O Corpo de Bombeiros Voluntários de Jaraguá do Sul e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atenderam 113 casos de acidentes de trabalho na cidade. Duas das ocorrências que envolveram a queda de trabalhadores em altura acabaram em morte.

José Til, 52 anos, morreu após cair de uma escada na rua Alberto Klitzke, no bairro Rau, no dia 2 de abril deste ano. O caso mais recente ocorreu no dia 28 de setembro. José Henrique de Matos, de 51 anos, morreu após o teto de um galpão ceder na rua José Bauer, no bairro Três Rios do Sul.

Em comum, os dois trabalhadores foram resgatados com traumas cranioencefálicos graves. Após a internação na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital São José, os dois homens não resistiram aos ferimentos e morreram.

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Bombeiro voluntário há 16 anos e especialista em resgate com cordas há sete, o chefe operacional Jackson Silva destaca que os empregadores têm a obrigação de fornecer os equipamentos para os funcionários.

Ele ressalta que os materiais são imprescindíveis para a preservação da vida em caso de acidentes.

Linha de vida

Silva destaca que, se houver alguma situação em que o trabalhador acabe caindo da altura em que está trabalhando, a chamada linha de vida é o que vai garantir que o funcionário não atinja o solo.

A vítima vai ficar pendurada e, no máximo, terá que aguardar o socorro feito pelos bombeiros.

Segundo o bombeiro, é importante o trabalhador ter sempre a linha principal e outra sobressalente, que vai garantir que não atinja o solo caso ocorra o rompimento do primeiro sistema.

“Quanto mais alto, maior o nível de trauma. A pessoa pode atingir as pernas, se cair em pé; o corpo todo, se cair de costas; e ter um trauma no crânio, caso faça o giro e caia de cabeça. Em 16 anos, eu nunca socorri nenhum trabalhador pendurado. Os resgates sempre foram no chão”, comenta o bombeiro voluntário, referindo-se à ausência do equipamento.

Regulamentação

Todo o trabalho realizado a uma altura superior a dois metros precisa de materiais de proteção. Como dito anteriormente, a lei obriga o empregador a fornecer todos os equipamentos de proteção individual (EPIs) e deve ser responsabilizado caso haja um acidente em que o empregado se machuque pela falta dos itens.

Roberto Dalsochio, especialista em acesso com cordas, e Jackson Carlos Carvalho, técnico em segurança no trabalho, atuam em uma empresa que fornece o curso de NR 35 (Norma Regulatória 35), que é o conjunto de regras que normatiza a segurança no trabalho em altura.

Custo menor

Eles relatam que o equipamento com o curso de NR 35, que dura oito horas, custam cerca de 500. O gasto é muito menor comparado ao que o empregador vai gastar em situações decorrentes de acidentes de trabalho, como o afastamento temporário, a invalidez ou até a morte do empregado.

Além dos EPIs como calçado fechado, protetor auricular, óculos e capacete, os trabalhadores que atuam em altura precisam utilizar o talabarte (uma espécie de gancho), o cinturão tipo paraquedista, o trava-quedas e a corda homologada, que pode suportar um peso 1.600 quilos.

“Além da linha fixa, um cabo de aço instalado no galpão, há a linha provisória, que é quando o trabalhador vai prestar um serviço. Há sempre uma maneira do trabalhador se antecipar e evitar o acidente. A nossa empresa faz essa linha de vida fixa, emite um laudo e faz testes para saber o quanto a estrutura suporta”, explica Dalsochio.

Fatores de risco

Um mal-estar ou uma crise de labirintite no momento em que o trabalhador está na altura podem acabar acarretando em um acidente. O Atestado de Saúde Ocupacional, com exames de eletroencefalograma e ecocardiograma, é muito importante para evitar esse tipo de situação.

“Algumas empresas seguem um padrão rigoroso, com aferição de pressão antes do início do trabalho e até o exame do bafômetro. Além disso, as empresas precisam realizar Permissão de Trabalho para Atividade em Altura, em que vai ser verificado se é possível executar o trabalho”, afirma Carvalho.

No documento, serão verificadas as condições climáticas e o tempo necessário para a realização do trabalho. Muitos dos acidentes são causados por variáveis climáticas como o vento e a chuva.

Em outros, o próprio funcionário, por fazer um rápido serviço, acaba não usando os EPIs.

“Muitas vezes o técnico não está perto, o patrão não está perto e fazendo sem os equipamentos vai fazer mais rápido. No ramo da instalação do ar-condicionado, por exemplo, o cara se apoia com barriga na janela. Ele acha que tá fazendo mais rápido, mas pode tá colocando em risco a sua vida e a de terceiros”, destaca Dalsochio.

 

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