Sílvio Dreveck fala sobre as medidas econômicas adotadas desde que assumiu presidência da Alesc, e do futuro político, que inclui uma possível dobradinha com Dieter Janssen nas eleições de 2018.   Por Rosana Ritta “Apesar do desgaste que a classe política brasileira enfrenta, com denúncias de corrupção envolvendo praticamente todos os partidos, acredito na democracia, na ética e que Santa Catarina é um celeiro de bons políticos.” Pouco mais de um mês depois de assumir a presidência da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), o deputado estadual Sílvio Dreveck (PP) cumpriu agenda na região na quinta-feira (16). Na pauta, além de entrevistas para meios de comunicação locais, um bate-papo com o ex-prefeito de Jaraguá do Sul Dieter Janssen. Dreveck, que não nega intenção de concorrer a uma vaga à Câmara de Deputados em 2018, revelou sua intenção de formar uma dobradinha com Janssen, que neste caso lançaria candidatura a deputado estadual. Confira alguns trechos da entrevista em vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=R7wQyf6z0eE&feature=youtu.be Ele defende que a experiência de Janssen como prefeito (2013-2016) e em breves passagens pela Alesc como deputado estadual o credenciam para o cargo. “Observo que os deputados que já foram prefeitos têm maior bagagem e conhecimento técnico do funcionamento da máquina pública.” Ele também revelou que o PP não descarta lançar chapa própria ao governo do Estado, mas prefere manter cautela porque a possibilidade de coligações com PSD, PSDB ou PSB, entre outros partidos, em uma grande aliança, também deve passar por avaliação partidária. Além de falar sobre o futuro político, Dreveck também discorreu sobre as principais ações que tomou ao assumir a Alesc em 1º de fevereiro, para um mandato de um ano.   Confira a entrevista: As negociações e alianças em torno das eleições de 2018 começam a se desenhar. Quais são seus planos? Nas últimas eleições, aumentamos o número de vereadores e mantivemos o de prefeitos. E não é segredo para ninguém que assumi o cargo na presidência da Alesc graças a um acordo. (No acordo a que o deputado se refere, ele obteve o apoio do PSD, o que reforça a parceria entre os dois partidos visando a uma aliança em 2018 e apoio a uma candidatura à Câmara Federal, e deve dividir a presidência com Aldo Schneider (PMDB), que presidirá a Casa em 2018). Estou amadurecendo este projeto de concorrer à Câmara Federal pela região Norte/Nordeste catarinense, por entender que há ausência de representatividade. E espero que o Dieter (Janssen) aceite o desafio de concorrer à Alesc. E qual o direcionamento do PP neste processo? Estamos conversando com vários partidos, em especial o PSB, PSD, PSDB, em busca de um consenso na formação de uma grande aliança, mas ainda é cedo para falar em nomes. Assim como não descarto o lançamento de uma candidatura própria. E com o PMDB não tem diálogo? Embora o PP tenha alianças com o PMDB em vários municípios (incluindo Jaraguá do Sul), por divergências históricas, acredito que não teríamos espaço junto ao PMDB. Deputado, quais foram suas primeiras ações na Assembleia Legislativa ao assumir a presidência, em fevereiro? São 19 comissões na Alesc pelas quais os projetos em trâmite precisam passar, para que sejam analisadas a legalidade, legitimidade, entre outras avaliações técnicas. Mas nossa prioridade é deliberar em torno de projetos que estão com vetos e parados desde o ano passado. Em comum acordo com as bancadas, definimos que todas às terças e às quartas vamos deliberar sobre os vetos, que obviamente são projetos polêmicos e sempre geram grandes discussões. Serão cinco projetos por sessão. Também temos 40 projetos do Executivo para que sejam analisados com prioridade. O senhor colocou em prática algumas ações para promover mais economia na Alesc. Como foi esta medida de devolver policiais para as ruas? A Alesc vinha fazendo ajustes já na gestão do ex-presidente Gelson Merísio. Agora, depois de acordo com a Polícia Militar, com a normatização da segurança institucional da Alesc, a economia alcançada no primeiro mês, apenas com esta medida, foi de cerca de R$ 600 mil. Na prática, o que fizemos foi reduzir o número de policiais que prestam serviços na Casa, além de substituir os que estão na ativa por aposentados, devolvendo policiais da ativa para a corporação, para que possam atuar na segurança pública. Também estabelecemos um teto para pagamento de gratificações com base no subsídio pago aos policiais e com teto de R$ 7 mil. O objetivo é continuar reduzindo gradativamente os custos até concluir o enxugamento do setor em aproximadamente três anos. E o que economizarmos será devolvido ao governo do Estado, para investir em outros segmentos. A ideia da parceria público-privada é um dos motes de sua gestão. Qual o retorno concreto que esta medida teria para a sociedade? Entendo que o Estado tem compromisso e não deve descuidar de áreas como Saúde, Educação, Segurança e Assistência Social. Mas obras de infraestrutura, como rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, defendo que possam ser concedidos ao setor privado, promovendo muito mais celeridade, transparência e qualidade de serviços. O senhor participou da abertura do 15º Congresso Catarinense de Municípios, que reuniu prefeitos de todo o Estado em Joinville no decorrer da semana. Que mensagem o senhor, com sua experiência de administrador municipal (ele foi duas vezes prefeito de São Bento do Sul), procurou repassar? A minha mensagem é de otimismo a estas pessoas eleitas como representantes do povo. Sou um defensor do municipalismo. Os serviços públicos são mais eficazes quando gerenciados por autoridades municipais que estão mais próximas da comunidade, entendem suas necessidades e procuram qualificar-se para representá-la com qualidade. Também procurei passar uma mensagem de defesa da democracia, lembrando que prefeitos e vereadores, eleitos pelo povo, têm compromisso e responsabilidade com a ética. Político tem que ser ético. Também a União de Vereadores de Santa Catarina (Uvesc) promoveu evento técnico, o que é importante, porque eles estão começando uma legislatura e eles precisam estar preparados, porque eles precisam conhecer o projeto, saber analisar e interpretar o projeto. Consegue manter o otimismo mesmo diante de tantas denúncias de corrupção que envolvem a classe? Acredito no bem. O político tem que ser ético Tenho minha consciência tranquila. Temos políticos sérios em todos os partidos. Há exceções, mas Santa Catarina é um celeiro de bons políticos e no Brasil também temos políticos sérios que não podem ser contaminados pelos que desonram a classe. Defendo o fim da omissão. As pessoas de bem devem participar da política, pois quando uma pessoa de bem se omite dá espaço para outra que nem sempre é uma pessoa de bem. E o compromisso com a ética e o profissionalismo vale para toda a sociedade.   Como o senhor se posiciona diante dos polêmicos temas nacionais, como a reforma trabalhista, da Previdência Social? As reformas trabalhista, tributária, política, da Previdência são indispensáveis para a sobrevivência do país e do Estado, porém considero que em especial à questão da Previdência, que está na pauta do dia, o governo federal não está sabendo comunicar corretamente a população sobre as mudanças em discussão. Precisa esclarecer que a reforma não afetará os já aposentados, as aposentadorias especiais, discutir melhor o caso dos agricultores, tudo com critérios. Entendo que o governo federal tem que ser mais ativo, apresentar sugestões, emendas, trazem contrapropostas de acordo com nossa realidade e envolver melhor a população.