Com informações do jornal Notícias do Dia. Treze agentes prisionais, um advogado, além de microempresários e parentes de presos no Presídio Regional de Blumenau, totalizando 39 pessoas denunciadas pelo Ministério Público em vários crimes, foram presas nesta segunda-feira (5) na Operação Regalia, e encaminhadas ao Presídio de Canhanduba, em Itajaí. De acordo com o promotor de Justiça de Blumenau, Flávio Duarte de Souza, os agentes prisionais detidos fazem parte de uma associação criminosa que agia dentro do presídio no período compreendido entre 2014 até este ano. “Quando faltavam drogas em Blumenau, os traficantes iam à unidade prisional buscar maconha”, afirmou o promotor. Os 39 presos foram denunciados por tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, concussão, prevaricação, facilitação de fuga, falsidades e organização criminosa. Ainda de acordo com o promotor, por intermédio de advogados, prostitutas faziam carteira de visita para fazer programas com os detentos. “Quando as prostituas não iam ao presídio, os agentes prisionais levavam os presos no carro do Deap até os prostíbulos”, disse o promotor Flávio Duarte. A investigação policial iniciou em meados de 2014, quando Leandro Antônio Soares Lima (atual secretário adjunto da Justiça e Cidadania), que na época era diretor do Departamento de Administração Penal, foi pedir auxílio para o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) apurar as denúncias de corrupção. “É realmente desolador trabalhar com pessoas assim”, disse Leandro, referindo-se aos agentes prisionais. O diretor do Deic, Adriano Krhul Bine, ressaltou que as fugas eram compradas. “Alguns presos pagavam até R$ 20 mil”. Agentes vendiam vagas para presos trabalharem nas oficinas Quem deveria cuidar da massa carcerária, facilitava a vida dos detentos com benesses, vendendo vagas para eles trabalharem nas oficinas. Assim, saíam do regime fechado para o semiaberto e tinham mais liberdades de trazer drogas para a unidade prisional. Os agentes também são investigados de facilitar as fugas, deixando equipamentos para os detentos cavar túneis. “O material era retirado logo em seguida pelo funcionário público corrupto, para dificultar a investigação policial”, ressaltou o delegado da Divisão de Repressão ao Crime Organizado, Antônio Cláudio Jóca. A corrupção na unidade prisional ocorreu durante a gestão Elenilton Fernandes, que foi substituído por Marco Antônio Elias Caldeira, também afastado, mas por motivos particulares. Atualmente, o presídio está sendo administrado pelo interventor Daniel Sena. O processo contra a quadrilha tramita no Fórum de Blumenau.