O Conselho Tutelar de Schroeder recebeu 25 denúncias de abuso sexual infantil em 2017. O número é 14% maior do que o registrado no ano anterior, quando foram recebidas 22 denúncias.

O índice é apresentado no Planto Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, que planeja ações para prevenir que esse tipo de crime aconteça nos próximos dez anos.

De acordo com a assistente social do Cras (Centro de Referência de Assistência Social), Thais Aparecida Castioni, o plano surgiu através uma deliberação da Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e já está em andamento.

O projeto começou a ser construído em 2017 e contou com representantes dos diversos órgãos e entidades que fazem parte da rede de proteção da criança e do adolescente.

São contemplados seis eixos estratégicos e ações: análise da situação; mobilização e articulação; defesa e responsabilização; atendimento e prevenção; protagonismo juvenil; monitoramento e avaliação.

Os eixos possibilitam o estudo e o entendimento do problema da violência sexual. Além de promover campanhas, aumentar o combate à impunidade e a participação dos jovens nas políticas de prevenção. Também serão feitos o monitoramento e avaliação das ações.

“Esses objetivos e ações vão ajudar a colocar em prática o enfrentamento à violência sexual infanto-juvenil. A gente já vem fazendo bastante ações preventivas de panfletagem, articulação com as escolas, com a saúde, que são locais que acabam recebendo essas denúncias”, comenta a assistente social,

Ela ainda ressalta que esses locais também servem como órgãos de proteção, pois as crianças precisam saber com quem podem contar, quais são as pessoas de confiança para conversar sobre abusos.

Capacitação e conscientização

Os professores e profissionais de saúde precisam ser capacitados para abordar da maneira correta crianças vítimas de abuso. Thais explica que é preciso preparar uma acolhida especial para a criança.

Em 2017, as assistentes sociais foram em todas as escolas do município para conversar com as crianças, com atividades lúdicas que tornaram a abordagem ainda mais leve. Muitos dos alunos já conheciam as profissionais de outras atividades desempenhadas sistematicamente.

As campanhas e ações junto às unidades escolares e unidades de saúde já apresentam um resultado efetivo no enfrentamento à violência sexual contra menores.

O próprio aumento no número de denúncias é um indicador de que a conscientização das crianças sobre as situações que configuram esse tipo de crime está dando certo. “Antes, essas informações não chegavam. A violência sexual é muito velada. É um verdadeiro tabu falar sobre isso”, ressalta.

Dificuldades nas denúncias

A grande dificuldade para a descoberta dos casos de violência sexual contra menores é a efetivação da denúncia contra o autor do abuso. De acordo com o relatório "Olhos que não querem ver", da ONG Save the Children, no mundo, apenas 15% dos casos de violência sexual contra menores de idade são denunciados.

O documento também afirma que a idade média do primeiro abuso acontece entre nove e dez anos, mas os casos podem envolver crianças com menos de um ano de idade.

Para Thais, um dos fatores complicadores do combate à violência sexual contra menores é que o crime acontece dentro do âmbito familiar. A maior parte dos casos envolve algum parente ou alguém muito próximo do núcleo familiar da vítima. A confiança faz com que os autores dos abusos cometam o crime quando as crianças estão sozinhas. Ameaças de morte contra os pais também é um fator que impede a denúncia.

Outro fator que dificulta a denúncia dos casos é a vergonha que o menor sente em falar dos abusos. A criança ainda está descobrindo o seu corpo e o abuso é uma situação que viola a intimidade. Por isso a importância de conscientizar as crianças sobre as situações de abuso e os profissionais para perceber os sinais apresentados pelas crianças.

Abuso sexual infanto-juvenil

  • No mundo, apenas 15% dos casos de violência sexual contra menores de idade são denunciados.
  • A idade média do primeiro abuso acontece entre nove e dez anos, mas os casos podem envolver crianças com menos de um ano de idade.

Fonte: ONG Save the Children

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