Embora os gramados da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estejam semeados de placas com os números dos três professores candidatos à reitoria da universidade, o clima no campus de Florianópolis não é de eleição.
No último dia antes do pleito, que ocorre nesta quarta-feira (28), a reportagem do OCP News visitou o campus no bairro Trindade e conversou com 12 alunos e duas professoras de sete cursos diferentes (sistemas de informação, farmácia, ciências da computação, engenharia sanitária ambiental, filosofia, história e relações internacionais). Apenas um dos alunos entrevistados, único engajado em uma das campanhas, estava por dentro dos detalhes da eleição.
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“É reflexo da situação nacional, as pessoas não querem falar tanto de política. Em contrapartida, eu observo envolvimento crescente de pessoas. Mas, não era para ter essa eleição, né? Não tem como falar nisso sem lembrar do Cancellier”, destacou o estudante de sistemas de informação, Felipe Pinheiro, 24 anos.
A eleição ocorre fora de época em função do suicídio do último reitor - Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que ocorreu em 2 de outubro, quase um mês após a operação Ouvidos Moucos desencadeada pela Polícia Federal, com o intuito de apurar suposto desvio de verba nos cursos de ensino à distância. Na ocasião, Cancellier chegou a ser preso porque teria interferido na apuração iniciada pela corregedoria da UFSC.
Todos os entrevistados pela reportagem tinham conhecimento da disputa pelo cargo deixado por Cancellier, só que o interesse pelo assunto não foi unânime. Desilusão, pouca informação sobre as campanhas, a morte do ex-reitor e a eleição fora do calendário figuram entre os motivos apontados para a falta de clima no campus.  
“Tem bilhetinho aí passando, o pessoal distribuindo, mas não peguei. Ainda não decidi se vou votar”, disse o aluno de ciências da computação, Luiz Valdiero, 21 anos.
“A faculdade não foi tomada por isso como em outras eleições. Mas vai de a pessoa ir atrás também”, observou Jessica Duarte de Souza, 25, do curso de História.
“Não estou muito por dentro, mas vou votar no candidato aqui do centro. Eu acho que alcançaram mais as pessoas que já estão envolvidas”, contribuiu o aluno de relações internacionais, Marcelo Lacortt, 27 anos.
“Outras eleições foram melhores, mas essa foi meio inesperada (por causa da morte do Cancellier). Já tenho o meu voto porque fui atrás, mas quem não tem muito interesse, não fica por dentro”, completou a colega de curso de Marcelo, Nahari Castro, 21 anos.
Acadêmicos do curso de relações internacionais, Nahari e Marcelo (Foto: Schirlei Alves)
O aluno de Filosofia, Anderson Kauê Plebani, 30 anos, faz meia culpa e revela que apenas uma chapa fez campanha na turma dele:
“Estou razoavelmente por dentro. Uma única chapa foi na minha sala. Achei interessante. Não fui atrás dos outros candidatos, provavelmente vou votar nele. Foi rápido e não fez parte do cronograma. É um pouco superficial, mas também é minha culpa por não ter ido no debate”, ponderou o aluno.
A estudante do segundo semestre de farmácia, Amanda Loth, 19 anos, ainda estava em dúvida entre dois candidatos e preocupada com o futuro que lhe espera na universidade. É que ela tem receio de chegar na fase final e enfrentar os mesmos problemas que os veteranos com a falta de vagas para residência no Hospital Universitário. A aluna critica ainda a falta de vagas para alunos de baixa renda na moradia estudantil:
“Eu, sinceramente, não acredito mais na mudança do Brasil. Com certeza, (a política nacional) reflete aqui na universidade, ela é federal, né. Nós deveríamos ter mais acesso aos benefícios aos quais temos direito”, reivindica Amanda.
As professoras Patricia Kazue Uda e Ana Clara Franco, do curso de engenharia sanitária ambiental, percebem a falta de interesse dos alunos, principalmente nos cursos de engenharia e tecnologia. Porém, as docentes retificam que os professores também deveriam fomentar as discussões políticas e sociais dentro da sala de aula.
“O que aconteceu com o último reitor deveria ter acendido uma luz de alerta neles (alunos) para o que está acontecendo com a gestão universitária. Eles deviam estar, no mínimo, preocupados”, disse Patricia.  
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