Com o fim de ano se aproximando, calor começa a ficar mais presente e muitos jaraguaenses escolhem os rios da cidade para se refrescar. De acordo com o Corpo de Bombeiros Voluntários, três pontos são os mais procurados pelos banhistas em Jaraguá do Sul: na localidade de Garibaldi, na ponte do bairro Nereu Ramos e no bairro João Pessoa. Mas os rios da cidade escondem perigos e um momento de lazer pode acabar em tragédia. O comandante da corporação, Neilor Vicenzi, explica que os bombeiros voluntários ficam atentos para esse tipo de ocorrência nessa época do ano. “É sempre uma preocupação no início dessas temporadas de calor, quando registramos essas ocorrências de afogamento. O número de casos vêm diminuindo, mas todos os anos nós registramos acidentes envolvendo vítimas de afogamento”, comenta Vicenzi. Neilor alerta para cuidados que os banhistas devem tomar antes e depois de entrar na água. “É preciso tomar cuidado com as mudanças no leito do rio e os objetos que estas águas transportam. Há temporadas de estiagem, mas também há temporadas de chuva, quando um grande volume de água pode levar um galho ou mesmo uma árvore, objetos que possam prender e até mesmo ferir o banhista”, explica. O bombeiro voluntário destaca a importância de o banhista saber nadar. “É importante ter um bom conhecimento de nado, porque o rio muda. Hoje um local pode dar pé, mas pode haver um aumento repentino da água e esse local não ter essa base. Os banhistas precisam ter essa percepção”, destaca Neilor. Como agir em uma situação de risco Quando a pessoa se depara com um afogamento, a primeira reação é querer ajudar o banhista que está em risco. O comandante dos bombeiros voluntários enfatiza que é preciso ter algum material flutuante. “A gente tem que ter em mente que saber nadar é uma situação e salvar alguém é outra situação. A pessoa deve tentar fazer o resgate com algum objeto, uma boia salva-vidas ou uma garrafa pet. Enfim, com algum material que flutue. É preciso evitar o contato físico. Se ela não souber como resolver essa situação, pode se tornar mais uma vítima”, analisa, ao recomendar que os banhistas levem uma boia, uma corda ou mesmo uma garrafa pet para o local do banho. Na impossibilidade de ajudar a vítima, é preciso ligar para o número 193 e chamar os bombeiros voluntários imediatamente. “Quanto antes for feito o chamado, menor é o tempo de resposta e maior a chance de sobrevida. Mas há coisas básicas a se fazer. Uma delas é orientar o afogado. A pessoa que está fora do rio pode avisar sobre um local em que dá pé para que a vítima possa caminhar”, indica Neilor. “O rio apresenta diversas armadilhas e uma dica é nadar a favor da correnteza para chegar em um lugar seguro”, acrescenta.
Na impossibilidade de ajudar a vítima, é preciso chamar os bombeiros voluntários imediatamente | Foto Eduardo Montecino/Arquivo OCP
Cinco pessoas morreram afogadas nos últimos três anos Nos últimos três anos, foram registrados cinco casos de afogamentos com morte em Jaraguá do Sul. Em novembro de 2014, dois jovens, um adolescente de 15 anos e uma menina de 11, morreram quando tomavam banho no rio Itapocuzinho, no bairro João Pessoa. Quando os bombeiros de Schroeder chegaram ao local, moradores já haviam retirado o corpo do garoto da água. Os bombeiros tentaram reanimá-lo, mas ele estava sem sinais vitais. Já o corpo da garota foi encontrado no fundo do rio por mergulhadores dos bombeiros. Em setembro de 2016, um homem de 34 anos morreu quando tomava banho no rio Jaraguá. Ele era natural da cidade de Lagarto, no Sergipe, e ocupava uma casa abandonada às margens do rio, na rua João Januário Ayroso, no bairro Jaraguá Esquerdo, a cerca de 150 metros de onde o corpo foi encontrado. Em novembro de 2016, um menino de 11 anos morreu afogado no rio Itapocu, no limite entre Jaraguá do Sul e Guaramirim. Ele brincava no pasto com amigos, caiu no rio e afundou. Foi resgatado com parada cardiorrespiratória e, por mais de 50 minutos, as equipes dos bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) fizeram a reanimação até conseguir a volta dos batimentos cardíacos. Ele foi levado para o Hospital Jaraguá pelo Helicóptero Águia, da Polícia Militar, mas morreu após dar entrada na unidade. A morte mais recente ocorreu em outubro deste ano. O estudante Daniel Fernando dos Santos tinha 14 anos e tomava banho no rio Itapocu, em um trecho do bairro Nereu Ramos, com um amigo da mesma idade. O Corpo de Bombeiros Voluntários e o Samu foram chamados e tentaram reanimá-lo, mas não ele não resistiu e morreu no local. Pela qualidade da água, banhos na área urbana não são recomendados O Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto de Jaraguá do Sul (Samae) realiza periodicamente o controle da qualidade nos pontos de captação. Segundo o diretor técnico da autarquia, Deverson Simeone, são dez pontos no rio Itapocu e outros quatro no rio Jaraguá. A balneabilidade é definida pela resolução 274/2000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). As categorias de qualidade da água são: excelente, muito boa e satisfatória e imprópria. Cerca de 80% das amostras na região estão na categoria satisfatória, que é o limite para a balneabilidade. Apesar de não poder apontar os pontos onde há balneabilidade, pois essa responsabilidade fica a cargo dos órgãos ambientais, Deverson observa que não é recomendado o banho na área urbana de Jaraguá do Sul. “Nem em Corupá, nos rios Novo e Ano Bom, é recomendável o banho. Isso se dá pela falta de rede de esgoto. Em muitos locais há apenas a fossa filtro e, em muitos casos, essas fossas estão acima da capacidade”, esclarece. O diretor técnico também afirma que nas áreas rurais há o uso de fertilizantes, que, após as chuvas, acabam desaguando nos rios. Mas há variações que indicam a boa qualidade da água em alguns trechos. Tanto no rio Itapocu como no seu afluente, o rio Jaraguá, há vários trechos, que, dependendo das condições, apresentam balneabilidade. “Inclusive após a empresa WEG, no bairro Centenário. Às vezes, a concentração bacteriológica no rio é maior próximo ao bairro Nereu Ramos, do que nos bairros Centenário e Ilha da Figueira. Há bastante variação, mas geralmente a concentração eleva bastante após as chuvas”, constata. *Reportagem de Cláudio Costa para o Jornal O Correio do Povo