O Plenário Victor Bauer foi centro de um debate sobre a necessidade da expansão de horários das UBSs, as Unidades Básicas de Saúde, em Jaraguá do Sul. Na sessão de terça-feira (17), os vereadores apontaram dificuldades enfrentadas pelos moradores de algumas regiões e a preocupação causada pela situação na saúde do município.
A discussão foi levantada por conta da moção de autoria dos vereadores Sirley Schappo (Novo) e Cani (PL), que pede a extensão do tempo de atendimento na UBS Germano Sacht, no bairro João Pessoa, até as 22h. O texto afirma que o atual horário de funcionamento, das 7h às 11h30 e das 12h30 às 16h30, prejudica o acesso de parte dos moradores da região a serviços de saúde e que o bairro fica muito distante de outras unidades que oferecem o atendimento estendido.
A vereadora Sirley Schappo reforçou a justificativa na tribuna. “E fica a pergunta: mas por que para a região do João Pessoa? Porque hoje nós ainda temos cinco UBSs em horário estendido”, argumentou. Segundo ela, há uma média de 14 mil habitantes na região do bairro João Pessoa, que também inclui aos bairros Santa Luzia, Vieira e Centenário.
As UBSs que ficam abertas até as 22h são Águas Claras/Figueira 2, Barra do Rio Cerro, Centro, Estrada Nova e Vila Lenzi. “Como [os moradores do João Pessoa] vão ter condições de se deslocar? Porque a que ficaria mais próxima para eles seria a do Centro ou a da Figueira, e é muito longe”, explicou a parlamentar.
O vereador Jonathan Reinke (União) se queixou pelo que, segundo ele, é um baixo investimento do município nas UBSs, em especial pela diminuição de horário. “É difícil falar para a comunidade a partir do momento em que se entrega uma situação, se entregam unidades com horário estendido e depois se tira isso da comunidade, sendo que é um benefício de que todos usufruíam e que funcionava muito bem”, argumentou.
Para o parlamentar, o horário estendido é essencial, em especial até o processo para construção do Pronto Atendimento da Barra não ser concluído.
O vereador Cani, um dos autores da moção, questionou as ações da Prefeitura. “No período em que fecharam o horário estendido dos postos de saúde, das UBSs, vários vereadores aqui — aliás, todos os vereadores — se manifestaram contrários a esta ideia, tendo em vista que deu a impressão de ter sido apenas um projeto eleitoreiro em época de campanha. Tenho certeza de que, se hoje fosse época de campanha, novamente seriam reabertas”, declarou.
Em seguida, o vereador Osmair Gadotti (MDB) rebateu a afirmação de Cani e garantiu que a discussão foi amplamente debatida no Plenário à época. “Um dos postos de saúde que veio a ter o seu horário estendido foi o de Nereu Ramos, que hoje está lá fechado. Temos os bairros adjacentes sem atendimento nenhum. Se alguém quiser, tem que vir aqui na Estrada Nova ou aqui no Rau para poder ser atendido”, destacou.
Gadotti ainda expressou preocupação pelo afluxo de pacientes para o Hospital São José no período noturno como consequência da medida. O vereador destacou que o atendimento estendido foi fruto de trabalhos do Legislativo.
O vereador Almeida (MDB), durante a discussão, colocou a fala de Cani dentro do contexto da medida que diminuiu os horários de atendimentos das UBSs. “E o que o vereador Cani destaca é que esta medida — embora possam existir justificativas no aspecto econômico para a redução do horário estendido —, esse remédio amargo, vamos assim dizer, veio semanas após a eleição. E, nesse aspecto […], nós, vereadores, que estamos na ponta, próximos da comunidade, fomos bombardeados e cobrados”, afirmou.
Ele ainda assegurou que isso gera um mal-estar e que a Secretaria de Saúde deve reanalisar as medidas, assim como a quantidade de médicos na rede municipal. Segundo Almeida, há mais de 900 crianças no aguardo para consulta com cardiopediatra, e isso motiva a possível realização de uma audiência pública.
Cani reforçou seu argumento em seguida. “O Executivo aceitou justamente no período de eleição o horário estendido nas UBSs e, meses depois das eleições, vem a romper esse trabalho tão bom que estava sendo feito nos bairros. Não tem como eu entender de outra forma, a não ser como um projeto eleitoreiro por parte do Executivo”, salientou.
O vereador finalizou sua fala com um pedido de apoio dos pares para que a moção avançasse no Plenário. O objetivo da proposta é sensibilizar a Prefeitura para deficiências percebidas pela população na estrutura de saúde no município. Agora, o documento depende de análise por parte do Executivo.