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Saída de Flávio Bolsonaro do Brasil abre disputa por liderança da oposição a Lula

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Por: Ewaldo Willerding Neto

28/10/2026 - 13:10 - Atualizada em: 28/10/2026 - 13:13

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil abriu um novo cenário para a direita, que precisa reorganizar a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a derrota nas eleições presidenciais. A viagem aos Estados Unidos foi confirmada pela Polícia Federal na terça-feira (27), depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do parlamentar e proibir sua saída do país.

Flávio havia anunciado que assumiria a articulação da oposição ao novo mandato de Lula. Sua ausência, porém, levanta dúvidas sobre a capacidade de manter a coordenação presencial com parlamentares, partidos e aliados políticos.

Entre os nomes que podem ganhar espaço nesse cenário estão o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), eleita senadora pelo Distrito Federal. A avaliação de analistas é de que a direita poderá buscar novas lideranças, inclusive fora da família Bolsonaro, sem necessariamente romper com o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

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O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou ter recebido com surpresa a notícia da saída de Flávio do país. Segundo ele, a expectativa era de que o senador, que disputou a Presidência, assumisse o protagonismo na organização do grupo oposicionista.

Liderança da direita entra em discussão

A possibilidade de Flávio continuar comandando a oposição do exterior é uma das principais questões em aberto. Analistas avaliam que as redes sociais permitem manter contato com apoiadores e divulgar posicionamentos, mas ressaltam que a articulação política também depende de negociações diretas com parlamentares, dirigentes partidários e representantes de diferentes setores.

Nesse contexto, Tarcísio de Freitas aparece como uma alternativa para ampliar a influência política da direita. À frente do governo paulista, ele possui uma base própria e interlocução com setores empresariais e do centro político.

Michelle Bolsonaro também poderá ampliar sua participação nas articulações do PL, enquanto as bancadas do partido no Congresso terão papel importante na definição das estratégias de oposição. A reorganização do grupo, entretanto, dependerá da capacidade de construir alianças e estabelecer uma agenda comum.

A saída de Flávio também ocorre em meio às tensões entre a família Bolsonaro e Alexandre de Moraes. As medidas judiciais envolvendo o senador acrescentaram um novo capítulo ao conflito, que já inclui decisões contra Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro.

Apesar das incertezas sobre a liderança, a direita mantém representação parlamentar expressiva. O desafio será transformar essa força em atuação coordenada no Congresso e definir quem conduzirá a oposição ao governo Lula nos próximos anos.

 

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Ewaldo Willerding Neto

Jornalista formado pela UFSC com 35 anos de atuação.