Ser valorizado pelo seu trabalho é algo que te motiva? Como você se sentiria se recebesse cartas de agradecimento escritas por crianças que gostaram do seu trabalho?

Isso tem acontecido com certa frequência na Polícia Civil de Joinville. Crianças de várias idades têm escrito cartinhas de agradecimento aos policiais, que têm participado de projetos sociais voltados a essa faixa etária.

As correspondências são enviadas ao gabinete da delegada regional de Joinville, Tânia Harada.

Em uma dessas cartinhas, as palavras eram essas:

"Agradeço a toda polícia de Joinville, desde a polícia militar, civil e a guarda municipal, por terem cuidado e protegido nossa comunidade assim como nossa cidade, estado e país. Desejo que vocês continuem fazendo esse lindo serviço que fazem por nós. Obrigado."

As cartas são escritas por crianças que frequentam um projeto social no bairro Jardim Paraíso.

"Chegamos até essas crianças por uma feliz coincidência da vida, e desde então a gente faz um acompanhamento, buscamos estar com elas, levá-las em eventos. Elas também já desfilaram conosco no [desfile de] 7 de setembro", conta a delegada Tânia Harada.

Crianças escrevem cartas de agradecimento à Polícia Civil, em Joinville | Foto Anna Carolina Vavassori/OCP News

Com desenhos e palavras carinhosas, as crianças agradecem a atenção que recebem dos policiais. "Depois de um passeio chegam as cartas. Por exemplo, um dia levamos as crianças no circo e elas nos mandaram cartinhas de agradecimento", conta a delegada.

Demonstração de carinho

As cartinhas que chegaram após a ida ao circo foram numerosas.

"Eu amei porque adoro ver os palhaços brincando e as mágicas deles, esse foi o melhor passeio. [Quero] passear com vocês mais vezes, porque sei que estou bem protegido ao lado de vocês. Beijos e obrigada por tudo", escreveu uma das crianças, com direito a um desenho retratando o palhaço que viu no circo.

"Olá delegada. Venho nesta carta para te agradecer mais uma vez por ter levado a gente no circo fantástico. Achei muito legal! Ri muito! A parte que eu mais gostei foi a parte do palhaço. E "dinovo" obrigada delegada", escreveu outra.

"Nossa amada Polícia Civil", escreveu uma das crianças, em outra carta carinhosa.

Delegada regional de Joinville, Tania Harada, mostra as cartinhas escritas pelas crianças | Foto Anna Carolina Vavassori/OCP News

Isso funciona como um incentivo para o próprio trabalho da polícia.

"Essas cartinhas ficam na Delegacia Regional, são repassadas para os policiais, eu encaminho nos grupos de WhatsApp... Para os policiais, esse retorno que as crianças nos dão é um incentivo muito grande", conta a delegada Tânia Harada.

A delegada deixa as cartinhas em seu gabinete, para que todos possam ver. "Às vezes, quando estou num dia difícil, pego uma das cartinhas e leio novamente. É sempre um incentivo muito grande", conta.

Medo da polícia?

O envolvimento com trabalhos relacionados às crianças tem o objetivo de mudar a imagem que elas têm da Polícia Civil, explica Tânia Harada.

"Não só perante essas crianças [desse projeto]. Os trabalhos relacionados às crianças são feitos também em colégios públicos e colégios particulares", salienta a delegada.

"A gente acredita que trabalhar a mente da criança, mudar o conceito que a criança tem da polícia, é mais fácil do que mudar o conceito de um adulto, que muitas vezes vê a polícia apenas como um órgão repressor do Estado."

Com desenhos e palavras carinhosas, crianças agradecem policiais que as levaram ao circo | Foto Anna Carolina Vavassori/OCP News

A delegada salienta que o intuito é mostrar uma "polícia humana", que se preocupa e também cuida das pessoas.

"A gente está aqui para cuidar das pessoas. É evidente que a atividade da polícia é repressiva, da Polícia Civil principalmente, mas a gente não quer que as pessoas de bem nos vejam dessa forma", opina Harada. "Não queremos que crianças, por exemplo, tenham medo ou receio da polícia."

Crianças agradecem policiais que as levaram ao circo | Foto Anna Carolina Vavassori/OCP News

A delegada vê as cartinhas das crianças como um resultado positivo desse trabalho. "Algumas crianças nos falaram que antes não gostavam da polícia, porque sentiam medo", conta.

"E hoje, por conta dessa aproximação com a comunidade, esse medo não existe mais [nessas crianças]. Isso é bom para a criança, que se sente segura, e para o policial, que se sente valorizado", opina.

Humanização do atendimento

Um novo projeto está prestes a ser implantado pela Polícia Civil em Joinville, destinado a dar mais atenção às vítimas dos delitos praticados na cidade. A proposta é fornecer atendimento psicológico das vítimas na Central de Polícia.

"Então vítimas de roubo, furto, famílias que perderam um ente querido em razão de homicídio, de latrocínio, passarão a ter um acompanhamento psicológico", explica a delegada Tânia Harada.

O acompanhamento será realizado pelas psicólogas policiais e por acadêmicos de psicologia da Sociesc. O projeto ainda está sendo estruturado, mas deve começar ainda este ano, segundo a delegada. "A gente tem pressa, queremos começar logo", diz.

Polícia Civil de Joinville deve implantar projeto para fornecer atendimento psicológico das vítimas na Central de Polícia | Foto Anna Carolina Vavassori/OCP News

Desde que assumiu o comando da Delegacia Regional de Polícia de Joinville, em março de 2017, Tânia Harada tem um discurso de humanizar o atendimento das vítimas de delitos na cidade.

"A gente tem vários projetos relacionados às vítimas na DPCAMI [Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso]. Esses projetos já estão caminhando sozinhos, já evoluíram. Agora, chegou o momento de voltar os olhos para vítimas de outros crimes", explica a delegada.

 

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