Foto Fábio Junkes/OCP News
Foto Fábio Junkes/OCP News

Dados da Polícia Militar mostram que a Corticeira se tornou o principal ponto de venda de drogas em Guaramirim.

Durante o ano de 2018, foram identificados 33 traficantes ligados ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC), facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios do Estado. Todos, inclusive as lideranças, foram presas até o fim de fevereiro de 2019, um duro golpe na estrutura da organização.

Guaramirim é peça chave na manutenção do círculo de segurança formado na região do 14º Batalhão de Polícia Militar (14º BPM) na microrregião.

Cortada por duas rodovias, SC-108 e BR-280, a cidade conta com acessos alternativos no interior, além de fazer divisa com Araquari e Joinville, onde estão instalados membros do PGC.

Dentro desse contexto, está a Corticeira, bairro periférico às margens da rodovia federal. Em 2018, o bairro concentrou 25% das 79 ocorrências registradas na cidade, um total de 20 casos.

Contra-ataque

Com o intuito de se instalar na microrregião, a facção passou a realizar ações para desestabilizar os ótimos índices de criminalidade na cidade e nos outros quatro municípios. O PGC também buscou colocar disciplinas (líderes) com cargos altos dentro da hierarquia da facção na Corticeira.

Para contra-atacar essas investidas, a 2ª Companhia do 14º BPM (2ª Cia 14º BPM), responsável pelo policiamento na cidade, investiu em ações de inteligência para colocar os traficantes que atuavam naquele bairro na cadeia.

De acordo com o comandante da 2ª Cia 14º BPM, capitão Edson de Jesus da Silva, ao perceber o grande volume de ocorrências de tráfico no bairro, a Agência de Inteligência da companhia passou a acompanhar as atividades de venda de entorpecentes.

Foto Fábio Junkes/OCP News

“Após realizar o desmonte de um grupo de traficantes no Centro, a venda de drogas migrou para a Corticeira. Nós ficamos praticamente o ano de 2018 inteiro fazendo o monitoramento do tráfico naquele bairro”, comenta o oficial.

Além do movimento da venda de drogas, os policiais militares produziram um organograma com a posição dos integrantes na hierarquia do tráfico.

Dois dos chamados disciplinas foram colocados pelo PGC para liderar o crime na cidade, um deles na Corticeira.

Após a realização de diversas ações para conter o avanço do crime, a PM conseguiu prender todos os 33 membros da facção e seus líderes. Hoje, apenas três deles estão nas ruas.

Coleta de provas

Para garantir que os traficantes não fossem soltos após as prisões, os policiais militares não contaram apenas com o flagrante da venda para sustentar a detenção. Foram realizadas campanas para colher provas.

Os PMs passaram a filmar e fotografar todas as ações, principalmente as transações entre vendedores e usuários. Em uma das operações, a Polícia Militar conseguiu prender um fornecedor de drogas da facção residente no Paraná.

Uma das táticas utilizadas pelos traficantes é andar com pouca droga para evitar o flagrante por tráfico, mas o monitoramento evitou que esse artifício fosse utilizado para ludibriar a ação policial.

“Antes do flagrante, eles já estavam sendo monitorados. A gente já tinha fotos e vídeos da entrega de drogas, testemunhas e elementos diversos que facilitaram a comprovação da associação ao tráfico. Essas provas subsidiam o Ministério Público na denúncia feita à Justiça”, revela o capitão.

Com essa estratégia, os traficantes monitorados passaram a ser condenados com penas mais duras. As penas por tráfico que, em média, são de seis anos, chegaram, em alguns casos, a 14 anos de reclusão. Isso aconteceu pela comprovação da prática de outros crimes, como a associação ao tráfico de drogas e a corrupção de menores.

Corrupção de menores

O recrutamento de menores para o tráfico é uma das principais estratégias dos traficantes para evitar a prisão. Com a promessa de dinheiro fácil, os criminosos aliciam os adolescentes para realizar a entrega dos entorpecentes aos clientes e, desse modo, evitar que a polícia chegue ao real fornecedor.

Para cooptar os jovens, os criminosos apelam para a desculpa de que não serão punidos ao serem apreendidos pela polícia.

“Eles falam: ‘você é menor, não vai dar nada para você’. Desse modo, acabam trazendo esses jovens para o tráfico. Esse ponto é difícil de discutir, porque também é um problema social. A gente percebeu que a droga dá o dinheiro que eles não conseguem trabalhando. Eles já estão numa situação de vulnerabilidade social e são seduzidos por essas ofertas de dinheiro fácil”, contextualiza.

Redução da criminalidade

Silva explica que o combate ao tráfico de drogas depende das denúncias feitas pela comunidade e que metade das ações foram resultantes das informações repassadas pela comunidade. As prisões refletem diretamente na redução da criminalidade.

O comandante afirma que a cidade enfrentou picos nos índices de crimes como furto. Após a intensificação da prisão de traficantes, 102 pessoas em 2018, o registro das ocorrências deste tipo de crime diminuiu de forma significativa.

“O número de furtos a residência aumentou principalmente no interior. As pessoas saíam para trabalhar e, quando voltavam, encontravam a casa arrombada. Levantamentos da PM no Estado apontaram que 90% desses crimes estão relacionados ao tráfico de drogas. Os usuários não têm meios de subsidiar a compra da droga e acabam furtando ou roubando”, pondera, ao afirmar que muitos objetos foram recuperados após a prisão de traficantes.

 

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