A Secretaria Municipal de Saúde de Jaraguá do Sul realizou, em audiência pública na Câmara Municipal, a prestação de contas referente ao terceiro quadrimestre de 2025, apresentando um panorama detalhado das ações, atendimentos, investimentos e projetos desenvolvidos no período.
A audiência foi conduzida pelo presidente da Comissão de Saúde e Assistência Social, vereador Jonathan Reinke (União) e a apresentação foi liderada pelo secretário municipal de Saúde, Rogério Luís da Silva, que destacou a evolução de indicadores, a ampliação de serviços e o fortalecimento das políticas públicas de saúde no município.
Logo na abertura, o secretário contextualizou a estrutura da rede municipal, que atualmente conta com 796 servidores, distribuídos em 43 equipes de saúde, além de 28 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), duas policlínicas, três Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e cinco unidades com horário estendido até às 22h. A rede também dispõe de seis farmácias básicas, Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD), laboratório municipal e setores especializados em vigilância epidemiológica, imunização e zoonoses.
Crescimento nos atendimentos e fortalecimento da atenção básica
Entre os principais destaques da audiência está o aumento significativo na demanda por serviços de saúde em comparação ao ano de 2024. Na atenção primária, os atendimentos de urgência cresceram 11%, enquanto as consultas médicas registraram aumento de 9% em relação a 2024. Já o número de visitas e atendimentos domiciliares realizados pelo SAD subiu 12,5%, reforçando o cuidado com pacientes que necessitam de acompanhamento em casa.
Outros indicadores também apresentaram crescimento, como os atendimentos nas farmácias básicas (6,93%) e especializadas (1,42%). O número de consultas de pré-natal teve variação de 5,67%, conforme a quantidade de gestantes no período.
Produção hospitalar e atendimentos especializados
Na atenção especializada, o município realizou 1.789 cirurgias eletivas e 3.272 cirurgias de urgência, além de 1.345 procedimentos ambulatoriais, como cirurgias de catarata. Também foram registrados 921 novos encaminhamentos para tratamento fora do domicílio, com 819 agendamentos efetivados.
Na área de oncologia, foram autorizados 1.340 procedimentos, incluindo quimioterapia e radioterapia. Já a Central de Regulação contabilizou mais de 152 mil ações, entre agendamentos, transferências e contatos com pacientes.
Vigilância em saúde e controle de doenças
Os dados da vigilância em saúde apontaram que o número de vacinas aplicadas aumentou 3,95%, enquanto as notificações compulsórias de doenças tiveram uma redução expressiva de 48,64%, reflexo principalmente da diminuição dos casos de dengue em 2025 em comparação ao cenário de 2024.
As ações de testagem rápida cresceram 44%, ampliando o diagnóstico precoce de doenças como HIV, hepatites, sífilis, COVID-19, influenza e dengue. Como consequência, houve aumento na procura por atendimento especializado.
Também foram intensificadas ações de combate à dengue, com uso de novas tecnologias, como drones para inspeção de áreas de difícil acesso, além da capacitação de agentes comunitários e de endemias.
Gestão, ouvidoria e transporte
No setor administrativo, a ouvidoria registrou cerca de 6.700 atendimentos, sendo a maioria por WhatsApp e telefone. Aproximadamente 80% das demandas foram relacionadas a solicitações de informação, denúncias e orientações.
O setor de transporte realizou 13.534 viagens, atendendo 3.007 pacientes, enquanto a manutenção das unidades de saúde contabilizou 2.187 atendimentos, incluindo serviços elétricos, hidráulicos e reparos gerais.
Situação financeira e investimentos
A prestação de contas também detalhou a situação financeira da Saúde Municipal. Ao final de 2025, o saldo total disponível era de aproximadamente R$ 15,2 milhões, próximo ao registrado no ano anterior.
Entre os recursos, destacam-se:
- R$ 8,1 milhões de origem federal;
- R$ 630 mil de recursos próprios do município;
- R$ 20,8 milhões do Fundo Municipal de Saúde;
- R$ 2,1 milhões de recursos que não entram no percentual mínimo constitucional.
Para o secretário, os dados demonstram estabilidade financeira e capacidade de investimento da pasta.
Novas obras e projetos em andamento
A Secretaria também apresentou projetos estruturantes para ampliação da rede de saúde. Entre eles:
- Construção de um Pronto Atendimento 24 horas, em fase de projetos;
- Implantação do CAPS AD III na região da Vila Lenzi, aguardando recursos;
- Nova UBS no bairro Rio da Luz/Rio do Norte, com projeto em atualização após entraves judiciais.
Integração e inovação na saúde pública
Outro ponto destacado foi a participação do município em projetos nacionais, como o Saúde Mental em Redes, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, e o Integra Visa, voltado à qualificação dos processos da vigilância sanitária.
Além disso, a Secretaria investe na ampliação de ações extramuros, levando serviços e orientações à população em parques, escolas e eventos, fortalecendo o acesso à saúde.
Vereadores questionam medicamentos, UTI neonatal e novos serviços
Após a apresentação dos dados, a audiência pública seguiu com questionamentos dos vereadores, que trouxeram demandas da população e cobraram esclarecimentos sobre temas sensíveis, como falta de medicamentos, ampliação de leitos hospitalares e acesso a serviços especializados.
O vereador Jonathan Reinke (União) abriu o debate questionando a ausência, em 2026, das ações de prevenção ao câncer de pele, tradicionalmente realizadas no início do ano. Ele também cobrou explicações sobre a falta de medicamentos registrada recentemente e perguntou quais medidas o município pode adotar para auxiliar o Hospital Jaraguá na ampliação de leitos de UTI neonatal.
Em resposta, a Secretaria de Saúde explicou que a campanha de combate ao câncer de pele, conhecida como “Dezembro Laranja”, não é organizada diretamente pelo município, mas sim pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, com apoio local. Segundo a pasta, a ação não ocorreu neste ano por falta de mobilização da entidade, mas há expectativa de retomada em edições futuras.
Sobre a falta de medicamentos, a equipe técnica esclareceu que o problema foi pontual e causado por atrasos de fornecedores. Quatro itens foram afetados — entre eles carbonato de cálcio, espironolactona, castanha da Índia e gliclazida — todos devidamente adquiridos pelo município, mas não entregues dentro do prazo. A Secretaria destacou que os contratos foram firmados via consórcios regionais e que a dificuldade atingiu diversos municípios, não sendo exclusiva de Jaraguá do Sul.
Ainda nesse tema, foi detalhada uma situação envolvendo o fornecimento de insulina. O Ministério da Saúde alterou o modelo de distribuição, substituindo canetas descartáveis por reutilizáveis. No entanto, os equipamentos enviados apresentaram baixa qualidade, gerando devoluções por parte dos pacientes. O problema já foi reportado ao Governo Federal e, segundo a Secretaria, está sendo resolvido.
Em relação à ampliação de leitos de UTI neonatal, o secretário explicou que o processo depende de uma série de etapas que vão além da gestão municipal, incluindo manifestação do hospital, análise do Estado e habilitação dentro da rede SUS. Apesar de haver previsão de ampliação por parte do Hospital Jaraguá, ainda não há formalização do pedido junto aos órgãos competentes. A Secretaria ressaltou que a falta de leitos é uma realidade regional e pode variar conforme a demanda.
CAPS 3, saúde mental e novas estruturas
O vereador Osmair Gadotti (MDB) elogiou a implantação do programa de teleconsulta 24 horas, classificando a iniciativa como inovadora e necessária, mas questionou o funcionamento do futuro CAPS 3, especialmente em relação ao fluxo de internações.
A Secretaria explicou que o CAPS 3 terá leitos para acolhimento noturno, mas não funcionará como unidade hospitalar. O atendimento será voltado a casos específicos de saúde mental, principalmente relacionados ao uso de álcool e drogas, com acompanhamento durante o dia e permanência eventual à noite. Casos mais graves continuarão sendo encaminhados ao pronto atendimento hospitalar.
O fluxo de atendimento ainda será definido, respeitando critérios técnicos, para evitar que a unidade se torne apenas um local de espera por internações. A implantação do CAPS 3 depende, neste momento, da liberação de recursos para início do processo licitatório.
Demandas da população chegam pela Câmara
A vereadora Sirley Schappo (Novo) levou à audiência questionamentos enviados por moradores, abordando temas como infraestrutura, profissionais da saúde e qualidade de serviços.
Sobre a construção de uma unidade de saúde na região de Três Rios do Sul, Rogério da Silva informou que há um projeto para a UBS Três Rios do Norte, que é um bairro próximo, e que deverá absorver parte da demanda e redistribuir o atendimento. Também está em estudo a viabilidade de novos terrenos para expansão da rede.
Em relação à contratação de dentistas, foi esclarecido que o quadro atual está completo e que contratações temporárias foram realizadas apenas para substituir profissionais em licença maternidade.
Quanto às terapias integrativas, a Secretaria destacou que já oferece práticas como Lian Gong, auriculoterapia e fitoterapia em diversas unidades, além de ações em espaços públicos. A acupuntura também está prevista, mas depende da criação de cargo específico e do retorno de profissional atualmente afastada.
Sobre a saúde mental, a pasta reconheceu a alta demanda por psicólogos e psiquiatras, ressaltando que o problema é nacional. Atualmente, a rede conta com seis psicólogos na atenção primária, além dos profissionais dos CAPS. Como alternativa, está em estudo a ampliação de teleconsultas para a área.
Já no questionamento sobre a qualidade das fraldas geriátricas, a Secretaria esclareceu que a distribuição é feita com recursos federais e que o município não tem controle sobre a aquisição. A orientação é que os usuários registrem reclamações na ouvidoria para encaminhamento ao governo federal.
Debate sobre medicamentos gera discussão
O tema da falta de medicamentos voltou ao centro do debate com a fala do vereador Jair Pedri (PSD), que criticou a demora no fornecimento e questionou quais orientações são dadas aos pacientes que aguardam há mais de um mês.
A Secretaria reiterou que a maioria dos itens em falta não é considerada essencial e que a legislação impede a compra emergencial fora dos contratos vigentes, salvo em situações de risco à vida. O processo exige notificação do fornecedor e cumprimento de prazos legais.
Também foi explicado que muitos medicamentos são adquiridos por meio de consórcios estaduais, o que limita a autonomia do município. Além disso, há casos em que a indústria farmacêutica enfrenta falta de matéria-prima, impactando toda a cadeia de abastecimento.
O vereador criticou o que classificou como falta de respeito de fornecedores com o setor público, afirmando que, em alguns casos, medicamentos indisponíveis na rede pública podem ser encontrados na rede privada. A Secretaria reconheceu que situações assim podem ocorrer, mas ressaltou que também há momentos em que a escassez atinge ambos os setores.
Para evitar problemas, o município afirmou adotar rigor na fiscalização de contratos e aplicação de penalidades, incluindo multas e impedimento de empresas em novas licitações.
Teleconsulta é destaque e aposta da gestão
Encerrando a audiência, o presidente da Câmara, vereador Charles Salvador (PSDB), elogiou o lançamento do programa “Saúde Online Jaraguá”, destacando o potencial da ferramenta para reduzir filas e facilitar o acesso da população aos serviços.
O secretário Rogério reforçou a importância da adesão da comunidade ao sistema, que passa a funcionar 24 horas por dia a partir de abril. A proposta é oferecer atendimento inicial remoto, com triagem feita por enfermeiros e encaminhamento médico quando necessário.
Segundo ele, a iniciativa busca reduzir a demanda espontânea nas UBSs — que hoje representa cerca de 70% dos atendimentos — permitindo que as equipes foquem mais em ações preventivas e de promoção da saúde.
“É como ter um médico dentro de casa”, resumiu o secretário, ao pedir apoio dos vereadores na divulgação do serviço.
A audiência foi encerrada com a reafirmação do compromisso da Secretaria em aprimorar os serviços e ampliar o acesso à saúde, diante de uma demanda crescente e cada vez mais complexa no município.