O advogado Diego Valgas, que assumiu a defesa do menor J., de 15 anos, que na segunda-feira da semana passada agrediu a tapas e socos a professora de língua portuguesa e literatura Marcia Friggi, de 51, informou que o adolescente deve se apresentar à Justiça de Indaial, no Médio Vale do Itajaí, nesta terça-feira (29), data para a qual está marcada a primeira audiência do procedimento judicial que apura o caso. Valgas informou à imprensa que apesar do pedido de internação provisória feito pelo Ministério Público e acatado pela Justiça ainda na sexta-feira (25), até o início da tarde desta segunda não havia recebido qualquer comunicação. A enorme repercussão do caso da agressão à professora, ocorrida no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) de Indaial foi um dos assuntos mais comentados da semana passada e resultou em reportagens especiais nos programas dominicais das principais emissoras de TV do país.  Tanto no "Fantástico", da Rede Globo, como no "Domingo Espetacular", da Record, a mãe e o menor deram entrevistas onde as constantes agressões que o mesmo enfrentou na infância e presenciou a mãe sofrer são citados como justificativa para o comportamento violento atribuído a ele. As reportagens foram exibidas quase que simultaneamente. J. teria sido hospitalizado quando bem pequeno depois de uma surra do pai alcoólatra. Tanto que a mudança da família, que seria paranaense mais vivia no Mato Grosso, para Indaial foi justamente para fugir da violência.
Professora Marcia Friggi com o sangue escorrendo pelo rosto, depois de ser agredida na sala da diretoria do Ceja de Indaial | Foto Reprodução/Facebook/OCP
Embora o programa "Fantástico" da Rede Globo tenha dito que o adolescente fugiu ao saber que seria internado em um centro de menores, o advogado diz que ele está com medo e por isso não está em casa, mas na casa de amigos e parentes, para se proteger, pois estaria recebendo ameaças.  Valgas disse que assim que receber a notificação para a internação provisória do seu cliente vai entrar com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de Santa Catarina, pois ele considera que uma internação seria prejudicial para o desenvolvimento de seu cliente. Apesar de o adolescente já ter cumprido serviços comunitários por agressão a um colega de escola em abril do ano passado e existir registro de agressão contra a mãe em dezembro e mais uma tentativa de agressão contra um conselheiro tutelar neste ano, o advogado diz que seu cliente nunca recebeu atendimento especial. "Justificar a omissão do Estado no passado com internação provisória, medida extremamente drástica, é um ato lamentável que traria consequências irreversíveis." Em entrevista ao jornal "Diário Catarinense", na sexta-feira (25), ele chegou a dizer que quer mostrar às pessoas que não é um monstro. Mas quando questionado sobre os outros casos de agressão que já protagonizou ele se limitou a dizer: "Isso eu não sei explicar". O delegado de Polícia Civil de Indaial, José Klock, diz que o caso é gravíssimo e lembrou que a consequência poderia ter sido muito pior para a professora, que se recupera em casa e pretende voltar à sala de aula. LEIA MAIS: - Promotoria pede internação provisória de adolescente que agrediu professora em Indaial - “Deselegância” de professora foi estopim para a agressão, diz aluno em depoimento - Patricia Moraes | A era do ódio: quando a agredida vira alvo de xingamentos