A cidade de Mococa, em São Paulo, vivenciou momentos de pânico, na madrugada desta quarta-feira, em uma ação criminosa bastante semelhante a registrada na noite de 30 de novembro/madrugada de 1º de dezembro do ano passado, na área central de Criciúma.

 


No interior de SP, a modo de "novo cangaço", fortemente armados - inclusive com explosivos - e a bordo de carros de luxo, criminosos sitiaram a cidade, cercando-a e efetuando disparos à esmo, e roubaram duas agências bancárias, dentre elas, a Caixa Econômica Federal, abastecida com o montante do Auxílio Emergencial
. Eles investiram contra uma terceira agência, mas sem sucesso.

Já em Criciúma, os cofres da tesouraria do Banco do Brasil guardavam o montante do 13º salário de muitos trabalhadores. Mais de R$ 80 milhões foram roubados.

Lá em SP, os assaltantes também atentaram contra as forças de segurança pública, alvejando o quartel da Polícia Militar. Um guarda municipal ficou levemente ferido ao ser atingido por estilhaços. Ele fazia a segurança de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que fica ao lado do batalhão da PM, que estava fechada no momento.

Em Criciúma, um policial militar ainda se recupera, mas em casa, após ser alvejado por um tiro de fuzil no abdômen em confronto com os criminosos.

Como anda o caso

A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou e o Ministério Público de Santa Catarina já ajuizou ação criminal contra 16 pessoas, envolvidas no assalto ao cofre da tesouraria regional da agência do Banco do Brasil, por organização criminosa.

O roubo, considerado o maior da história de Santa Catarina, que contou com a participação de dezenas de criminosos, ocorreu na noite do dia 30 de novembro de 2020 e perdurou cerca de duas horas.

O grupo começou o ataque cercando o batalhão da Polícia Militar, no bairro Próspera, e efetuando centenas de disparos. Ainda incendiaram um caminhão no acesso ao portão principal.

Simultaneamente, também incendiaram um caminhão na cidade vizinha de Tubarão, no acesso ao túnel do Morro do Formigão, para impossibilitar a chegada de reforço policial, especificamente das unidades especializadas de Florianópolis.

Uma guarnição do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) trocou tiros com os bandidos nas proximidades do Criciúma Shopping (somente referência). Um policial foi alvejado, ficou mais de dois meses hospitalizado e se recupera em casa.

A partir da mobilização das Polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal, várias pessoas chegaram a ser presas nos primeiros dias após o crime, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, além de identificados vários outros suspeitos.

Inquérito

Nesse período, as investigações apuraram, em inquérito policial pela Delegacia de Roubos e Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC/PCSC), com mais de mil páginas, que 16 pessoas integraram a organização criminosa responsável pelo roubo, sendo que pelo menos seis delas também têm relação direta com facção paulista, ocupando funções importantes nesse grupo criminoso.

Prisões

Todas as 16 pessoas tiveram prisões preventivas decretadas pelo Judiciário e foram denunciadas pelo Ministério Público de SC.

Com a ação criminal, proposta no dia 11 de fevereiro, os envolvidos respondem ao processo perante à Justiça, por crimes previstos na Lei nº 12.850/13. Das 16 pessoas indiciadas e denunciadas, três estão foragidas.

Investigações prosseguem

As investigações realizadas pela Polícia Civil de Santa Catarina, em atuação conjunta com o MPSC, ainda continuam com o objetivo de identificar todos os responsáveis.