“Sociedade não tem que saber como é que vota um ministro do STF”, diz Lula

Foto: Ricardo Stuckert/Secom

Por: Pedro Leal

05/09/2023 - 12:09 - Atualizada em: 05/09/2023 - 12:17

Após críticas de sua base eleitoral aos votos do seu indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, em sua live semanal desta terça (5), que os votos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não sejam divulgados e que apenas os placares das votações se tornem públicos.

As informações são do portal Metropoles.

Zanin tem encarado fortes críticas da esquerda por seus votos, que não tem seguido pautas da ala progressista. Lula não citou o nome de Zanin e disse que seu discurso tem relação com a segurança dos magistrados.

“Se eu pudesse dar um conselho, é o seguinte: a sociedade não tem que saber como é que vota um ministro da Suprema Corte”, disse Lula, na live semanal. “Acho que o cara tem que votar e ninguém precisa saber… votou, a maioria [ganha]. 5 a 4, 6 a 4, 3 a 2… não precisa ninguém saber se foi o Uchôa que votou, se foi o Camilo que votou”, seguiu Lula, referindo-se ao jornalista Marcos Uchôa e ao ministro Camilo Santana, da Educação, que estavam presentes na live.

“Porque aí cada um que perde fica com raiva, cada um que ganha fica feliz. Então, para a gente não criar animosidade, eu acho que era preciso começar a pensar se não é o jeito de a gente começar a mudar o que tá acontecendo no Brasil, porque do jeito que vai, daqui a pouco um ministro da Suprema Corte não pode mais sair na rua, não pode mais passear com a sua família, porque tem um cara que não gostou de uma decisão dele”, concluiu o presidente.

Em apenas um mês na corte, o ex-advogado de Lula nos processos da Lava Jato foi o único ministro a votar desfavoravelmente quanto a equiparar atos contra a população LGBTQIA+ ao crime de injúria racial; manteve uma condenação que não reconhecia a insignificância de um furto de bens que valiam R$ 100; votou contra a descriminalização do porte de drogas para consumo e contra o reconhecimento de violações de direitos de indígenas. O único voto seguindo os anseios da militância progressista foi pelo não reconhecimento de um Marco Temporal para a demarcação de Terras Indígenas.