Unicef: objetivos de desenvolvimento sobre crianças estão atrasados

Foto: Pixabay

Por: Pedro Leal

18/09/2023 - 09:09

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertou nesta segunda-feira (18) que dois terços dos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de 2030 relacionados com os direitos e bem-estar das crianças estão consideravelmente atrasados e põem em risco 1,9 bilhão de menores em 140 países.

As informações são da emissora portuguesa RTP.

“A meio caminho dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2030, dois terços dos indicadores relacionados com crianças estão atrasados para alcançar suas metas”, avisou o fundo Unicef em seu mais recente relatório, divulgado na véspera da Cúpula dos ODS e do debate anual da 78ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorrem nesta terça-feira (19) em Nova York.

O documento “Progressos no bem-estar das crianças: centrar os direitos da criança na Agenda 2030” indica a necessidade de aceleração histórica para cumprir os ODS, “só possível se o mundo colocar as crianças no centro das agendas nacionais”.

Segundo o relatório, até agora apenas 6% da população infantil (ou 150 milhões de crianças) em 11 países têm contempladas 50% das metas, o que corresponde ao nível mais alto de realização em nível global.

“Se os progressos previstos se mantiverem, apenas um total de 60 países – que abrigam apenas 25% da população infantil – terão alcançado as suas metas até 2030, deixando para trás cerca de 1,9 bilhão de crianças em 140 países”, adverte o relatório.

Os critérios dos ODS foram adotados pelos Estados-membros da ONU em 2015 com o objetivo de acabar com a pobreza, reduzir as desigualdades e construir sociedades mais pacíficas e prósperas até 2030.

Os objetivos relacionados com a proteção, aprendizagem e uma vida sem pobreza são os mais distantes de suas metas, indica o relatório, lembrando a interrupção ou reversão de anos de progressos devido aos efeitos de crises como a pandemia de Covid-19 – que contribuiu diretamente para uma quebra histórica nos serviços de imunização e na aprendizagem nos países de baixo rendimento -, as alterações climáticas e crises econômicas.

O relatório deixa claro que, para alcançar as metas de 2030, os países atrasados terão de acelerar o progresso para níveis “historicamente sem precedentes”.

A entidade destaca, no caminho do cumprimento da Agenda 2030, compromissos políticos e aumento significativo da despesa em áreas como a saúde, a educação e a proteção social, metas ambiciosas, realistas e adaptadas aos contextos locais, prioridade ao conhecimento e estabelecimento de parcerias sólidas.

A organização aponta ainda o investimento na mitigação das alterações climáticas e construção de um planeta habitável e opções inovadoras em sistemas financeiros que funcionem.

 

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Pedro Leal

Analista de mercado e mestre em jornalismo (universidades de Swansea, País de Gales, e Aarhus, Dinamarca).