A Delegacia de Proteção a Mulher Criança e Idoso (DPCAMI) de Jaraguá do Sul registrou 1.848 boletins de ocorrência no ano de 2017. Desses, 623 foram por ameaça contra a mulher. O número representa 33% dos registros feitos na delegacia especializada no ano passado. De acordo com a delegada titular da DPCAMI, Milena de Fátima Rosa, as ameaças são um primeiro estágio antes das agressões, que somaram 231 registros de boletins de ocorrência em 2017.
A violência psicológica, como também é chamada a ameaça, é punida pela Lei Maria da Penha. De acordo com a delegada, ela geralmente acontece quando o casal está para se separar e aí há a ameaça para que a mulher continue o relacionamento ou quando a mulher encontra outro companheiro. A partir daí, as ameaças se tornam intensificadas por que homem não consegue admitir o fim do relacionamento.
Mas a ameaça também é um dos estágios de uma relação abusiva, em que o homem busca ter total controle sobre a mulher. O companheiro acaba retirando a namorada do convívio de outras pessoas, geralmente amigos e parentes, depois ele passa a controlar as roupas que usa e o conteúdo que recebe no celular. Com o tempo e a não aceitação do controle, as ameaças verbais acabam sendo uma constante no relacionamento. Depois, as ameaças são contra a integridade física e a vida da vítima.
“A mulher tem que saber se não está sendo submetida ao crivo do seu companheiro. Muitas vezes ele fala que ela não pode mais agir como agia antes só porque está em um relacionamento amoroso. Ceifar a liberdade da mulher em pequenas coisas é indício de que há um controle obsessivo e isso só tente a se agravar”, conta a Milena.
Denúncias são a única maneira de evitar o pior 
As ameaças feitas contra a mulher estão a apenas um degrau da violência física. Com a aceitação das agressões verbais, o homem acaba tomando fôlego para bater na companheira e, desse modo, migrando para uma violência considerada mais grave. “É uma situação que tende cada vez mais a se agravar. O homem se sente seguro para avançar na agressão física ou cometer uma violência maior porque a mulher acaba se submetendo a essas injúrias e ofensas”, afirma Milena.
Para evitar que a situação se agrave, a delegada titular da DPCAMI recomenda que as mulheres denunciem a violência psicológica. “Uma ameaça contra a vida é algo muito sério, porque não há como saber se ele está falando da boca pra fora ou se o homem tem efetivamente a vontade de ceifar a vida da companheira ou da ex-companheira. Então, é importante que ela venha para a delegacia, faça o registro para possibilitar o pedido de medidas protetivas para que ela possa se buscar proteção através das medidas protetivas”, alerta.
“A ameaça é muito diferente de outros crimes comuns, como o estelionato ou o furto. A vítima tem um relacionamento amoroso com o autor do crime. O importante é a mulher perceber que esse comportamento vem acontecendo e precisa, de alguma forma, diminuir ou cessar essa violência através de um boletim de ocorrência. A gente não orienta ninguém a se separar aqui na delegacia, e sim tomar medidas para que essa violência cesse”, finaliza.