Os acadêmicos do Curso de Sistemas de Informação na Católica de Santa Catarina em Jaraguá do Sul e em Joinville estão desenvolvendo um software que tornará mais fácil e rápida a tarefa de fiscalizar os detentos do regime aberto do Presídio Regional de Jaraguá do Sul pela Polícia Militar. As aulas começaram neste semestre, após a assinatura do convênio entre as duas instituições, em junho. O objetivo é saber se presidiários que cumprem regime domiciliar estão obedecendo os horários para sair e voltar para casa, estipulados pela Justiça. Hoje, os policiais preenchem o relatório à mão, tabulam os dados no quartel e entregam pessoalmente no Fórum. Com o software, tudo ficará mais rápido, pois o policial poderá digitar o relatório no próprio tablet e, em seguida, enviar ao juiz. O programa vai possibilitar o compartilhamento simultâneo de informações entre a Polícia Militar, a direção do presídio e o Poder Judiciário. Também contará com vários serviços para facilitar as visitas, como: a ficha completa de cada preso, com dados pessoais e foto; o grau de periculosidade do detento, indicado pelas cores verde, amarelo e vermelho; um quadro informando quais foram ou não visitados recentemente; e um mapa com a localização exata das casas dos presidiários. O coordenador do Curso de Sistemas de Informação, Maurício Henning, explica que, hoje, a Polícia Militar precisa consultar vários sistemas diferentes para obter informações sobre o histórico dos presos. Com o programa, será possível centralizar esses dados, agilizando a pesquisa. O programa funcionará para dispositivos móveis, com utilização de programas do Google, como o Google Maps. "A geolocalização vai possibilitar que os policiais identifiquem os presos que moram mais perto da região onde a viatura está, evitando que percam tempo procurando as casas deles", explica. Se o detento não estiver em casa nos horários determinados para o cumprimento da pena, por exemplo, o policial militar preenche um relatório que ficará disponível no sistema, junto com as outras informações sobre o presidiário. Depois, esse documento é encaminhado ao juiz, que pode ordenar a regressão da pena do preso para o regime fechado, por causa do descumprimento das regras. De acordo com Henning, a PM não terá custos para implantar o sistema, já que os tablets são fornecidos pelo programa PMSC Mobile. A previsão é que o sistema fique pronto até o final do ano e seja utilizado em fase de testes pela Polícia Militar por cerca de dois meses antes de ser adotado de forma definitiva. União entre teoria e prática O software está sendo desenvolvido durante as disciplinas de Análise e Projeto de Sistemas, lecionada pelo professor Glauco Vinícius Scheffel, e Programação VI, lecionada pelo professor Rodrigo Mello Mattos Habib Gregori. A iniciativa tem a participação do Projeto Comunitário, componente curricular que prevê que todos os estudantes da Instituição cumpram 30 horas de atividades sociais. A iniciativa, promovida entre disciplinas, aplica o conceito de aprendizagem ativa e usa diversos conhecimentos adquiridos durante o curso. O coordenador do Curso de Sistemas de Informação, Maurício Henning, destaca que a realização desse tipo de projeto social possibilita a união entre a parte teórica e prática do curso, o que ajuda a preparar os estudantes para o mercado de trabalho. “Eles vivenciam todo o ciclo de desenvolvimento de um software responsivo, que funciona em qualquer dispositivo. Ao mesmo tempo, colaboram com uma corporação que presta serviços relevantes e fundamentais para a sociedade”, comenta. De acordo com Henning, assim que o software começar a ser usado pela PM em Jaraguá do Sul, deve ser apresentado para outros batalhões do Estado e poderá ser adotado pelas unidades que se interessarem pela tecnologia.