Uma ampla mobilização de lideranças políticas, regionais e municipais marcou a defesa da inclusão do trecho ferroviário EF-485, que liga São Francisco do Sul a Mafra, no Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para implantação do transporte ferroviário de passageiros no Brasil. A iniciativa foi formalizada por meio de ofício encaminhado à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com apoio de representantes políticos e entidades da região, em uma mobilização que une três importantes associações municipais de Santa Catarina, a Amunesc (Associação de Municípios do Nordeste de Santa Catarina), a Amplanorte (Associação dos Municípios do Planalto Norte Catarinense) e a Amvali (Associação dos Municípios do Vale do Itapocu).
Nesta quarta-feira (10), em Brasília, foi dado um novo passo com a realização da reunião com a ANTT, que contou com a participação do presidente da Frente Parlamentar Catarinense em Defesa das Ferrovias, deputado estadual Ismael dos Santos, dos senadores Esperidião Amin e Ivete da Silveira, além da Secretaria de Estado de Articulação Nacional do Governo do Estado em Brasília, representada pela secretária-executiva Vânia de Oliveira Franco. Também integraram o grupo o prefeito de Corupá, Eddy Edgard Eipper, o presidente da Amunesc e prefeito de Rio Negrinho, Caio Treml, e a secretária-executiva da entidade, Simone Schramm.
O pleito solicita que a ANTT e a Infra S.A. considerem a inclusão da EF-485 no contrato que atualmente contempla estudos de viabilidade para seis corredores ferroviários de passageiros em diferentes regiões do país. A proposta é avaliar o potencial de retomada do transporte ferroviário de passageiros em uma malha que atravessa dez municípios catarinenses e atende uma população estimada em 1,1 milhão de habitantes.
A ferrovia possui aproximadamente 170 quilômetros de extensão e desempenha papel estratégico na logística nacional, conectando importantes polos industriais e produtivos ao Porto de São Francisco do Sul. Atualmente utilizada exclusivamente para transporte de cargas, a linha já operou serviços de passageiros entre 1906 e a década de 1980. A infraestrutura permanece preservada, o que fortalece as perspectivas de análise para uma futura reativação.
Para o presidente da Amunesc, a inclusão da EF-485 no estudo representa uma oportunidade de ampliar as alternativas de mobilidade regional, reduzir a dependência do transporte rodoviário e contribuir para o desenvolvimento econômico, turístico e ambiental do Norte e Nordeste catarinense. “A proposta demonstra a união dos municípios em torno de uma pauta estratégica para o futuro da região, além de estimular futuras parcerias público-privadas para viabilizar a operação ferroviária de passageiros em complementaridade ao transporte de cargas”, comenta Treml.
A expectativa das lideranças é que o Governo Federal, por meio da ANTT e da Infra S.A., reconheça o potencial do corredor ferroviário catarinense e inclua o trecho nos estudos nacionais em andamento, abrindo caminho para uma nova fase da mobilidade regional sobre trilhos.

Foto: Divulgação/Amunesc
Próximos passos
Durante o encontro, técnicos da ANTT esclareceram que a malha ferroviária do trecho é considerada ativa e que a mobilidade de passageiros pode fazer sentido sob a ótica regional. Destacaram que carga e passageiros compartilham capacidade de infraestrutura, sendo necessária a definição contratual e operacional adequada, cabendo à ANTT atuar como regulador, mediador institucional e ente técnico.
Também foi lembrado que a legislação ferroviária prevê o regime de autorizações ferroviárias, o que permite investimentos privados em determinados contextos. Nesse ponto, foi sugerida a avaliação de arranjos envolvendo consórcio de empresas, municípios e demais interessados para estruturar estudos de demanda, modelagem financeira e proposta de operação. Foi mencionado ainda, que atualmente existem dezenas de contratos/autorização no setor ferroviário, que podem envolver diferentes arranjos federativos e regulatórios exigindo análise específica do DNIT, do Estado e da ANTT.
A carta/ofício apresentada pelos interessados foi protocolada na ANTT, gerando o processo SEI nº 50500.036598/2026-50 e a demanda foi encaminhada às áreas técnicas competentes, especialmente Sucon e Sufer, para análise e manifestação. Os interessados devem complementar o processo com estudos locais de demanda, informações sobre polos geradores de viagens, horários pretendidos e eventuais propostas de arranjo institucional/financeiro.