Caminhada percorreu a avenida Marechal Deodoro da Fonseca e a rua Reinoldo Rau | Foto: Cláudio Costa/OCP News
Caminhada percorreu a avenida Marechal Deodoro da Fonseca e a rua Reinoldo Rau | Foto: Cláudio Costa/OCP News

Resumo da notícia

  • Caminhada foi realizada no sábado
  • Cerca de 500 pessoas participaram do ato
  • As 52 vítimas de feminicídio em SC neste ano foram lembradas

A Secretaria de Assistência Social e Habitação de Jaraguá do Sul, em parceria com as polícias Civil e Militar, realizou uma caminhada em alusão ao Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher. O evento, realizado na manhã de sábado (30), reuniu 500 pessoas na Praça Ângelo Piazera, no Centro.

Até o início de dezembro, não foram registrados feminicídios, qualificação do homicídio para crimes cometidos contra a mulher no âmbito doméstico, em Jaraguá do Sul. Mas o evento lembrou as 52 mortas pelos companheiros em Santa Catarina em 2019.

“Nós estamos buscando soluções para a violência contra a mulher com todas as entidades envolvidas nessa causa. Em 2019, nós começamos o atendimento das vítimas no Creas Nova Brasília, onde já foram atendidas 51 mulheres”, comenta a secretária de Assistência Social e Habitação, Maria Santin Camello.

O evento realizado na manhã deste sábado (30) reuniu 500 pessoas na Praça Ângelo Piazera, no Centro

A caminhada percorreu a avenida Marechal Deodoro da Fonseca e a rua Reinoldo Rau. No retorno à Praça Ângelo Piazera, foram plantadas rosas em 52 sapatos que simbolizavam as vítimas de feminicídio no Estado.

Crime após separação

Jessica Aparecida Lopes Saretta, de 22 anos, teve a mãe morta no ano de 2017, em Jaraguá do Sul. O crime ocorreu em 26 de março, no bairro Tifa Martins. Roseli Aparecida dos Santos Machado, 39 anos, foi morta a facadas pelo ex-marido, Severino Machado.

Na época, Severino chegou no local de carro com a filha de apenas quatro anos. Ele entrou na residência, matou a ex-mulher e, ao retornar com as mãos sujas de sangue, contou para a criança que teria encontrado a mãe morta em casa. Depois do crime, o homicida entrou em uma área de mata e cometeu suicídio.

“O meu padrasto me ligou e eu estava na igreja. Ele queria armar uma cilada, queria me matar, queria matar o meu marido. Ele não aceitava a separação e já vinha ameaçando ela, mas minha mãe nunca teve coragem de denunciar. Ele acabou com a nossa família", declara Jessica.

DPCAMI registra 260 medidas protetivas

Até o fim deste mês, a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) de Jaraguá do Sul registrou o pedido de 265 medidas protetivas, um registro a cada 29 horas. De acordo com o delegado regional Fabiano dos Santos Silveira, o número é alarmante, mas não representa a realidade da violência doméstica na cidade.

“É quase uma vítima de violência doméstica por dia procurando a DPCAMI para pedir uma medida protetiva de urgência. Isso preocupa porque é apenas um número oficial. Há muitas mulheres vítimas de violência que ainda não tomaram coragem de procurar a Polícia Civil”, comenta Silveira.

Rede Catarina é instrumento de prevenção

A Polícia Militar também está atenta para a violência contra a mulher no município. A corporação mantém o programa Rede Catarina, uma guarnição composta por um homem e uma mulher que visita as residências das mulheres com medidas protetivas de urgência.

O coordenador das redes de proteção do 14º Batalhão de Polícia Militar, o capitão Antonio Benda Rocha, comenta que em 2019 houve um aumento expressivo no número de casos de violência contra a mulher em Jaraguá do Sul.

“A guarnição da Rede Catarina visita mulheres que foram vítimas de qualquer tipo de violência, seja ela psicológica ou física. Os policiais militares prestam toda a assistência necessária para essas vítimas porque a PM não tolera qualquer tipo de violência contra a mulher”, comenta Benda.