Um sistema da Agência Nacional do Cinema (Ancine) foi alvo de um ataque hacker na segunda-feira (12), quando uma página com mensagens políticas favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a ser exibida no ambiente digital da instituição.
A invasão atingiu o painel de acesso ao Sistema Ancine Digital (SAD), e não a página inicial da agência. O conteúdo inserido pelos responsáveis pelo ataque incluía uma página identificada como “22.html”, em referência ao número eleitoral de Flávio Bolsonaro.
A tela adulterada apresentava ataques preconceituosos contra a população nordestina, críticas às universidades públicas e manifestações de apoio à direita conservadora, aos Estados Unidos e a Israel. Também havia mensagens que questionavam antecipadamente a legitimidade do resultado eleitoral caso Flávio Bolsonaro não vencesse a disputa, atribuindo uma eventual derrota a uma suposta interferência da China.
Uma montagem ao fundo mostrava Flávio Bolsonaro fazendo o gesto conhecido como “arminha”. A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) aparecia segurando um chicote, enquanto um mapa da região Nordeste era exibido em vermelho.
O registro da página invadida foi recuperado por meio da Wayback Machine, ferramenta que permite consultar versões anteriores de páginas da internet.
Ataque anterior
A Ancine já havia registrado outro incidente cibernético em junho de 2026. Na ocasião, uma invasão expôs uma base de dados de pessoas e empresas com informações disponíveis até 2019, incluindo nomes, CPF ou CNPJ e dados de contato.
Na época, a agência classificou o episódio como de baixo risco, alegando que os dados eram antigos e estavam desatualizados. Segundo a instituição, informações protegidas por sigilo fiscal não foram expostas. O caso foi comunicado ao Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo (CTIR.Gov), à Receita Federal e à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Até a publicação da reportagem original, a Ancine não havia se manifestado sobre o novo ataque. Os gabinetes de Flávio Bolsonaro e de Júlia Zanatta, assim como a Presidência da República, também foram procurados e tiveram espaço aberto para apresentar esclarecimentos.
* Com informações da Gazeta do Povo.