muita gente e em muitas áreas. Tudo o que a gente podia fazer num primeiro momento já foi feito. Nós estamos trabalhando com colaboradores, com amigos dele que trabalhavam e sabiam de algumas coisas para ver se a gente abre alguma possibilidade. É um dos casos mais difíceis e complexos que eu vi nos últimos tempos”, explica o delegado da DIC. Pelo menos quatro homicídios foram motivados pelo tráfico de drogas, mas no caso de Horongoso, embora tenha sido encontrada pequena quantidade de droga com ele, a Polícia não sabe se o assassinato teve alguma relação com drogas. RECORDE DE PRISÕES POR TRÁFICO  O delegado regional Adriano Spolaor entende que o enfrentamento ao crime está sendo feito na cidade. “A Divisão de Investigação Criminal teve um ano muito positivo em 2017. A equipe bateu o recorde de prisões por tráfico de drogas. A Divisão de Furtos e Roubos completou um ano. Poucas cidades do Estado têm uma estrutura dessas. Foram prisões importantes feitas pelo delegado Eric (Uratani). Além do menor índice de homicídios, também temos o menor índice de roubos”, observa.
Delegado regional Adriano Spolaor entende que o enfrentamento ao crime está sendo feito na cidade | Foto Arquivo OCP
O delegado Dias confirma que 2017 foi realmente um ótimo ano para a divisão que investiga os casos de tráfico de drogas. Segundo ele, o número de prisões em flagrante superou os anos anteriores. Ao todo, foram 21 ações de prisões em flagrante até o dia 25 de dezembro, com 26 presos. Dias revela que a DIC havia feito 18 prisões em flagrante nos últimos três anos. O número exclui as prisões com mandado. “Com a mudança do delegado regional, a nossa equipe ficou muito motivada. O Adriano Spolaor me colocou na divisão e deu o apoio, o respaldo que a gente precisava. Isso fez com que os nossos números subissem muito”, conta. Dois dos sete assassinatos tiveram como motivação o fato de a vítima ser mulher, ou seja, são classificados como feminicídios. A delegada titular da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), Milena de Fátima Rosa, considera que em um universo de sete mortes, dois casos de feminicídios é considerável. Milena orienta às mulheres sobre a importância de registrar casos de violência doméstica. “É preciso registrar boletins de ocorrência nos casos de violência doméstica e dar continuidade neles para que não chegue numa situação complicada como essa”, afirma, ao ressaltar que as medidas protetivas são outra ferramenta no combate aos feminicídios. OS HOMICÍDIOS DE 2017 ATÉ O DIA 28 DE DEZEMBROGilberto Pasch, 47 anos, foi a primeira vítima de homicídio de 2017. O crime ocorreu na rua Manoel Francisco da Costa, no bairro João Pessoa. A Polícia Militar foi chamada para atender a ocorrência no início da madrugada do 9 de janeiro. Após uma briga entre vizinhos, Gilberto entrou na casa de Josué Bernardo Sacht, 30, com um machado. Durante luta corporal, Josué Marino Sacht, 59, matou o homem a tiros de espingarda calibre 32. Uma reconstituição foi feita no dia 14 de agosto e o caso é tratado como legítima defesa.
Polícia Civil, IGP e Ministério Público reconstituem homicídio no bairro João Pessoa | Foto Cláudio Costa/Arquivo OCP
• Mãe de duas filhas, Roseli Aparecida dos Santos Machado foi vítima do segundo caso de 2017. O feminicídio ocorreu em uma casa na rua das Palmeiras, no bairro Tifa Martins, na noite de 26 de março. Roseli foi morta pelo ex-marido Severino Machado a golpes de faca na região do tórax. O corpo foi encontrado pela filha pequena. Depois do crime, Severino se escondeu em um matagal na região. O corpo dele foi encontrado no dia seguinte, enforcado em uma árvore.
Roseli Machado foi morta pelo ex-marido Severino Machado | Foto Arquivo OCP
Paulo Frederico Horongoso foi vítima do terceiro homicídio registrado em Jaraguá do Sul em 2017. Ele foi morto com tiros na cabeça e no tórax no dia 28 de junho. A vítima estava indo para o trabalho de bicicleta quando foi atingido na rua Carlos Blank, nas proximidades do trilho do trem. Paulo tinha 1,5 grama de cocaína e 4,3 gramas de maconha nos bolsos. O caso ainda não foi solucionado.
Paulo Frederico Horongoso foi morto no bairro Vila Lalau | Foto Arquivo OCP
Gabriel Birr, 28 anos, foi a quarta vítima de homicídio em Jaraguá do Sul no ano. O morador de rua foi morto com uma barra de ferro em uma construção na rua Marina Frutuoso, no Centro. O crime foi registrado na manhã de 9 de junho, mas a morte havia ocorrido na noite do dia anterior. A vítima foi assassinada durante discussão motivada pelo uso de drogas e álcool. Samuel Antonio de Melo e Vera Lucia Juvencio, que moravam na construção com Gabriel, foram presos e acusados do crime. Eles estão nos presídios de Jaraguá do Sul e Itajaí, respectivamente.
Samuel Antonio de Melo e Vera Lucia Juvencio, que moravam na construção com Gabriel, foram presos e acusados do crime no Centro | Foto Arquivo OCP
Thiago Batistella de Lima, 28 anos, foi a quinta vítima de homicídio. Ele levou um tiro na cabeça na rua Pastor Albert Schneider, no barro Barra do Rio Cerro, no dia 1º de outubro e morreu após dois dias internado no Hospital São José. No dia 21 de novembro, os dois acusados de assassinar Thiago foram presos no Paraná. Brian Belarmino e Jusiel de Paula confessaram o crime durante depoimento na Divisão de Investigação Criminal. Os dois estão presos no Presídio Regional de Jaraguá do Sul.
Jusiel e Brian (D) estavam escondidos no Paraná | Foto: DIC/Divulgação
Conceição Maciel, de 41 anos, foi vítima do sexto caso de homicídio. Mãe de seis filhos, ela foi encontrada seminua e com diversos hematomas pelo corpo em uma casa no bairro Tifa Martins, no dia 8 de outubro. O companheiro de Conceição, Rafael Nogueira, de 21 anos, foi detido como suspeito. Os indícios apontam que ele a matou asfixiada, após uma sessão de agressões e tortura. E ainda teria dormido ao lado do corpo da vítima, até ser descoberto pela família dela e a Polícia Militar, mais de 12 horas depois do crime. Nogueira está no Presídio Regional de Jaraguá do Sul.
Conceição Maciel, de 41 anos, foi morta no bairro Tifa Martins | Foto Arquivo OCP
• O sétimo e último homicídio registrado em Jaraguá do Sul em 2017 foi de um traficante de drogas conhecido como Paraná. O corpo foi encontrado no dia 5 de outubro, em uma casa na rua Joaquim Francisco de Paulo, no bairro Chico de Paulo. Segundo a Polícia Civil, o perfil de Paraná era violento. Ele tomava drogas e dinheiro de moradores de rua, além de bater nas vítimas. O suspeito foi identificado e preso pela Polícia Militar. O homem de 35 anos confessou o crime e foi solto porque não houve configuração de flagrante. O crime é tratado como legítima defesa.
Corpo da vítima foi encontrado em uma casa na rua Joaquim Francisco de Paulo | Foto Fábio Junkes/Arquivo OCP
• A morte do taxista Allan. Embora não figure nas estatísticas oficiais de Jaraguá do Sul, o assassinato do taxista Allan Tietz, de 24 anos, cujo corpo foi encontrado no dia 28 de novembro, depois de cinco dias desaparecido, foi um dos crimes de maior repercussão na cidade. Allan foi assassinato por dois rapazes que o contrataram para fazer uma corrida a Curitiba. Os suspeitos, os irmãos Jonatan Machado Fuckner e Patrick Machado Fuckner, de 18 e 20 anos, respectivamente, com passagens por tráfico, são muito conhecidos dos taxistas e motoristas de Uber da região. Apesar da enorme repercussão do caso, eles ainda não foram localizados. LEIA MAIS: - Um mês após a morte de taxista jaraguaense, polícia não tem pistas do paradeiro dos assassinos