Caso Sara: Réu é condenado a 40 anos por matar a ex e tentar matar o filho em Jaraguá do Sul

Instituto Borboletas fez uma homenagem para Sara no dia do julgamento | Foto: Instituto Borboletas/Divulgação

Por: Claudio Costa

27/09/2023 - 16:09 - Atualizada em: 27/09/2023 - 16:26

O caso Sara chegou a um desfecho nesta terça-feira (26), em Jaraguá do Sul.

O Tribunal do Júri sentenciou Luís Ricardo da Silva da 40 anos de prisão em regime fechado.

O réu foi condenado por matar a ex-companheira, Sara Realvo Ribeiro, de 23 anos, e tentar matar o filho do casal, na época com apenas nove meses.

O crime chocou a cidade dada a frieza com que Luís Ricardo executou o crime.

Sara estava morando em um conjunto de quitinetes no bairro Nova Brasília.

Na manhã de 7 de dezembro de 2022, o autor chegou no imóvel e esfaqueou as vítimas.

Em seguida, ele saiu tranquilamente do local, mas foi preso pela Polícia Militar.

O Corpo de Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul e o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) atenderam as vítimas.

O bebê foi conduzido para o Hospital Jaraguá, estável, com ferimentos na coxa.

Sara foi levada em estado crítico ao Hospital São José pelo Samu, com diversas perfurações pelo corpo.

Ela não resistiu aos ferimentos e morreu após dar entrada na unidade.

Julgamento de um crime bárbaro

Na frente do Fórum, o Instituto Borboletas, entidade do terceiro setor que dá apoio a mulheres vítimas de violência doméstica, realizou uma manifestação.

Embaixo da foto de Sara, foram colocadas flores pelo luto, pela morte de mais uma mulher na cidade.

O advogado Felipe Carlos atuou como assistente de acusação e auxiliou o Ministério Público de Santa Catarina durante o Tribunal do Júri.

Ele conta que o réu matou a vítima de forma bárbara, desferindo 15 facadas no corpo da ex-companheira.

A motivação do crime, segundo Felipe, foi o fato do assassino não aceitar o fim do relacionamento.

“A separação ocorreu quando Sara estava grávida de oito meses. Ela já estava sendo alvo de violência doméstica, inclusive psicológica, com um ciúme excessivo. Em certo momento, ele partiu para cima dela com socos, puxões de cabelo e tapas no rosto. Nisso, ela pediu ajuda para a polícia. Luís Ricardo queimou os documentos dela, as roupas e quebrou o celular também”, conta.

“Não concordando com o término, ele foi na casa dela e, acreditamos que no meio de uma discussão, pegou uma faca na gaveta desferindo os golpes nela e no filho dele, que naquele dia completava nove meses de vida”, completa.

Felipe conta que o réu foi condenado a 28 anos de prisão pelo feminicídio contra Sara e a 12 anos pela tentativa de homicídio contra o filho, somando 40 anos de reclusão.

O advogado ressalta que a sentença dada pelo juiz Crystian Krautchychyn também determinou a perda do poder familiar do réu sobre a criança.

“Nós nos preparamos para a tese da Defensoria Pública, de que ele não teria a vontade de matar o filho dele e nem assumido o risco de causar a morte. Porém, por tudo o que foi levantado, as provas mostraram o contrário. Devido à brutalidade do crime, ele assumiu o risco de causar o resultado morte. Se não fosse a testemunha retirar o bebê dos braços da Sara, a população de Jaraguá do Sul iria viver um duplo luto”, finaliza.

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Claudio Costa

Jornalista pós-graduado em investigação criminal e psicologia forense e pós-graduando em perícia criminal.