Reeleita para o terceiro mandato consecutivo e fazendo 2.789 votos, mesma quantidade conquistada em 2008 quando foi a vereadora mais votada de Jaraguá do Sul, Natália Petry (PMDB) considera o resultado destas eleições como uma validação e aprovação do eleitor ao trabalho que vem desenvolvendo na Câmara de Vereadores. Por conta de questões políticas, acredita Natália, alguns de seus projetos apresentados na Casa, especialmente neste ano, não chegaram a ter continuidade e encontram-se parados. Um deles é o projeto Parada Segura, que prevê o desembarque do transporte coletivo fora dos pontos de ônibus para mulheres e idosos no período das 22h às 5h. Para esta próxima legislatura, a parlamentar pretende reapresentar as matérias que estão na mesma situação, que julga serem importantes para a comunidade, assim como irá acatar as demandas que surgirem durante os próximos quatro anos. Professora, formada em Educação Física, Natália possui experiência também no Executivo, tendo assumido diretorias como de eventos, na Fundação Municipal de Esportes, assim como foi presidente da Fundação Cultural - local escolhido pela vereadora para a entrevista -, tendo sido responsável por tirar da gaveta o projeto de revitalização do Centro Histórico. A participação na política começou em 2004, quando concorreu pela primeira vez ao cargo, elegendo-se como primeira suplente e assumindo a cadeira por duas oportunidades. Depois de doze anos nessa trajetória, Natália afirmou que esta foi sua última participação como candidata a vereadora. “Se eu tiver oportunidades em outro projeto futuramente, meu nome vai estar à disposição do partido. Caso contrário, eu vou encerrando por aqui”, afirma. ENTREVISTA Desde o seu primeiro mandato, a senhora sempre teve uma bandeira principal, que ainda mantém, ou a cada legislatura varia conforme a realidade do município? Sempre me coloco como uma vereadora do município, acho um pouco arcaica a cultura de que vereador é de bairro, isso não é possível, somos 11 vereadores e são 38 bairros, então se um vereador não tem esta visão, deixamos de prestigiar várias comunidades. Eu tenho sido uma vereadora de presença constante em todas as comunidades, diariamente e nos fins de semana. Na Câmara tenho acatado várias demandas, de todas as áreas, é só verificar minha atuação legislativa. São quase mil indicações nas duas legislaturas, e que abrangem todas as comunidades e bairros. Nossos projetos de lei são abrangentes, por exemplo, o projeto da área de segurança escolar. Não fiz para uma escola ou comunidade apenas, é para todas. O projeto da fiação (que regulamenta a identificação e remoção de fios e cabeamentos) que infelizmente foi rejeitado, mas vou reapresentar, é de interesse coletivo, basta olhar o tanto de fiação que tem solta, e o perigo que isso está causando, além de ser esteticamente feito. O projeto da parada segura visa oferecer segurança a mulheres e idosos no período das 22h às 5h, e é um projeto de iniciativa popular, o Comdim (Conselho Municipal dos Direitos da Mulher) nos trouxe essa demanda e é um projeto que também vai atender toda a comunidade. Ficaram mais algumas demandas para este próximo mandato? Pretende retomar algo que ficou? O projeto da parada segura, que está parado no Legislativo, por questões políticas, acredito, está desde março na Câmara e não veio apreciação ainda; o projeto da fiação, já estamos conversando com gerente da Celesc, ele tem o maior interesse que esse projeto seja aprovado. O projeto que cria a Escola do Legislativo na Câmara de Vereadores, que também está parado. Esse projeto visa fortalecer o setor educacional da Câmara, que já possui o Vereador Mirim e o Câmara.com Você, criando outras ações que favoreçam a comunidade. Esse projeto traz a possibilidade de os vereadores fazerem os cursos aqui no próprio município, a Câmara pode oferecer cursos aqui e fazer economia com viagens e diárias, e também proporcionar capacitação aos funcionários assim como abrir para a comunidade. Vou levar adiante as ações que entendo necessárias e importantes, além de outras demandas que virão e que nós também iremos tratar de forma adequada quando surgirem. Há uma expectativa positiva agora que serão sete vereadores da base? Tenho uma expectativa de que esta nova Câmara tenha sido composta por vereadores mais coerentes, com exceção de um vereador que permaneceu. Mas os que foram eleitos, alguns já estiveram na Câmara comigo em outros mandatos, sempre foram coerentes, parceiros, e os que foram eleitos da nossa base tenho esperança de que são vereadores que vão legislar em favor de boas causas. Novamente a senhora foi a única mulher eleita. Como você enxerga essa questão? Aumenta a responsabilidade, já que a maioria do eleitorado de Jaraguá do Sul é mulher? Eu entendo que a função pública deve ser exercida por quem tem vocação, porque chega a ser quase uma vocação a gente se colocar a serviço do povo. Você tem que querer ser pessoa pública, ter caráter, ter comprometimento e trabalhar com seriedade em favor das causas que são de interesse da coletividade, e aí não interessa se é homem ou se é mulher. Mas eu acredito que ter mais mulheres na vida pública traria maior equilibro às discussões, aos encaminhamentos. Mas quero fazer uma reflexão, por que será que nós nunca temos mais mulheres se nós somos a maioria em número de eleitoras? Este ano tivemos excelentes candidatas, na sua maioria com formação de nível superior. Por que será que as mulheres não se unem para eleger mais mulheres? Ou a população em geral, seja homem ou mulher, porque eu tenho muitos eleitores homens. Eu não faço apelo só à mulheres, que poderiam direcionar os votos a candidatas para ter mais representatividade, mas faço um apelo à comunidade em geral: por que não adotar a postura de votar em mulheres? Nesta eleição, 46 candidatas receberam apenas 12 mil votos dos 114 mil disponíveis, é um número reduzidíssimo. Falta um olhar diferenciado de toda a sociedade para a participação da mulher na política.