O projeto de lei “Creche e Saúde Já”, de autoria da Prefeitura de Florianópolis, provocou um clima de tensão entre os vereadores, logo após ser lido em plenário na sessão desta segunda-feira (09) da Câmara Municipal da Capital. O projeto, que autoriza o município estabelecer parcerias com Organizações Sociais (OS) para fazer a gestão da UPA 24 horas do Continente e de 10 novas creches que estão em construção na cidade, chegou à Câmara embalado por peças publicitárias nos veículos de comunicação. Nos comerciais, o Executivo municipal indica que a solução para a abertura da UPA e das creches só será possível através das parcerias com as OS e que, para tanto, é necessário a aprovação do projeto pelos vereadores. O tom da publicidade irritou a oposição, principalmente na parte onde o comercial pede que a população acompanhe a tramitação do PL. “É um desrespeito completo. Acho que nunca aconteceu esse tipo de ataque contra a Câmara”, disparou o vereador Vanderlei Farias, o Lela (PDT), do bloco de oposição. O vereador Roberto Katumi (PSD), líder do governo, rebateu. “Isto é uma contradição. Quando um projeto interessa à oposição vocês são os primeiros a chamarem a população para acompanhar e pressionar a Câmara”. A partir desta discussão o clima esquentou. O vereador Afrânio Bopré (PSOL) partiu, em voz alta e dedo em riste, em direção ao presidente da Casa, Guilherme Pereira (MDB). A atitude foi contestada por Gui Pereira, que se levantou da cadeira da presidência, exigindo que Afrânio abaixasse o dedo. Outros vereadores intervieram e a sessão foi interrompida por 5 minutos. No retorno, com ambiente menos pesado, o tema seguiu em debate na tribuna até o final de sessão.  E promete novas discussões durante a sua tramitação, que será em regime de urgência e terá 45 dias para a sua aprovação ou rejeição. KATUMI DIZ QUE NÃO HÁ OUTRA OPÇÃO E BOPRÉ COBRA IMPACTO FINANCEIRO A discussão sobre o projeto “Creche e Saúde Já” promete seguir acalorada nos próximos dias, tanto nas sessões em plenário quanto nas comissões de mérito.   O líder do governo, Roberto Katumi, não vê solução. “A população não quer saber se será a prefeitura ou OS. Quer ver seus filhos nas creches e médicos trabalhando nas UPAs”. Katumi lembra que a saída foi a mesma encontrada por governos de outras em cidade. “O Fernando Haddad (PT) fez o mesmo em São Paulo”, comparou. O oposicionista Afrânio Bopré pede maior esclarecimento do impacto financeiro que o projeto vai causar aos cofres públicos. De posse de um parecer assinado pelo Secretário Municipal da Administração, Everson Mendes – que garante não haver impacto na sua pasta – Afrânio cobra: “Queremos saber é do impacto na prefeitura como um todo. Isto o prefeito precisa explicar”.