"Estão nos tratando como se fôssemos um lixo, como se a gente tivesse chegado no serviço público por boquinha. Não, nós passamos por um concurso público, um processo seletivo, e este prefeito tenta nos denegrir e nos encaixar como incompetentes, como se nada fôssemos, e a gente sabe que a sociedade só funciona com serviço público de qualidade", desabafou o servidor público municipal João dos Reis, que está sofrendo processo administrativo movido pelo prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli, em decorrência da greve de 32 dias. O movimento, que teve cerca de 70% de adesão, foi protagonizado por servidores insatisfeitos com cortes promovidos pela administração, com aval da Câmara de Vereadores. Segundo os servidores, as medidas além de reduzir vencimentos mensais com cortes de benefícios, acabam com o plano de carreira da categoria. Na plenária do Cejas/Acijs desta segunda-feira (24), João perdeu a paciência diante do que classifica como desrespeito com que o prefeito trata o servidor. Ele integrava grupo que servidores que acompanhava a prestação de contas dos primeiros 100 dias de mandato do prefeito Lunelli e secretariado, quando o prefeito, diante de uma pergunta, levantou-se e fez críticas aos servidores. Segundo o servidor, as críticas demonstram desconhecimento do prefeito em relação ao serviço público. Em uma das falas, sob o argumento de que há uma lei para reger o funcionalismo, o prefeito disse então que "a lei está errada". "O setor público está falido e o câncer chama-se estabilidade", disse o prefeito, diante de outros comparativos que provocaram a ira e reação dos servidores presentes (o acesso foi controlado, com a identificação de cada um). Leia mais: Não existe plano B, diz prefeito, sobre ajustes na gestão pública Leia mais: Lunelli se espelha na iniciativa privada para administrar Jaraguá do Sul Leia mais: Com plateia dividida, prefeito Antídio Lunelli faz balanço na Acijs Lunelli também voltou a criticar o número de afastamentos de servidores doentes - "passou o estágio probatório, é atestado em cima de atestado", ironizou. Disse ainda que a Prefeitura gasta mais com a manutenção de uma criança em um Centro de Educação Infantil do que outra que está em creche particular, criticou as férias e a carga horária do servidor. Afirmou, por fim, que a Prefeitura é uma das que melhor paga em Santa Catarina. Até o momento, o prefeito ofereceu reajuste zero para a categoria, que está em campanha salarial e tem data-base em abril. Ele não acenou nem com a reposição da inflação.  "Os que não estão contentes dentro da Prefeitura que peçam a conta e vão procurar emprego em outro lugar", finalizou. A assessoria do prefeito diz que ele não deve se manifestar oficialmente sobre o ocorrido, já que há um processo pessoal dele contra o servidor que o questionou, por ofensas e ataques pessoais durante a greve.  *Com informações da assessoria de imprensa do Sinsep