Uma campanha feita pelo site Vakinha, aberta pelo grupo denominado Afroguerrilha, havia arrecadado até por volta do meio-dia deste domingo (11) cerca de R$ 17 mil. A expectativa inicial dos promotores era arrecadar R$ 15 mil, mas a adesão à rede de solidariedade que se formou em torno do adolescente Ruan, de 17 anos, que teve tatuada na teste a inscrição "Eu sou ladrão e vacilão" foi bem maior do que se imaginava.

O garoto, morador de São Bernardo do Campo, no Grande ABC paulista, que vive em estado de extrema pobreza e que faz tratamento no Caps de São Bernardo, por ter problemas mentais, foi tatuado por duas pessoas, além de sofrer tortura.

A campanha pelo Vakinha tem o objetivo de promover a remoção da tatuagem e auxiliar no tratamento psicológico do adolescente, que sofre de transtornos causados pela dependência química. A tatuagem foi feita pelo tatuador Ronildo Moreira de Araújo, 29 anos, e seu vizinho Maycon Wesley Carvalho dos Reis, 27. Ambos foram presos preventivamente na tarde de sábado (10).

A execução da tatuagem, realizada em um quarto de pensão onde o tatuador morava há algumas semanas, foi gravada e compartilhada nas redes sociais pelos envolvidos. Na gravação, é possível perceber que o adolescente não reage às provocações de Ronildo e Maycon, que o amarraram pelas mãos e pelos pés, além de terem cortado seu cabelo a força. Esta atitude foi configurada como tortura. No vídeo, ambos dizem que o adolescente teria tentado roubá-los e, como "forma de punição", merecia uma tatuagem que mostrasse ao mundo que ele era um ladrão. Essa foi a mesma história contada pelos autores na delegacia. Nas imagens compartilhadas no Whatsapp, um dos torturadores diz: "vai doer, vai doer". E perguntam ao menino, no meio do vídeo, o que ele quer tatuar na testa e, a força, recebem a resposta "ladrão." O crime ocorreu na sexta-feira (9). O adolescente só foi encontrado no fim da tarde de sábado. Em depoimento, negou ter cometido qualquer furto e foi levado ao posto médico para ser medicado. Depois disso, voltou para a casa da avó, onde mora. Ao site G1, o criador da campanha disse que está recebendo ameaças e mensagens de ódio. Segundo o rapaz, muitos tatuadores são ligados a grupos de skinheads no ABC paulista.