Após a decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que manteve sua prisão, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teve um surto de raiva dentro da cela na Penitenciária Federal de Brasília onde está custodiado desde a semana passada.
Na noite de sexta-feira (13), relatos apontam que Vorcaro teria gritado nomes de autoridades e de pessoas de quem possivelmente esperava ajuda ou medidas mais efetivas para tirá-lo da prisão, enquanto desferia socos nas paredes da cela, causando ferimentos nas próprias mãos. O episódio ocorreu após a decisão colegiada confirmar sua detenção preventiva no âmbito da operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras e obstrução de Justiça.
Segundo fontes que acompanham o caso, o comportamento reforçou especulações sobre a possibilidade de delação premiada, com Vorcaro ameaçando “trazer todos juntos” com ele. Vorcaro precisou de atendimento médico, e a penitenciária teria registrado o episódio como um surto emocional, em meio a um clima de tensão envolvendo chefes de facções criminosas também abrigados no presídio de segurança máxima.
Naquela mesma noite, Vorcaro recebeu a visita do seu novo advogado no caso, José Luís Oliveira Lima, conhecido em Brasília por grandes articulações de acordos de delação premiada.
Essa foi a segunda prisão de Vorcaro. Ela foi determinada pelo ministro André Mendonça, que justificou a necessidade de impedir que ele interferisse nas investigações e intimidasse testemunhas, já que mensagens e provas coletadas apontariam, segundo o magistrado, para a existência de um grupo de operadores que teria atuado para obstruir a Justiça, inclusive com o uso de violência física. A defesa do ex-banqueiro ainda não se pronunciou sobre o episódio. Com maioria pela manutenção da prisão, Vorcaro segue no presídio até o encerramento das diligências.
Veja o perfil do novo advogado de Vorcaro
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou a ser conduzida por um dos criminalistas mais conhecidos do país, José Luís de Oliveira Lima. Com mais de três décadas de atuação na advocacia criminal, o advogado construiu carreira representando empresários, executivos e figuras políticas em processos de grande repercussão nacional. Conhecido no meio jurídico como “Juca”, ele ganhou projeção ao atuar na defesa do ex-ministro José Dirceu no julgamento do escândalo do Mensalão, no Supremo Tribunal Federal.
Anos depois, também integrou a equipe responsável pela defesa do general Walter Braga Netto em processos ligados à investigação sobre a suposta tentativa de golpe de Estado.
O advogado também tem trajetória destacada em entidades da classe, tendo presidido a Comissão de Direitos e Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo, além de ter sido conselheiro da instituição e presidente da Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo.
Ao longo da carreira, consolidou reputação como especialista em direito penal econômico e em casos complexos com repercussão política e empresarial, sendo frequentemente citado entre os principais nomes da advocacia criminal no Brasil.
* Com informações da Gazeta do Povo.