O Maio Amarelo busca conscientizar a população para o alto índice de mortos e feridos no trânsito. Em alusão ao tema, o OCP vai publicar reportagens durante o mês. A primeira delas mostra o ranking de vias com o maior número de acidentes em Jaraguá do Sul.

Cinco vias do município concentram 46% dos 1.954 sinistros registrados em 2021. O subcomandante do 14º BPM (Batalhão de Polícia Militar), major Antonio Benda Rocha, afirma que as vias que estão no ranking são as mais movimentadas do município.

"A gente precisa entender que o sinistro é uma causa da utilização de um espaço. Então, quanto maior o fluxo de veículos em uma determinada via, é óbvio que vai ocorrer mais sinistros. Esse grande número de veículos potencializa a ocorrência desses episódios", comenta.

Segundo dados do Anuário de Trânsito do 14º Batalhão de Polícia Militar, o primeiro lugar do ranking é ocupado pela avenida Prefeito Waldemar Grubba, com 22 acidentes ocorridos no ano passado, 11,26% do total de sinistros. A via é um dos grandes polos geradores de tráfego, a principal entrada de Jaraguá do Sul e corta três bairros, Centenário, Vila Lalau e Vila Baependi. Benda destaca que há um outro fator que acarreta nesse grande número de acidentes nesta avenida.

"Essa via é um dos acessos da cidade e tem um grande ambiente onde as pessoas se encontram. Na avenida Prefeito Waldemar Grubba, há uma grande empresa da cidade. A circunvizinhança dessa empresa gera um grande tráfego de veículos. Com 16 mil trabalhadores, mesmo colocando mil ônibus, eu não vou conseguir acabar com o congestionamento, resolver totalmente a parte da mobilidade e as questões de um trânsito sustentável", explica.

Em seguida, vem as ruas Manoel Francisco da Costa (9,83%), que passa pelos bairros Vieira e João Pessoa; José Theodoro Ribeiro (8,85%), que corta o bairro Ilha da Figueira; Walter Marquardt (8,7%), vai principal dos bairros Via Nova e Barra do Rio Molha; e Epitácio Pessoa (7,47%), uma das principais vias do Centro; ocupam as colocações subsequentes.

O major da PM ressalta que as vias citadas no ranking são bem sinalizadas, mas sempre há algo que pode ser melhorado. Ele explica que a ocorrência de acidentes aponta que algo não está correto e isso exige a atenção do poder público para mudanças, melhorias na engenharia de tráfego.

"Também há a questão do esforço legal da fiscalização. As pessoas, por mais civilizadas que sejam, precisam ser fiscalizadas. O trânsito tem a fiscalização eletrônica e com o próprio policial fazendo a anotação. Isso é o que vai cobrar dos motoristas que eles sejam regulares e não cometam infrações naquele espaço", frisa.

Porém, há uma outra questão relacionada com o número de acidentes, a educação dos condutores e demais atores do trânsito. Benda conta que todas as pessoas (pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas) precisam ter consciência do seu papel na segurança viária.

"Não é só o motorista que precisa ter consciência, o pedestre também. E, se for voltar ao contexto dos carros, o passageiro também precisa, pois em um veículo de aplicativo ele precisa usar o cinto de segurança. Não precisa o motorista dizer para ele colocar o cinto. O passageiro também não precisa cobrar do condutor o não uso do celular. A gente precisa ter uma consciência coletiva e seguir o exemplo de países da Europa concentrando esforços na educação", sintetiza.