Um misto de pesar e esperança marcou a audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Blumenau, para discutir a escalada da violência contra as mulheres no estado.

Pouco antes do início do evento, realizado na tarde desta segunda-feira (24), no auditório da biblioteca da Furb, houve a confirmação do 28º caso de feminicídio em território catarinense neste ano, ocorrido horas antes, desta vez em Chapecó.

A parte positiva foi o relato de uma ação da Polícia Civil no combate a esse crime: o programa "Polícia Civil por Elas”, que já é desenvolvido em municípios como Florianópolis, Tubarão e Joinville, com resultados positivos.

Segundo a delegada Patrícia Maria Zimmermman D´Avila, que coordena as Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPECAMIs) em Santa Catarina, os homens não ficam presos a vida inteira e retornam ao convívio social. A ideia é fazer um acompanhamento posterior ao crime.

“Temos a experiência de alguns anos atrás na 6ª Delegacia da Mulher, em Florianópolis, onde esse acompanhamento mostrou que o índice de reincidência não chegou a 20%. Nossa ideia é acompanhá-los para ver a maneira como eles estão tratando essa questão dos relacionamentos, o controle da raiva, das emoções. Em todos os casos de feminicídios, há um histórico de ameaças anteriores. O nosso objetivo é intervir nesse momento, não deixar a violência se agravar e não deixar que ela chegue ao feminicídio”, explicou.

Foto Rodolfo Espínola/Agência AL

Ações de prevenção

Na ocasião, Patrícia comentou a relevância do projeto “Espelho Meu”, que trabalha a autoestima e a confiança da mulher, além do empoderamento feminino. “Hoje, muitas mulheres, até por não confiarem em ter uma vida sem o parceiro, acabam não rompendo o círculo de violência ao qual são submetidas. Quando a gente trata da autoestima, que vai além do ponto de emprego e renda, a gente deixa essas mulheres mais fortes para o enfrentamento”, contou a delegada.

Atualmente, algumas escolas de Itajaí já desenvolvem abordagens para o enfrentamento à violência. A ideia é trabalhar com os adolescentes as questões do respeito entre homem e mulher, do relacionamento entre as pessoas, para mudar o comportamento precocemente e evitar futuros agressores. A ação deve ser expandida para toda a rede de ensino de Santa Catarina.

Ainda de acordo com a delegada, é preciso que a polícia se aprimore cada vez mais no atendimento às vítimas, principalmente com a escuta sigilosa, qualificada e não julgadora.

“A mulher tem que ser ouvida em uma sala apropriada, com profissional atento a ouvir o relato da violência, porque o que temos visto hoje é que, muitas vezes, a mulher não percebe a posição de risco [que vive]. E ela está em uma posição de risco tamanha que, se a gente não trabalhar preventivamente, não alertarmos essa mulher, ela acaba morrendo”, concluiu.

Foto Rodolfo Espínola/Agência AL

Proponente das audiências públicas macrorregionais realizadas pela Comissão de Direitos Humanos da Alesc, a deputada Marlene Fengler (PSD) destacou que as informações trazidas nos encontros de Blumenau, Joinville e Florianópolis fornecem importantes subsídios para enfrentar e minimizar os casos de violência contra as mulheres.

“Temos que conhecer o que motiva os crimes, saber se os números subiram de fato ou se as mulheres estão denunciando mais. É muito bacana ver que existe uma série de ações em andamento por parte da Polícia Civil, Polícia Militar, OAB, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Ministério Público de Contas, Estado e municípios. Cada um desenvolvendo ações porque entenderam que esse é um problema de toda a sociedade e que todo mundo tem que fazer a sua parte”, argumentou.

*Com informações da Agência AL

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