Paraquedista há duas décadas, Sandro Marcos da Silva morreu ao bater no telhado de uma casa durante o percurso de uma tirolesa no fim da tarde de terça-feira (7), em Iraí, município de 7,2 mil habitantes no norte do Rio Grande do Sul.

O homem de 39 anos havia sido contratado para instalar o equipamento que, anunciado como o terceiro maior do país, seria inaugurado no próximo sábado (11) a preços populares para atrair turistas à cidade.

Depois de resgatar o corpo de Sandro da cobertura da residência, localizada na Avenida Castelo Branco, no centro de Iraí, a Polícia Civil abriu inquérito para apurar as causas do acidente.

Na cidade, comenta-se que o instrutor sofreu um infarto.

Investigação

O delegado responsável pela investigação, Ercílio Carletti, pretende esclarecer por que o homem colidiu contra a construção.

"Ele bateu na casa porque o cabo distensionou. Mesmo que ele tenha tido um infarto, ele não poderia ter colidido contra o telhado. Isso tem de ser averiguado", afirma Carletti.

O delegado aguarda o resultado de perícia do Departamento Médico-Legal que irá sentenciar o motivo da morte.

Ele também pediu uma vistoria na tirolesa, suspeitando que o calor superior a 30ºC possa ter distendido o cabo de sustentação.

De 1.680 metros de extensão, a tirolesa parte de uma altura de 190 metros/Arte Gaúcha ZH

Fundador da empresa Projeto Aventura, especializada na montagem de tirolesas, circuitos de arvorismo e paredes de escalada, Sandro havia chegado a Iraí na tarde de terça-feira, acompanhado das duas filhas adolescentes.

O paraquedista, morador de Balneário Camboriú , morreu durante um teste no equipamento.

Nesta quarta-feira (8), ele daria início ao treinamento dos operadores da atração para liberá-la para uso no sábado (11).

De 1.680 metros de extensão, a tirolesa parte de uma altura de 190 metros, em um morro onde ficam as antenas telefônicas de Iraí, e se encerra na Avenida Flores da Cunha, próximo ao ginásio de esportes.

Experiente

Sandro foi chamado para erguê-la pelo experiente currículo na área.

Trabalhou na instalação de tirolesas como a "mega" de Pedra Bela (SC) e do reality show A Fazenda, da Rede Record, além de fazer estudos para a colocação da atração no Vale Sagrado dos Incas, no Peru.

Tirolesa onde homem morreu/Foto: Fernando de Rossi-Arquivo pessoal

Militar na década de 1980, Sandro também dava cursos de resgate nas alturas e em locais de difícil acesso para policiais militares e bombeiros catarinenses, paulistas e gaúchos.

"Cara chato da segurança"

Segundo o engenheiro Murilo Wehle, seu parceiro de trabalho havia 10 anos, seu zelo o fazia ser conhecido como "o cara chato da segurança".

"Duvido muito de que ele tenha pulado algum procedimento, porque tinha muita experiência no ramo. Até agora, não tenho respostas para o que aconteceu. Foi o primeiro incidente dele e também o mais difícil de acreditar", diz Murilo, responsável pelo estudo de viabilidade da tirolesa.

Ao engenheiro, surpreendeu que Sandro tenha se lançado na travessia.

Pelo procedimento padrão, primeiramente se coloca um boneco que simule o peso de uma pessoa para testar a travessia sem colocar em risco a vida de alguém.

Dono da Irahy Ecoparque, que contratou a empresa de Sandro e irá operar o equipamento, Fernando de Rossi, relata que o paraquedista estava fazendo testes no cabo de aço, que havia sido tensionado no sábado (4), e sido advertido a evitar a descida.

No entanto, ele teria decidido se arriscar porque, se necessário, saltaria de paraquedas.

"Tendo mais de 20 anos de experiência, ele sabia o que estava fazendo", comenta Fernando.

Empreendimento

Aguardado com expectativa em Iraí, o empreendimento era a promessa de "emoção e adrenalina" para fomentar o turismo de aventura na cidade.

Diante do investimento privado de R$ 500 mil, a prefeitura cedeu um terreno para que a Irahy Ecoparque construísse a área de chegada da travessia.

"Neste momento de tristeza e dor, a administração municipal reitera os sentimentos de condolência e de profunda solidariedade à família e aos amigos", escreveu, em nota, a prefeitura.

Fonte: Gaúcha ZH